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Dois pesos, duas medidas: João Soares saiu, Constança de Sousa ficou
Quase duas semanas após a catástrofe de Pedrógão, com o seu macabro cortejo de 64 mortos e 254 feridos, estaremos todos de acordo nisto: é essencial encontrar todas as respostas, sem subterfúgios nem biombos, que permitam explicar como ocorreu esta tragédia. A apressada tese da “trovoada homicida” já caducou. E a rocambolesca teoria da “árvore assassina” hoje não convence ninguém: lamento que o director nacional da PJ tenha sido o primeiro a anunciá-la ao País sem investigação nem fundamento.
Por muito respeitável e compreensível que seja a comoção da ministra da Administração Interna, isto não a iliba de responsabilidades efectivas pelas graves falhas operacionais que terão sido cometidas por estruturas sob o seu comando hierárquico. Essas falhas terão de ser apuradas, acarretando consequências – doa a quem doer.
Entretanto, sabemos desde já qual é o entendimento para o Executivo da “nova ética da responsabilidade” invocada no discurso da sessão solene do 25 de Abril pelo deputado socialista Alberto Martins: é mais fácil haver uma demissão no Governo quando um ministro promete no Facebook dar um tabefe a um par de comentadores do que alguém abandonar a cadeira do poder perante o mais devastador incêndio da história contemporânea em Portugal.

o mais devastador incêndio da história contemporânea em Portugal
Infelizmente, duvido que o tenha sido. Arderam cerca de 100 mil hectares, uma área que não é nada invulgar arder em grandes incêndios. No ano passado ardeu uma área semelhante nos concelhos de Águeda e Arouca. Em 2003 e em 2005 também houve incêndios em que arderam áreas similares.
Aliás, se agora houve este grande incêndio aqui, foi precisamente porque aquela zona já não ardia desde 2003 e 2005. Já tinham passado 12 anos, o que significa que aquela zona estava mesmo em ponto de rebuçado para voltar a arder.
Que alguém capaz de sustentar a tese de que a culpa da catástrofe foi das próprias vítimas, como é o seu caso, evite englobar a dramática perda de 64 vidas humanas no conceito de “devastador” é algo que acaba por bater certo.
“de que a culpa da catástrofe foi das próprias vítimas,” A noção de culpa inclui um julgamento moral. Aqui devemos procurar primeiro as causas. Sabendo as causas, talvez possamos assacar culpas. É cedo para as culpas (salvo para quem só pensa em demissões). Há casos em que a causa de mortes reside no comportamento das vítimas. E, por vezes, até a culpa. Seria fácil dar exemplos em acidentes de viação, afogamentos e não só.
No caso de Pedrógão é cedo para atribuir culpas, pois ainda não foram apuradas as causas. Temos de ter uma atitude investigação mais científica e não nos apressarmos com as demissões. Estas podem surgir a seu tempo.
Ao menos o Lavoura exprimiu sem reservas nem disfarces a convicção dele: a culpa foi das vítimas.
Você acaba por transmitir a mesma ideia mas de uma forma sonsa. E cobarde, porque anónima.
Não menos abjecta por causa disso. Mais abjecta até.
Portanto, o Governo do PS não só não tem culpa como a culpa ainda foi da floresta por não se saber limpar a si própria e os eucaliptos não são de esquerda. Já percebemos a lógica.
Não quer tirar o p aos eucaliptos para nos aproximarmos mais da verticalidade dos povos tropicais?
A grande questão de fundo é esta: por que motivo um País tão habituado a enfrentar incêndios florestais, ano após ano, foi incapaz de prevenir esta catástrofe, deixando à mercê do destino tantas pessoas que imploraram auxílio em vão?
Porque a arquitectura e a filosofia do Estado é o parasitismo, não o altruísmo. O resto é sorte ou azar.
