Dois fracassos em quatro meses


Pedro Correia,

“Nós não nos disfarçamos com retórica.” Esta foi a frase mais frouxa da noite eleitoral de hoje. Uma frase proferida pelo maior frasista da política portuguesa, Francisco Louçã. Nem ele era capaz de disfarçar o estrondoso desaire do seu partido confirmado há poucas horas, na sequência da queda eleitoral registada nas legislativas de 5 de Junho.

Na Madeira, que noutros tempos foi um dos seus territórios eleitorais mais promissores, desta vez o Bloco, com apenas 1,7%, ficou atrás não só do CDS e da CDU mas também do Partido Trabalhista, da Nova Democracia, do Movimento Partido da Terra e (pasme-se!) até do Partido dos Animais. Ficando sem qualquer representante, nos próximos anos, na Assembleia Legislativa Regional.

Dois fracassos eleitorais em quatro meses. É tempo de os militantes bloquistas questionarem seriamente e sem tabus a direcção do partido, que parece não saber o que quer nem para onde vai.

7 comentários em “Dois fracassos em quatro meses”

    1. Um bloco que tinha tudo para ser uma esquerda pensante não integrada no PS, transformou-se num partido oco, de chavões de extrema esquerda, incoerente e concorrente aos comunistas… insustentável até como partido de descontentamento urbano

      1. O Bloco tem vindo em contínua derrapagem desde que vampirizou a candidatura presidencial de Manuel Alegre e sobretudo desde que recusou reunir-se com os representantes da ‘troika’. Ao limitar-se a imitar o PCP tornou-se um partido inútil no sistema político português.

  1. Bloco: massa volumosa e compacta de uma substância pesada (fonte: Infopédia).
    Tendo em conta esta definição de bloco, penso que a designação Bloco de Esquerda é falaciosa. Aliás, não sou o único a pensar tal, felizmente. Assim, só posso concluir: esta esquerda não tem futuro com esta designação, nem com os actuais dirigentes. Mas, como estas gentes vivem noutro mundo, não se apercebem disso. Ou não querem… Como diz o povão: pior cego é aquele que não quer ver. Portanto, só têm o que merecem!

  2. “ficou atrás não só do CDS e da CDU mas também do Partido Trabalhista, da Nova Democracia, do Movimento Partido da Terra e (pasme-se!) até do Partido dos Animais”

    É a isto que se chama “estar abaixo de cão”.

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