
Juan Carlos em 1975 com o filho, o actual Rei
Dizem-me que alguns dos mais estridentes defensores de José Sócrates no espaço mediático, que nunca cessaram de proclamar a presunção de inocência do antigo primeiro-ministro, encontram-se agora entre os que negam esse mesmo direito constitucional ao Rei emérito de Espanha.
Tomam as imputações feitas ao pai do actual monarca por uma notória trampolineira social como se fossem verdades absolutas, jamais as questionando, e apressam-se a condená-lo na praça pública.
Negando a Juan Carlos o que sempre reclamaram para Sócrates.
Duplicidade de critério, dupla moral – admitindo que existe alguma. Dois pesos e duas medidas. Para esta gente, a presunção da inocência cai à medida das conveniências políticas do momento e da trincheira em que se instalam.
Gostem ou não gostem, o emérito não foi constituído arguido, sobre ele não pesa qualquer acusação, tem todo o direito de se deslocar para onde entender e de fixar residência sabe-se lá onde.
Algumas carpideiras poderão acusá-lo de ser mulherengo e trair os votos de fidelidade conjugal feitos à Rainha Sofia, sua legítima mulher desde 1962.
Convenhamos que é uma crítica repassada de moralismo passadista, além de uma invasão da esfera íntima do cidadão Borbón. Aliás também aqui sujeita a duplo critério analítico: não me recordo de ouvir os queixumes destas beatas quando o antigo Presidente francês François Mitterrand foi a enterrar na presença simultânea da esposa, da amante e da filha adolescente nascida fora do longo e aparentemente feliz enlace conjugal com Danielle Mitterrand.
Sobra a questão do regime.
A esquerda radical, aliada aos separatistas catalães, pretende transformar um suposto caso de ilícito penal e tributário associado ao pai de Filipe VI em pretexto para proclamar a república. Parece-me algo tão absurdo como se os norte-americanos tivessem aproveitado em 1974 o caso Watergate, que levou à demissão de Richard Nixon, para iniciarem uma acalorada discussão em torno da forma de Estado, admitindo a instauração da monarquia nos EUA.
Acresce que a república esteve sempre associada ao pior da vida política espanhola nos dois curtos períodos em que vigorou, acabando por morrer de implosão. Na primeira versão durou 22 meses, entre Fevereiro de 1873 e Dezembro de 1874. Na segunda, decorreu entre Abril de 1931 e Março de 1939, embora sobre a totalidade do território espanhol só até Julho de 1936, quando eclodiu a guerra civil, que partiu o país ao meio.
Não deixou saudades em qualquer dos casos.

E pronto, é o que eu digo, quando sais da literatura é o desastre.
Deixa lá o Sócrates em paz, o homem está politicamente morto e enterrado, paz à sua alma política.
De qualquer maneira, convinha que te aprumasses um bocadinho mais no argumentário: dizer que o JC não foi constituído arguido…. então mas o homem está blindado pela constituição espanhola, pá!
E outra coisa, a monarquia pode e deve discutir-se, sim. Ainda por cima neste caso concreto da monarquia espanhola, imposta pelo Franco, em que um filho começa por aproveitar a boleia de um ditador para passar por cima do próprio pai… mas pronto, essa, a bem dizer, é outra discussão…
Cumprimentos
Fala-se em Sócrates e certas pessoas sentem logo um formigueiro na ponta dos dedos, correndo para o teclado mais próximo.
É o seu caso.
Estimo rápidas melhoras.
Sócrates está politicamente morto e enterrado, paz à sua alma política
Concordo, e conviria que a direita portuguesa parasse de passar o tempo a falar do socratismo e de Sócrates e discutisse sobretudo o tempo presente.
O tempo presente é a continuação do socratismo alimentado a hidrogénio.
“…aproveitar a boleia de um ditador para passar por cima do próprio pai……”
Em 1947 o Parlamento espanhol aprovou uma lei de sucessão que permitia a Franco nomear o futuro rei entre qualquer dos príncipes Bourbon.
Pode dizer-se – eu nem contesto – que o Parlamento passava as leis que Franco desejava mas o que isso mostra é que, pelo menos, a elite do regime comungava na ideia monárquica, isto é, mesmo sem discutir representatividades ou percentagens, a monarquia não foi uma decisão isolada de Franco.
Vários, entre os quais me incluo, pensaram que Franco iria escolher o duque de Cádiz, que nomeara embaixador em Estocolmo e fôra um sucesso, além de que era casado com María del Carmen Martínez Bordiú, neta de Franco mas parece que Franco já decidira antes por Juan Carlos.
