“Estas manifestações são planeadas, coordenadas e têm um objectivo. (…) Continuar a ouvir, em 2012, falar de PSP como força de repressão é uma coisa que eu acho que deve fazer pensar todos. Uma força de segurança, num estado democrático, não é uma força de repressão, é uma força que garante o direito dos cidadãos, (…) e é uma força que garante a ordem democrática.”, Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, Audição Parlamentar no âmbito da actuação policial durante as manifestações do dia da Greve Geral de 22 de Março.
Assusto-me quando assisto a intervenções que artisticamente questionam o direito à manifestação, com o argumento de que a força serviu para assegurar o Estado de Direito, como se fossem setentas pessoas pô-lo em questão e não a forma, amplamente documentada, como as forças da autoridade agiram. Uma força de segurança, num estado democrático, é, ou não, uma força de repressão, consoante a forma como age e sentimento que transmite às pessoas, e não pelas perniciosas declarações de um Ministro que tenta formatar mentalidades, distorcendo a realidade daqueles factos.
Quando diz, com fito pejorativo, que “estas manifestações são planeadas, coordenadas e têm um objectivo”, como se o planeamento, a coordenação e a objectividade não fossem três ingredientes intrínsecos ao próprio exercício da manifestação e do direito de organização, o Ministro da Administração Interna questiona todo este direito, que não é por acaso que aparece blindado na nossa Lei Fundamental, ainda que as décadas actuem como amnésia em muitas mentes.
Em 2012, perigoso não são setenta jovens a manifestar-se, perigosos são uma polícia que agiu com intuitos repressivos e um Ministro que questiona habilmente este histórico direito que nos assiste. Se não tivemos, até hoje, problemas com manifestações em Portugal, porquê muscular a actuação policial? Impedir a livre e pacífica manifestação não é o caminho, em vez de manter a calma, coloca em questão a paz social.

Democracia Totalitária continua a fazer o seu caminho.
“Uma força de segurança, num estado democrático, não é uma força de repressão, é uma força que garante o direito dos cidadãos…”
O “Estado Democrático” não é atestado de coisa nenhuma.O seu comportamento é que atesta se é uma força de repressão ou não.
Depois a Democracia é cada vez mais Totalitária, avança para estender o seu Poder onde sequer Ditaduras tinham receio de ir. O Ditador tinha medo do povo se passasse certo grau, os Democratas deixaram de ter história e com isso de ter medo.
Obrigado pelo seu testemunho, lucklucky!
O que me surpreende é que a generalidade das pessoas não chegue à mesma conclusão…
Anjinhos… Anjinhos…
Se não se conhece a estrutura da sociedade (http://otempoquehadevir.wordpress.com/2012/04/11/614/) em que se está inserido, como se pode sequer imaginar alterá-la?!?