Dois jogos de sociedade para os tempos que correm: crime e castigo, verdade e consciência


Rui Rocha,

 

Houve um tempo em que o murro no estômago era uma pergunta: quantos pobres são necessários para produzir um rico? O caminho que está traçado obriga a reformular a questão. As perguntas essenciais são agora:

 

– quantos contribuintes são necessários para manter um Ricardo Salgado?

– quantas famílias da classe média é necessário sacrificar para proteger um Jorge Coelho?

 

A responsabilização, criminal se for possível, dos irresponsáveis que nos trouxeram até aqui (Sócrates, Jardins, Paulos Campos, Constâncios e por aí fora) é essencial para que possamos olhar-nos ao espelho sem nos envergonharmos. Para o passado, o jogo de sociedade só pode chamar-se crime e castigo. Mas, o jogo do futuro chama-se verdade e consciência. Está nas mãos de Passos Coelho e joga-se no tabuleiro das Parcerias Público-Privadas. Enquanto o governo actual não atacar de frente esse monstro, reequilibrando os riscos e os benefícios contratuais, qualquer sacrifício imposto aos cidadãos terá sempre uma marca de injustiça e de imoralidade. E isso é muito grave numa altura em que já nem todos podem comer.

11 comentários em “Dois jogos de sociedade para os tempos que correm: crime e castigo, verdade e consciência”

  1. Caro Rui, o problema é que o governo não poderá contar tão cedo com a ajuda do braço da justiça. O que significa que lhe resta apenas uma única opção: o recurso aos militares.
    Percebe o caro Rui que é isto o que está a pedir?

    1. Os militares, e porquê sampy?

      Se o governo decretar a reavaliação das PPP a Lusoponte vai conquistar o Algarve? Ou a Nortescut vai bombardear Coimbra? Sejamos sérios, a única coisa necessária para corrigir as PPP é coragem para desobedecer ao dono.

      1. Caro doutor, é você mesmo que o diz: é preciso desobedecer ao dono. Como se faz isso (com sucesso)? Tendo mais força do que o dono.
        Ora, força económica não há: o governo está falido. Força judicial, também não a tem: os contratos são blindados, redigidos pelos próprios actores do sistema (advogados). Resta a força das armas. E mais vale que sejam os militares a usá-las do que caírem nas mãos dos populares.

  2. E quem foi o esclarecido eleitorado que elegeu e REELEGEU tão distinta corja?…
    E que não exige a sua criminilização face aos crimes cometidos?…
    Que “não tuge nem muge” face `a manutenção em funções de autênticos crápulas como o PGR, ou o Presidente do STJ, cúmplices activos e objectivos da quadrilha que se governou durante estes seis anos.
    Como povo, temos exactamente o que merecemos.

    1. Não posso concordar totalmente, JSP. Houve muita ocultação e desinformação que impediu que muitos possam ser chamados de esclarecidos eleitorais.

  3. Sem sombra de dúvida, dava mais depressa um tiro em certos políticos pós 25A, que um pontapé num cão.

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