Em 1956, quando morreu com um acidente com arma de fogo o príncipe Alfonso com 15 anos, irmão mais novo de Juan Carlos, correram os mais variados rumores e é bem possível que tivesse sido Juan Carlos a disparar a arma (https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso,_I nfante_de_Espanha). Correu então o rumor de que Franco tinha ficado furioso, dizendo que o conde de Barcelona era um bêbado irresponsável inadequado para educar um príncipe de Espanha.
Na discussão Monarquia vs. República sempre foi argumento dos monárquicos a vantagem da educação para o cargo de forma a garantir a independência perante facções. Ora é claro que o conde de Barcelona já não podia receber essa educação, enquanto o filho entrou para a academia militar de Saragoça e depois frequentou um ano em cada uma das academias, naval, do exército e da força aérea, acabando os estudos na universidade de Madrid.
Independentemente de ideias e ideais a frase em epígrafe é infeliz, para dizer o mínimo.
“o Parlamento passava as leis que Franco desejava mas o que isso mostra é que, pelo menos, a elite do regime comungava na ideia monárquica”
Tenho sempre dificuldade, primeiro, em saber quem faz parte da elite. Se a que pela inteligência e trabalho se fez gente, se a que, através dos silêncios coniventes, se fez sócio do regime.
A escolha da Monarquia julgo estar indissociável às características frágeis e fracturantes do Estado multinacional espanhol.
“Ora é claro que o conde de Barcelona já não podia receber essa educação, enquanto o filho entrou para a academia militar de Saragoça e depois frequentou um ano em cada uma das academias, naval, do exército e da força aérea, acabando os estudos na universidade de Madrid.”
Se a educação esmerada incidiu sobre desvio de fundos e escândalos com amantes foi esmeradíssima. Se foi sobre honestidade junto dos seus pares e da sua família, deitem as escolas abaixo.
Ainda não vi Juan Carlos acusado desvio de fundos nem conheço qualquer cargo que tenha exercido em que administre fundos.
O máximo que lhe vi imputado, por enquanto sem factos comprovados, será tráfico de influências (vulgo receber luvas) e branqueamento de capitais que, no presente caso, será apenas fraude fiscal (fugir aos impostos).
Não referi educação esmerada mas uma educação para conhecer pessoas com presumível futuro no aparelho militar e no mundo político e económico sem ficar ligado a uma qualquer facção ou grupo em particular.
Creio que qualquer Jojo perceberia isso. Meio Jojo, parece que não possivelmente porque deitaram a escola abaixo antes de a poder frequentar.
Tráfico de influências então. Isto com os reis não se podem confundir crimes. Para os reis há crimes que são pecadilhos,
Quem pensa que o emérito rei é culpado parece ser o rebento dele, o rei a valer. Ou isso ou deu-lhe guia de marcha para fora de Espanha por causa do odor corporal.
A noção que a educação serve para conhecer as pessoas certas dá nisto: Esquecem-se de ensinar que tráfico de influências e branqueamento de capitais são ilegais. Afinal a culpa não é do emérito rei, ele não tinha a educação certa.
“Algumas carpideiras poderão acusá-lo de ser mulherengo”
Carpideira me confesso. Trair, enquanto casado, é uma canalhice da pior espécie. Enganar quem em nós confia, quem connosco partilha uma cama, o corpo, as amarguras quotidianas, os desabafos de amparo, é asqueroso.
“Convenhamos que é uma crítica repassada de moralismo passadista”
Chiça, devo ser mesmo antigo. Um(a) canalha que trai a mulher(homem), mostra também o desrespeito pelos filhos, pela família. Troca uns minutos de prazer egoísta por anos de sofrimento dos seus filhos.
“Gostem ou não gostem, o emérito não foi constituído arguido”
Não foi e nunca será. Por ser rei e por ser velho.
Pedro, um pouco mais de respeito pela realidade.
Abraço
Deixe estar, não se torture tanto. Daqui a uns meses começa um novo ano: 1821 está quase a chegar.
Eu, não. Apenas, sofro, porque o admiro, quando decide pensar assim. Sem “stress”. Tudo de bom
Que espectáculo infeliz ver o filho, rei, expulsar o rei e pai.
https://www.google.com/amp/s/www.public o.pt/2020/07/18/mundo/noticia/casa-real-e spanhola-tenta-impedir-felipe-vi-respons abilizado-erros-pai-1924980/amp
Pedro Correia a 11.08.2020 às 10:26.
Faço minhas as palavras do Vorph.