>i> por que motivo um País tão habituado a enfrentar incêndios florestais, ano após ano, foi incapaz de prevenir esta catástrofe, deixando à mercê do destino tantas pessoas que imploraram auxílio em vão?>i>
Acho que houve incompetência a dois níveis. A nível da incompetência política duvido que a Ministra até soubesse que tinha tutela sobre esta área, tal como Jorge Costa se demitiu quando descobriu com surpresa que a manutenção das pontes. Alías, o PM tinha o amigalhaço dele a “tratar dos fogos” portanto na mente da Ministra até é o Secretário de Estado que se deveria demitir ou ser demitido para a pouparem. No plano operacional, houve desleixo e incompetência: à hora do fogo estavam todos ainda a almoçar e só duas ou três horas depois é que lá foi alguém. Aliás, os comandantes de Pedrógão e de Castanheira repetiram várias vezes que só foram chamados às 8.30 da noite. Quanto aos apelos directos das pessoas para as irem salvar, creio que agora que as chamadas são todas encaminhadas para o 112 a ideia de proximidade perde-se: é mais uma ocorrência numa escala de ocorrências.
Isto assim não funciona. Cada região tem de ter autonomia de meios e de resposta. De outro modo estas tragédias vão continuar, plantem o lá o que quiserem e onde quiserem. Tudo o que este governo e o bando de facínoras que o apoia vão fazer é preparar uma forma de criar mais impostos sobre a propriedade e no limite fazer o confisco e expropriação de muitos terrenos privados para alimentar o monstro. Com a desculpa de que estão a legislar sobre a “floresta” o que eles vão fazer é legislar sobre a propriedade privada em benefício do Estado.
Em Monarquia vassalo quem assume erro de Rei afasta-se.
O Rei continuará majestosamente impoluto.
O vassalo que assumiu o erro será, a seu tempo, recompensado. Nas Cortes Reais são essas as regras do jogo.
Nas Cortes Repúblicanas, partidocracias, o espetáculo é outro. Um Poder, parco, débil, sempre sujeito a uma eleição que pode correr mal, tenta esconder as suas mais que evidentes fraquezas. As culpas morrem solteiras.
Centralismos, sejam eles “democráticos” ou não.
E no entanto há familiares de 64 vítimas mortais que continuam a exigir respostas. E a exigir responsabilidades a quem governa. Enquanto o Executivo, fazendo que anda sem andar, vai encomendando relatórios parcelares que se contradizem entre si em ritmo de valsa lenta até a opinião pública ir a banhos, o assunto cair no esquecimento e qualquer traque nas redes sociais passar a preencher as indignaçõezinhas do momento.
“opinião pública ir a banhos, o assunto cair no esquecimento e qualquer traque nas redes sociais passar a preencher as indignaçõezinhas do momento.”
Sem dúvida.
Um país pequeno que dá de masiada importância aos traquezinhos de ninguém.
corrijo:
demasiada
Não deixa de ser notável que numa ocasião destas seja Passos a estar na mira de um batalhão espingardas.
Não pode ser suficiente um alegado deslize deste para esconder Costa na floresta ardida. Mas lá continua bem camuflado com a ajuda de encobridores disfarçados de rebusqueiros.
E continuamos a aparar disto:
“Governo mudou metade do comando da Protecção Civil em Abril”
“Governo organizou focus group para saber impacto dos fogos na sua popularidade”
Primeiro os nossos e a popularidade.
Cuidado que o Salvador do peido vai na frente.
Passos perdeu uma excelente oportunidade para ficar calado. Mas essa é uma questão lateral, por mais lamentável que tenha sido aquela declaração. A questão central é outra, muito diversa. As respostas que urgem terão de ser dadas pelo Governo e pelos organismos que tutela. São respostas inevitáveis e inadiáveis
Os governos de Passos Coelho, assim como todos os anteriores, uns por certo mais que outros, também são responsáveis por aquela tragédia de aconteceu na exacta medida em permitiram que o ordenamento florestal fosse a que estava presente naquele território.
