“Nós não nos disfarçamos com retórica.” Esta foi a frase mais frouxa da noite eleitoral de hoje. Uma frase proferida pelo maior frasista da política portuguesa, Francisco Louçã. Nem ele era capaz de disfarçar o estrondoso desaire do seu partido confirmado há poucas horas, na sequência da queda eleitoral registada nas legislativas de 5 de Junho.
Na Madeira, que noutros tempos foi um dos seus territórios eleitorais mais promissores, desta vez o Bloco, com apenas 1,7%, ficou atrás não só do CDS e da CDU mas também do Partido Trabalhista, da Nova Democracia, do Movimento Partido da Terra e (pasme-se!) até do Partido dos Animais. Ficando sem qualquer representante, nos próximos anos, na Assembleia Legislativa Regional.
Dois fracassos eleitorais em quatro meses. É tempo de os militantes bloquistas questionarem seriamente e sem tabus a direcção do partido, que parece não saber o que quer nem para onde vai.

Pois eu espero que nada mude no bloquismo. Deste modo são votos de esquerda sem consequências de maior.
Um bloco que tinha tudo para ser uma esquerda pensante não integrada no PS, transformou-se num partido oco, de chavões de extrema esquerda, incoerente e concorrente aos comunistas… insustentável até como partido de descontentamento urbano
O Bloco tem vindo em contínua derrapagem desde que vampirizou a candidatura presidencial de Manuel Alegre e sobretudo desde que recusou reunir-se com os representantes da ‘troika’. Ao limitar-se a imitar o PCP tornou-se um partido inútil no sistema político português.
Bloco: massa volumosa e compacta de uma substância pesada (fonte: Infopédia).
Tendo em conta esta definição de bloco, penso que a designação Bloco de Esquerda é falaciosa. Aliás, não sou o único a pensar tal, felizmente. Assim, só posso concluir: esta esquerda não tem futuro com esta designação, nem com os actuais dirigentes. Mas, como estas gentes vivem noutro mundo, não se apercebem disso. Ou não querem… Como diz o povão: pior cego é aquele que não quer ver. Portanto, só têm o que merecem!
Ficar em último lugar na Madeira, atrás do PND, do MPT e do Partido dos Animais, é uma humilhação inqualificável.
“ficou atrás não só do CDS e da CDU mas também do Partido Trabalhista, da Nova Democracia, do Movimento Partido da Terra e (pasme-se!) até do Partido dos Animais”
É a isto que se chama “estar abaixo de cão”.
Neste caso nem é uma metáfora.