Trair é um acto ignominioso que nenhuma consciência minimamente formada pode aceitar.
Traição é o pior que a ignobilidade humana pode mostrar. Um traidor é um cobarde e um aproveitador sem escrúpulos que se aproveita da fidelidade e da confiança de todos que o rodeiam, quer seja mulher, filhos, amigos e colegas de profissão.
Esse rei nunca me mereceu o mínimo respeito, que a ele decerto pouco ou nada importará, mas a quem eu nunca apertaria a mão.
Foi rei no nome e foi um sujo por natureza.
Ui, que dirá você do John Kennedy. E do Clinton. E do Mitterrand, cujo serralho terá superado o de Luís XV.
Kennedy costumava dizer que lhe doia a cabeça se não comesse “carne fresca” todas as manhãs.
Pedro Correia a 11.08.2020 às 13:42
Digo que todos esses e bastantes mais, o poder envelopa o mais sujo que consciência pode mostrar. Sobretudo a moral.
Falta de ética e moral !!!
É quando este Juan Carlos caça elefantes no Botswana em 2012.
Quando ele próprio era presidente de honra da secção espanhola da organização ambiental WWF (World Wildlife Fund). A organização tinha, entre outros, um programa específico para a conservação de elefantes em África e o Juan Carlos como presidente de honra.
Maria
O Don Juan Engrupista!!!
É que é o Verdadeiro Homem da fruta!!!!
Salazar nunca traiu a esposa, era uma homem às direitas. Das direitas.
E a esposa será que traiu Salazar?
Atraiu?
Salazar até nisso era desconfiado, não fosse a mulher mandar mais que ele.
Por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher.
Nunca confiar no que não se consegue ver.
“Trair é um acto ignominioso que nenhuma consciência minimamente formada pode aceitar.”
Discordo em absoluto. Uma traiçãozinha, de vez em quando, serve para desanuviar e alterar a montagem atonia da vida.
Vorph “Girevoy” Valknut a 11.08.2020 às 10:22
Com todo o meu apreço e simpatia.
Ab…
Ao cunhado :
Independentemente das questões morais que não cabe aqui discutir, permita-me que lhe diga duas coisas:
Como certamente saberá os casamentos reais são meros contratos, celebrados com o objetivo de estabelecer ou manter alianças políticas, por um lado, e por outro lado garantir a continuação da família no poder. O amor até pode vir a acontecer mas n faz parte das condições iniciais do contrato.
Por outro lado, permita-me que conteste vivamente a parte em que diz “uns minutos de prazer”. Uns minutos?
Cumprimentos
“Por outro lado, permita-me que conteste vivamente a parte em que diz “uns minutos de prazer”
Anónimo, não há prazer como o primeiro. Depois ou arranja sublimações ou cai na adição. Um orgasmo costuma durar segundos, embora o intróito possa demorar minutos, longos ou curtos tudo dependendo da habilidade (mas julgo que estas contendas estão para lá do texto original). Quanto à nobreza dos casamentos, vejo a sua distinção no oposto deste exemplar. As eminências fazem-se, não se ganham ao nascimento. Mas como digo, sou antigo. A minha Honra é a minha Lealdade
Há quem sofra de ejaculação precoce…
E há quem atrase a ejaculação usando um anel peniano. E há quem aperte as carótidas para prolongar o amplexo
. Precoce só fui no desejo de me vir, o que foi desagradável
https://flame.pt/?gclid=Cj0KCQjwg8n5BRC dARIsALxKb97ga-aKByG-bTlJXHiO2vxbJYPiEG5 Jy06dhEVdRVb2vDpsnRgMkN8aAtGUEALw_wcB
Um canalha imoral tem especial apetência para a relativização de comportamentos criminosos
Caro Vorph, não esperava de si este moralismo à Diácono Remédios.
Ora, ora, a vida cada um sabe da sua e cada casal tem a sua própria dinâmica; dizia o ti Josué: “dizem que a minha Ermengarda me põe os cornos, sei lá, é com ela, nunca me faltou nada, é asseada, comida na mesa sempre a horas, nunca passei sede, é minha amiga e somos felizes”.
Cada um é como cada qual.
Vive e deixa viver.
Cada um exige aquilo que o satisfaz. Uns carne mal passada. Outros um belo par de enfeitados cornos condicentes, espero, com o tamanho e a fealdade da tromba.
“Cada um exige aquilo que o satisfaz. ” Finalmente acertou. Mas custou.
alguns dos mais estridentes defensores de José Sócrates no espaço mediático […] encontram-se agora entre os que negam esse mesmo direito constitucional ao Rei emérito de Espanha
A quem, concretamente, se refere o Pedro Correia com esta frase?