Não querer discutir o ordenamento florestal português e querer esconder a razão maior deste incêndio, e de quase todos aqueles que se verificam em Portugal, que é a presença desregrada do eucalipto (ao qual o governo de Passos Coelho liberalizou o seu plantio) e focar-se só na forma (lamentável é certo) de como foi combatido é, desculpe-me Pedro, querer fazer uma discussão vampiresca.
Para sangue já chega aquele que foi derramado.
P.S.: Porque razão não pede emprestado o relógio, avariado, que estava na sede do CDS a fazer a contagem decrescente para o fim da troika?
Assim já poderia contar o tempo em funções desta ministra após esta tragédia.
Quarenta e sete pessoas morrem em estradas nacionais, geridas e mantidas pelo Estado, durante um incêndio e a culpa é do “ordenamento florestal português”? Olhe que não, olhe que não, António. Garanto-lhe que nenhum familiar dessas vítimas engole essa teoria.
E o que é que o relógio do CDS sobre a tróica tem a ver com a tragédia de Pedrógão? Escapa ao meu entendimento. Não quer falar também na Judite Sousa, no Sebastião Pereira e no Salvador Sobral?
A área de eucaliptal ardida neste incêndio foi de ….
A área de espécies autóctones ardidas neste incêndio foi de …
Sim, «quarenta e sete pessoas morrem em estradas nacionais», geridas e mantidas pelo Estado» e as árvores que a ladeavam, nessa a famigerada «estrada da morte», como é bem visível em qualquer imagem, não eram eucaliptos, eram outras, não sei quais – nativas por certo-, mas não eucaliptos.
Não, caro Pedro, a culpa não foi o ordenamento florestal português, a culpa foi de todo o resto, mas não do eucalipto. Afinal de contas, quando tenho a garganta irritada são os rebuçados de sabor a eucalipto que me alivia.
A culpa só seria do eucalipto se esta palavra já tivesse entrado na lista dos apelidos utilizados por qualquer família portuguesa, mas não, só existem Carvalho, Castanheiro, Oliveira, Pinheiro, etc., etc. Como não há nenhum senhor, ou senhora Eucalipto, é lógico que culpa não pode ser dele/a.
Espécie autóctone? O que é uma espécie autóctone? Não faço ideia. Se puder, esclareça-me.
Quer, caro Pedro, entrar com argumentos de uma não-discussão? rdflo/resource/doc/ICNF_EspeciesIndgenas _Edicao2016-2.pdf
http://www.icnf.pt/portal/florestas/gf/p
Que bom. Gosto sempre de aprender.
Quer, caro Pedro, entrar com argumentos de uma não-discussão? rdflo/resource/doc/ICNF_EspeciesIndgenas _Edicao2016-2.pdf
http://www.icnf.pt/portal/florestas/gf/p
Tentei aprender. Mas no endereço que me indicou surgiu-me um letreiro (em inglês) a dizer que essa página não existe.
Pois caro Pedro, parece que também aqui, que não é de emergência, as comunicações em rede falham:
No documento, que segundo diz, não consegue aceder, na p. 2, quando as comunicações retomarem o funcionamento, pode ler:
«Há contudo que ter em atenção que muitas das árvores com que nos cruzamos podem não ser autóctones do Continente: são os casos das nogueiras, dos plátanos, das tílias, dos eucaliptos, das acácias, das olaias, do cipreste-do-buçaco e de muitas outras, incluindo as espécies características da laurissilva da Madeira e dos Açores (como o vinhático ou o til).»
Pois, caro António, não ignoro isso – a começar nos jacarandás que tanto têm deslumbrado o vereador Sá Fernandes, responsável pelos espaços verdes de Lisboa e grande disseminador da exótica espécie nas ruas da capital.
