Domingo de sol


José Meireles Graça,

Uma tinha uns óculos grandes que lhe ficavam bem, o cabelo comprido e solto, uma sainha preta; a outra um rabo de cavalo, uns leggings. Ambas esfusiantes de boa disposição. Nem Lolitas eram, nenhuma tinha ainda peito – deviam andar pelos onze, doze anos.

Afastavam-se e a mãe (suponho que era a mãe) chamou e a do rabo de cavalo, virando-se, disse, terminante, mostrando a palma da mão como quem está a mandar parar: Agora não, temos uma missão a cumprir!

Chamou então a outra, a dos óculos, que disse concentradamente: Definitivamente não é altura!

E ambas desceram para o campo de jogos da freguesia onde uns miúdos da mesma idade ou por aí jogavam a bola.

E eu fiquei a pensar: Juventude perdida que nada, exprimem-se bem e tão novinhas já têm uma noção nítida da hierarquia dos interesses.

2 comentários em “Domingo de sol”

  1. E aquele simbólico Alto Lá ! do cabeça-de-giz ao Terreiro do Paço,como o recuperam assim sintético expressivo e silencioso,quase educado.Este quase.
    Eu mesmo o apresentei a um marmanjo,há anos,na rua,vindo abraçar-me a desoras.Telefonei,chamei o táxi e —adeusinho tenho o carro à espera.
    Não sirvas a quem serviu.

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