A quem enfiar a carapuça.
É o seu caso?
Não.
Ainda bem para si.
a república esteve sempre associada ao pior da vida política espanhola nos dois curtos períodos em que vigorou
Talvez, mas não propriamente devido à república, e sim devido aos maus costumes políticos que vigoravam (em Espanha, e alhures) nesses períodos, os quais maus costumes pouco ou nada tinha a ver com o regime ser republicano.
Terá sido mera coincidência. Para quem acredita em coincidências.
Coincidências:
Uma primeira República de terroristas;
Uma segunda de “fascistas”;
Uma terceira de corruptos.
Pela herança deixada por Franco aos descendentes parece que a segunda foi de fascistas e corruptos, passo o pleonasmo.
Possivelmente por deficiência minha tenho dificuldade em compreender.
Referindo Portugal – como referi – Franco não é tido nem achado. Falando de Espanha, segunda República e herdeiros de Franco são incompatíveis.
Mas, se refere Espanha, também herdeiros de Franco não faz muito sentido. Franco deixou como herdeiro político o almirante Carrero Blanco “explodido” por terroristas da tal esquerda “humanista e democrática”.
A nomeação de Adolfo Suárez por Juan Carlos foi uma surpresa e teve oposição dos “bonzos” do regime pelo que os corruptos que refere e abundaram no PP e no PSOE (continuando na “villa” que Pablo Iglesias e a mulher não poderiam ter adquirido nem com os dois ordenados de ministros e diz-se que teve contribuição venezuelana) já não eram os herdeiros de Franco.
A bem sucedida deriva democrática de Adolfo Suárez foi uma surpresa geral, quer pela ideia em si quer sobretudo por ter sido bem sucedida, o que contrariou todos os vaticínios de politólogos e comentadores políticos da época.
Agora o que não se pode esquecer para um julgamento histórico de Juan Carlos, é que Suárez nunca o teria conseguido sem o apoio do rei que resistiu sempre aos históricos do regime que lhe pediam a substituição do primeiro-ministro. Quando se soube que poderia ser legalizado o partido comunista a pressão sobre o rei foi tremenda, não excluindo dignatários da igreja católica.
Pessoalmente tenho pena que o rei não se tenha mantido no patamar dos inícios da sua governação.
Tem razão, Francisco. Contudo aproveito, mais uma vez, para reiterar que todas as ditaduras trazem uma corrupção dura, longa e calada.
Cá, como lá. Salazar foi conivente. Salazar sabia. E Salazar só agia quando os sibaritas levantavam o pêlo. Havia neste deixar andar um propósito de controlo sobre as elites por parte do nosso ditador. Salazar tal como Hoover geria o conhecimento, a informação, com propósitos políticos e de poder.
Não refiro herdeiros políticos. Refiro filhos e netos de sangue
https://www.google.com/amp/s/observ ador.pt/2019/11/05/os-negocios-de-102-5-m ilhoes-dos-netos-do-ditador-franco/amp/
Li recentemente um livro (romance) de uma autora espanhola (não me recordo agora, infelizmente, do título nem do nome), em que ela implicitamente acusa Juan Carlos de algo bem mais grave, de ter matado voluntariamente (e não por acidente, como se costuma fazer crer) o seu irmão quando era adolescente.
Segundo ela escreveu, Juan Carlos não era nenhuma criança nessa época e tinha treino prático de armas, sabendo perfeitamente lidar com a arma que tinha em seu poder, pelo que não é crível que a tenha deixado disparar sobre o seu irmão por simples descuido.
Anda a ler romances?
Faz muito bem.
Eu ando a ler dois: Memorial do Convento (romance de dia) e Ressurgir, de Margaret Atwood (romance de noite).
Zé do cofre, está morto e enterrado ? A melhor ilusão do diabo, é fazer-nos crer que não existe
. E outros diabelhos elusivos, da legião amigalhaça, por ele.. A clubite frascária, é quilhada.
Olhe que a república espanhola não morreu nada de implosão, morreu foi de morte matada, calculo que saiba isso.
E quanto a não deixar saudades… bem, não me diga que além de ser do sporting também é monárquico… .
Cumprimentos
Morreu duas vezes, ambas por implosão.
Ou suicídio, se preferir.
Não precisa de dar-se ao incómodo de explicar por que motivo invoca o Sporting a propósito deste tema. Nem vale a pena.