Só gostava de saber quais são as “autóctones” e por que motivo lhes chamam assim. Ou seja, quantas centenas ou milhares de anos serão necessários para merecerem tal rótulo. Terão de ser contemporâneas do D.Afonso Henriques? Do Viriato? Do primeiro Homo Sapiens que habitou a Península?
Como não são botânico, caro Pedro, sou formado em Letras, presumo que a resposta à sua pergunta seja feita baseada no óbvio, ou seja esse rótulo terá que ser dado a uma espécie adaptada à geografia e ao clima onde está implantada.
Contudo não deixa de ser curioso, que os botânico os eng. silvicultores, pessoas que fazem investigação científica nessa área alertem para o perigo da propagação desta espécie em Portugal, muitas vezes em regime de monocultura. Por alguma razão será?
Deixo-lhe um desafio: num passeio que porventura faça numa qualquer zona de eucaliptal, veja se consegue encontrar algum tipo de vida animal?
É sabido que os coalas, caro António, habitam eucaliptais. E são uma das espécies mais acarinhadas no mundo zoológico.
Quanto aos botânicos, silvicultores e engenheiros ambientais, é natural que lancem alertas. Mas também entre eles as opiniões se dividem: não há monolitismo. E ainda bem.
Pois então, caro Pedro, resta somente dizer, no conforto do meu sofá:
Viva o eucalipto!!!
Qualquer coala concordaria consigo, António.
Ainda hoje a Sra. Ministra informou que as famosas antenas que asseguram as comunicações num caso ( como o de Pedrógão Grande) em que se verifique falha imensa ou inexistência de comunicações tradicionais entre as diversas entidades de proteção e salvamento, foram adquiridas pelo governo anterior, que “se esqueceu” de garantir as sua ligação a um suporte de satélite. Nem ponho em causa que tenha acontecido.
Ora se eu herdasse por exemplo um alarme XPTO contra incêndios para a minha habitação, deixáva-o para um canto à espera houvesse um fogo, para verificar se funcionava bem ?
Como é que ninguém sabia? Nem no dealbar da época dos fogos? Curiosidade? Também não ?
Quantos profissionais nesta área têm formação por ano – que é obrigatória ? Quando é que acabamos com esta mentalidade de sapateiro remendão?
São excelentes perguntas que os portugueses esperam ver respondidas num rigoroso inquérito. Não os inquéritos parcelares que têm vindo a ser anunciados, e que servem apenas para que cada organismo sacuda a água do capote, mas um inquérito profundo, global, sistematizado, isento e rigoroso.
Quanto ao SIRESP, perdoarão mas já se sabia. Alias acho também muito significativo o primeiro sacudir da agua do capote do mesmo para cima da PSP (Caso da infra-extrutura móvel): Foi só o OPC que mais problemas e queixas sobre o mesmo levantou nos últimos 10 anos.
Nada mais transparente. Nada mais obscuro.
E o Ministro da Defesa não se demite depois de terem roubado granadas e outras coisas muito perigosas?
Tanto quanto sei, não morreu ninguém por causa disso. A menos que 64 vidas humanas para si seja algo irrelevante.
“não morreu ninguém por causa disso” Já percebi, estamos à espera que as granadas sejam utilizadas num atentado com mortes para depois pedir a demissão do Ministro.
Eu antecipo-me e peço já, antes que haja mortes.
Confundir deliberadamente vítimas concretas com vítimas imaginárias é um exercício primário de desonestidade intelectual.
Parabéns. A taça é sua.
” vítimas concretas com vítimas imaginárias” Vítimas concretas e imaginárias? Que conceito!! Quer dizer quando há mortos (vítimas concretas) podemos especular e sacar dividendos (pedir demissões, atribuição de culpas antes de se saber as causas). Quando há perigo (isto é, vítimas imaginárias até ver…) não temos de nos preocupar com a prevenção, devemos esperar pelas vítimas concretas.