Invoco o sporting apenas porque estarmos aqui a discutir os méritos, a utilidade ou o futuro da monarquia é quase como estarmos a discutir se o sporting ainda é um grande do futebol português.
É só isso.
Faz bem em continuar anónimo.
Para que ninguém que o conheça perceber até que ponto você é tolo.
Escrever este post sobre Juan Carlos com o pretexto oportunista para falar de Sócrates,acho que é de todo insensato.
Mas diz bem dois pesos e duas medidas,Sócrates esteve um ano preso,Ricardo Salgado,Zeinal Bava e outros que andam para aí já são inocentes.
E depois o Pedro parece desvalorizar o papel da mulher, e de encher o peito com um certo machismo acusando-as de carpideiras, ou seja o homem ser superior tem o direito provavelmente até “constitucional”por si de ser infiel.
Joana Sampaio
O adultério deixou há muito de ser delito, pelo menos no mundo ocidental. Aflorar sequer esse tema para criticar politicamente seja quem for roça o execrável.
Quanto ao que importa: o Rei emérito de Espanha goza da presunção de inocência, como qualquer cidadão. Seja lá ou cá, seja você ou eu.
Negar essa presunção, e condená-lo até já com todas as letras, sobretudo pela pena ou pela voz de quem andou anos a encher a boca invocando a presunção de inocência de Sócrates, é de uma hipocrisia sem limites.
Diga isso aos Espanhóis!!!
“O adultério deixou há muito de ser delito, pelo menos no mundo ocidental. Aflorar sequer esse tema para criticar politicamente seja quem for roça o execrável.”
Para desgraça, nossa, a imoralidade deixou de ser motivo de embaraço. Aliás, a imoralidade, sob muitos contextos, passou a ser motivo de orgulho e de aplauso. Sou ainda do tempo em que o exemplo das grandes figuras do Estado tinham manifestação no comportamento de uma nação. Em que o exemplo dos maiores moldavam os menores. Sou velho e antigo. Como Catão, sobra-me a espada.
A (i)moralidade é um conceito subjectivo.
Haverá quem ache imoral as moçoilas andarem de micro saía, ou um magano caucasiano casar-se com uma escurinha.
As relações homo-sexuais, ou mesmo juntar os trapinhos fora da santidade do matrimónio também são imorais.
Aguardamos a lista das imoralidades que são morais.
O Rei Emérito não goza de qualquer presunção de inocência porque não há qualquer acusação.
Não há acusação nem sequer indiciação alguma.
Um debate sério sobre esta questão tem de começar com estas premissas.
Invalidar a presunção de inocência de alguém, seja quem for, invalida a presunção de inocência de todos.
Então, esta ‘dois pesos duas medidas’ para quê?
Ficarás a saber quando eu publicar a versão para crianças deste mesmo texto. Com bonequinhos para colorir.
De Pedro Correia a 11.08.2020 às 14:35
“O adultério deixou há muito de ser delito, pelo menos no mundo ocidental. Aflorar sequer esse tema para criticar politicamente seja quem for roça o execrável.”
E que lei define quais os parâmetros da honra e da falta dela, da verdade e da mentira, da falsidade e da seriedade, do dever por obrigatoriedade e da entrega por sentimentos?
“Amo-te muito minha querida e sempre te fui fiel, mas agora vou ali ao bordel porque a lei diz que já não é delito”
A lei da conveniência imoral para justificar a moralidade de quem nunca a teve.
Mas está bem. Nada que a educada civilidade não nos ensine.
Quanto a mim defino-a de outra forma. Quando se perde a vergonha todo o resto vem por acréscimo.
Para:14:35
“Amo-te muito minha querida e sempre te fui fiel, mas agora vou ali ao bordel porque a lei diz que já não é delito”
Ir ao bordel é apenas uma questão de atitude, hoje na sociedade Ocidental moderna a mulher de princípios liberais aceita a oferta do mercado.
“Amo-te querido vai lá e não te esqueças de levar flores, olha que amanha chego tarde a casa …”
A mulher hoje aceita o prazer sexual do homem como libertador de tensão, e por falta de tempo é permissiva com as tentações do bordel.
Caminhamos neste mundo moderno para a partilha e troca de experiências,ou seja já não há lugar para Beatas ou Carpideiras, ou estas são inseridas na nova sociedade ou então Deus terá que tomar conta delas.
Para 16:43
Muito melhor do que eu o Vorph já explicou.
Transcrevendo-o:
“Um canalha imoral tem especial apetência para a relativização de comportamentos criminosos”
Para: 18:07
Dizer que frequentar um bordel é criminoso?
Ora essa!
Não seja um velho do Restelo.
Chamar-me canalha é que é verdadeiramente imoral, uma ofensa que em tempos idos seria desafiado para um duelo de espada em defesa da honra.
E tudo só por causa de um bordel.
.
Por falar em vergonha… a-absoluta-falta-de-vergonha-11672488
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/d
Num regime em que os sucessores do chefe de estado são escolhidos por cópula, o rei e a rainha andarem a copular com quem lhe apetece parece uma traição aos súbditos.
Antes cópula que cúpula.
Melhor ainda é o Coppola
No PREC havia uma palavra de ordem anarquista a que sempre achei graça: “Abaixo os organismos de cúpula, viva os orgasmos de cópula!”
Cara Joana Sampaio,
O adultério não é republicano nem monárquico, não é de direita nem de esquerda, muito menos é machista ou feminista.
Ali em cima refiro o caso da, alegadamente, adúltera, Ermengarda e do marido, ti Josué, que encolhia os ombros perante a suposta traição; “não me falta nada”, dizia.
Cada um é como cada qual, cada casal tem a sua dinâmica própria.
Cada vez maior a admiração pela maneira como os ilhéus têm tratado , ao longo dos secs., as suas crises monárquicas.
No limite, cortaram a cabeça a um , experimentaram uma espécie de República uma dúzia de anos, não gostaram e voltaram ao modelo original – com regras estritas e (ausência de) poder regulado parlamentarmente.
Faltando herdeiro natural recorria-se , recorreu-se, ao “outsourcing” sempre que necessário , exigindo-se somente que o incumbente ainda possuísse umas gotas do sangue original do Rei Alfredo…
E a coisa lá se tem mantido , apesar dos tablóides, das TVs, da deriva demográfica ( talvez a questão realmente séria )…
JSP
Monarquia é coisa de povos atrasados e retardados. Tipo Noruega, Holanda, Suécia. Esses países, e a Espanha, têm rapidamente de evoluir para o século XXI e tornarem-se repúblicas prósperas como a nossa, onde a hereditariedade não tem qualquer influência.
Ps; nada como uma boa discussão sobre a influência de vícios privados em funções públicas.
Dos vícios privados surgirão virtudes públicas, apenas em sociedades que tomam dos vícios exemplos das suas porcas virtudes.
Vamos lá fazer um ponto de ordem à mesa:
A Holanda não é bem um país, é mais uma empresa, e ultimamente com laivos de off-shore.
Da Espanha é melhor não falar por enquanto.
Restam, deste texto, a Noruega e a Suécia; que são países ricos que podem exibir os monarcas como se fossem blazers azuis com botões dourados. Mas que não servem para nada, senão para exibir. Honestamente nem sei se também vendem canecas de chá como os ingleses, isso confesso que não sei.
Holanda, esse Inferno. Vade retro Fruganás.
A Bélgica também tem um rei, e aquele país atrasado que vive de exportar legos.
Está com uma conversa marreca, o Juan Carlos,já não vai ver as montras e também não brinca com legos.
Julio Matos
Ao que dizem, ainda é senhor para montar uns quantos modelos vintage.
Ai se o Trump sabe disso.
Gratificante ler os comentários de alguém, Francisco Almeida, que conhece a História de Espanha e rejeita os habituais, e falsos, tópicos propagandísticos.
JSP
Venha mais uma mulher para esta mesa!!
Pois o Juan está com fome….
Sinceramente!!!
Maria
Se ser mulherengo e estar implicado em casos menos claros por parte do chefe de estado implicasse uma mudança de regime, então há muito que a França teria de decidir entre os Bourbons, os Orleães e os Bonaparte para ocupar o respectivo trono, tendo em conta os pecadilhos dos que ocuparam a presidência (Félix Faure, então, teve amantes literalmente até à morte).
Quanto aos vícios privados, são apenas isso e não têm de implicar com as públicas virtudes. O adultério poderá ser uma coisa abominável, mas cada coisa no seu lugar, ao contrário do que defendem os Wasp puritanos e defensores de Big Brothers.
Os vícios revelam pouca actividade do Córtex Pré Frontal sobre estruturas mais primitivas do cérebro. Revelam irresponsabilidade e infantilidade. Sabendo que, psicologicamente, é no Córtex que são assimiladas as regras morais e os freios sobre os comportamentos instintivos, inculcados pela educação, pergunto-me até que ponto um homem vicioso, da pior espécie, pode ser um bom governante? Um Homem vicioso porá sempre em primeiro lugar o seu benefício, o seu proveito e apenas permitirá que os outros gozem se da sua mesa de farto repasto cairem sobras.
Parece-me que faz alguma confusão entre vicioso e egoísta.
Discutindo-se os comportamentos dos políticos entendo que não é possível avaliá-los sem ter em conta a teoria do poder.
Com excepções – nada disto é preto ou branco – as conquistas femininas de Faure ou Kennedy (para citar dos menos criticados) obedeceram ao mesmo impulso (volir ou vontade) que os levou ao sucesso político.
E o mesmo se passa com grande número de violadores e perpretadores de violência doméstica.
Poder, ensinava Adriano Moreira, é a faculdade de obrigar os outros a cumprir. E a frustração da própria incapacidade, leva à violência sobre os mais fracos ou os mais próximos como, exercício de poder.
Num ensaio atrevido, Kennedy, inconformado por não ser reconhecido como líder de todo o mundo, compensava essa incapacidade com as conquistas femininas, mesmo que sobre mulheres frágeis que, num caso mediático, se suicidaria depois.
Mas o poder é hoje tabu. Não é admitido, diz-se não ser desejado e não se estuda. Só que não desaparece por isso pois é uma pulsão fortíssima que pode superar qualquer afrodisíaco.
Mesmo a ambição de riqueza confunde-se com a ambição de poder. Obter serviços pessoais mas também distribuir favores, campo em que os ricos se confundem com os dirigentes políticos mas hoje são ultrapassados por estes.
Obrigado Francisco, pela excelente resposta
“Num ensaio atrevido, Kennedy, inconformado por não ser reconhecido como líder de todo o mundo, compensava essa incapacidade com as conquistas femininas”
Vulgo, Schadenfreude. A frustração é canalizada para aqueles abaixo de nós, na cadeia de Poder.
A infidelidade !!!!
É um tema menor…=????
Então e os Eunucos e os Capados quem é que se preocupa com eles!?!
Que são constantemente discriminados….
é isso mesmo . fizeram mais barulho aqui com a história do Rey do que em Espanha. não se percebe a sanha.
Parabéns pelo post: adorei ler os comentários. Agora ando aflito à procura de um bordel aqui perto.
Tenha cuidado: use protecção. Quero dizer, máscara e álcool gel antisséptico.
Chiça, com álcool deve arder!!
Mas talvez com máscara alivie.
Quem apreciar os comentários deste post, post que acho muito justo, fica a conhecer verdadeiramente as enormes qualidades do homem português, fica com a noção exacta da matéria -prima de que é composto : -altruísta, fiel, integro,rigoroso, justo, cumpridor com o Estado, cumpridor com o semelhante, nada de uns dinheiritos “por fora” para ver se resta alguma coisinha sem iva, nada de caça, nada de flirts à socapa, nem de fugida; nada de desviar algum de luvas contra o seu semelhante, nada de retirar dos bancos o que é do zé povinho, nada de continha fora – nada de prevaricação!
Assim já me sinto muito mais orgulhosa deste “paraíso à beira mar plantado ” …
-Quem nunca pecou que atire a primeira pedra!
A anónima de certeza que não é Portuguesa!
Pois para mim ao ler o Post e estes comentários, fico apenas com uma certeza:
As beatas e as carpideiras do cimo da sua sapiência, falam alto e bom som das virtudes da moral e dos bons costumes.
E aqui está o busílis!
Normalmente estas santidades da moral escondem debaixo do manto toda a imoralidade da prevaricação.
Marta Costa
Anónima das 16:56 h:

Em nome da minha tranquilidade de espírito e da minha sanidade mental, agradeço sentidamente o seu comentário.
Por momentos, cheguei a pensar que estava tudo maluco ou que eu estava com alucinações…
Já por aqui tinha passado e até nem pretendia comentar. Entretanto, veio-me à memória que primeiro vieram buscar os meus vizinhos e eu não disse nada; depois vieram buscar os meus familiares e eu não disse nada; quando me vieram buscar era tarde demais. Por isso tenho que comentar.
“Acresce que a república esteve sempre associada ao pior da vida política espanhola nos dois curtos períodos em que vigorou, acabando por morrer de implosão. Na primeira versão durou 22 meses, entre Fevereiro de 1873 e Dezembro de 1874. Na segunda, decorreu entre Abril de 1931 e Março de 1939, embora sobre a totalidade do território espanhol só até Julho de 1936, quando eclodiu a guerra civil, que partiu o país ao meio.
Não deixou saudades em qualquer dos casos.”
Donde se conclui que o regime franquista era uma monarquia. Que, eventualmente, JC será filho de Franco, de quem foi herdeiro. Que a monarquia franquista deixa saudades. Que Guernica, a cidade basca arrasada pela Legião Condor, esses rapazes alemães que só ali andavam a treinar os carpet bombings para a 2ª GM sem quererem fazer mal a ninguém, não deixa saudades. Que o massacre de Badajos deixa saudades.
E que saudades os garrotados pela monarquia franquista devem ter do garrote, numa morte em que o capuz era obrigatório porque os olhos lhes saíam das órbitas, facto que os impedia de lerem dois parágrafos como os citados.
Estou fascinado pelo duplo brilhantismo do raciocínio lógico e da memória!
Porque a república não deixou saudades “conclui que o regime franquista era uma monarquia”.
Porque a república não deixou saudades, conclui “que a monarquia franquista deixa saudades”. Idem, idem.
Brilhante.
Andou Aristóteles a perder tempo com duas premissas antes da conclusão quando uma chega.
Guernica era efectivamente uma cidade basca – aí acertou – mas era também a sede de fábricas de armamento e pólvora essenciais para os republicanos. Parece ter sido de facto uma inovadora aplicação de “carpet bombing” prática militar tão insólita que foi depois usada pelas democracias aliadas em Dresden, por exemplo.
Também lembrou bem a Legião Condor mas já esqueceu as Brigadas Internacionais, tudo bons rapazes que andavam a no “marketing” dos livros Hemingway e Malraux.
Creio que o massacre de Badajoz deixou menos “saudades” do que os massacres de Paracuellos.
Também fez bem em lembrar os garrotados e espero que não os esqueça quando faz as suas comparações entre os regimes de Franco e de Salazar (ou, como prefiro, entre portugueses e espanhóis).
Por último, como fui um dos intervenientes e tentei mostrar as pressões que Juan Carlos sofreu para substituir Adolfo Suárez e não permitir a legalização do partido comunista, deixo um “copy-paste” da Wikipedia.
A perseguição religiosa durante a Guerra Civil Espanhola[21] apenas continuou um padrão já existente: só nos quatro meses que precederam a guerra civil já teriam sido incendiadas 160 igrejas. Durante a Guerra, por causa da repressão da Segunda República, segundo o historiador Hugh Thomas, foram mortos 6 861 religiosos católicos (12 bispos, 4 184 padres, 300 freiras, 2 363 monges).[22] Ainda segundo Thomas, “em nenhuma época da história da Europa, e provavelmente do mundo, se manifestou um ódio tão apaixonado contra a religião”.[21] Uma obra mais recente, de Antony Beevor, dá números muito semelhantes (13 bispos, 4 184 padres seculares, 283 freiras, 2 365 monges).[23] De acordo com um artigo espanhol, foram destruídas por volta de 20 mil igrejas, com perdas culturais incalculáveis pela destruição concomitante de retábulos, imagens e arquivos.
Pela sua violência, aquele período de repressão tornou-se conhecido como o Terror Vermelho [24] (Terror Rojo – ver: Terrorismo comunista). Estudioso da história de Espanha, Stanley G. Payne, afirma que a perseguição aos cristãos Espanhóis foi “a maior na Europa Ocidental, mesmo em comparação com os momentos mais duros da Revolução Francesa”.[21]
Confusão sua: ironia e não lógica.
Ironia e memória selectiva.
Tarde piou, Elvimonte.
Teria sido mais sensato criticar o post pelos motivos que elencou, em vez de andarem a fazer tristes figuras armados em beatas e ratas de sacristia.
Agora – depois do mal estar feito – parece um pouco bizarro vir clamar “que primeiro vieram buscar os meus vizinhos e eu não disse nada; depois vieram buscar os meus familiares e eu não disse nada; quando me vieram buscar era tarde demais.”, não lhe parece?
Na escuridão da vida …..
Levaram-lhe os vizinhos e a família e ele não disse nada, nada ……
Onde andaria Elvimonte?
Provavelmente perdido, labirinticamente falando consigo próprio!!!
“que primeiro vieram buscar os meus vizinhos e eu não disse nada; depois vieram buscar os meus familiares e eu não disse nada; quando me vieram buscar era tarde demais.”
A frase não é minha, nem me recordo de quem seja e não deve corresponder à citação correcta. Porque me veio à memória, uso-a como figura de estilo para comentar dois parágrafos concretos do post original. O restante é-me indiferente.
De Espanha nem bom vento nem bom casamento!!!
Jorge Luís