É uma diferença semelhante à que existe entre aqueles que debatem ideias e exprimem opiniões identificando-se com o seu nome e os que se refugiam cobardemente no anonimato.
E esqueci-me da Ministra do Mar. O número de afogados aproxima-se do número de mortos em Pedrógão e ela não se demite nem niguém reclama a sua demissão?
Demissão, só a do ministro que prometeu dar um par de tabefes nos comentadores. _daniel_oliveira_antes_pelo_contrario/20 16-04-07-Obviamente-demita-se
Aí não faltaram vozes indignadas a reivindicar a guilhotina. Esta, por exemplo:
http://expresso.sapo.pt/blogues/opiniao
Tolice do Daniel.
Era óbvio que J. Soares não tencionava dar tabefe nenhum, estava só no gozo. Talvez exagerasse um bocadinho. Um Ministro praticamente não pode abrir a boca, corre sempre o risco de sair alguma coisa com sentido dúbio e há sempre quem interprete como quer e gosta.
Digamos que foi uma flor de retórica – e nada mais. Mas na altura foi lapidado na praça pública. Por muitos que agora estão recolhidos numa espécie de silêncio monacal.
está visto que ninguém estava em Portugal no fim de tarde daquele dia mais quente do ano…até choveu…
Estava o Presidente da República.
João Soares pertence a uma cultura organizacional do PS que já não existe ou sobrevive apenas num ou dois espécimens que já não contam para nada no partido. A cultura de Costa é a do poder tribal (e coincide com o tipo de poder suburbano que emana do seu clube de futebol), não é a da elite cultural urbana.
João Soares é um estadista comparado com alguns artolas que agora pululam por aí.
Sem dúvida. Se compararmos com os que lá estão agora — parece mesmo.
“Quase duas semanas após a catástrofe de Pedrógão, com o seu macabro cortejo de 64 mortos e 254 feridos, estaremos todos de acordo nisto: é essencial encontrar todas as respostas, sem subterfúgios nem biombos, que permitam explicar como ocorreu esta tragédia.”
Estaremos? Todos? Pelos seus “posts”, sobre “a catástrofe de Pedrógão”, aqui colocados ao longo destas “Quase duas semanas”, diria que V. apenas está à procura de uma única resposta: a que lhe interessa! Apenas um exemplo: se a “resposta” partir do facto de que “a catástrofe” teve início na “trovoada homicida” ou na “árvore assassina” que, só para efeitos bombásticos da sua retórica quase-a-roçar a teoria de conspiração, é apresentada como duas conclusões diferentes, essa “resposta”, como V. próprio confessa, não lhe interessa.
“Por muito respeitável e compreensível que seja a comoção da ministra da Administração Interna, isto não a iliba de responsabilidades efectivas pelas graves falhas operacionais que terão sido cometidas por estruturas sob o seu comando hierárquico.”
Sim, eu sei que a sua “comoção” – deixe-me usar apenas uma pitada da ironia a que recorreu no seu “post”! – é mais verdadeira (legítima!) do que a da ministra da Administração Interna: basta ver o número de vezes que utiliza os números do “macabro cortejo” como argumento para quem o contesta (AAA,BBB) aqui neste fórum (e o etc pode até ser descoberto em outros comentários seus colocados em anteriores “posts” seus) para perceber que assim é… eu diria que “a catástrofe de Pedrógão” fez nascer um novo Pedro Correia (PC), um PC mais “humanista” (2. [Filosofia] Doutrina centrada no homem ou na humanidade. – “humanismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/humanismo [consultado em 29-06-2017]) que nada tem a ver com o PC que nunca, ou milagre dos milagres, timidamente se manifestou contra um governo que matava lentamente as criancinhas, e outras coisas do género que – sim, eu sei! – evidentemente nada tem a ver com o cenário dantesco que tanto calha à sua retórica em que, invariavelmente, acaba na “cabeça” da ministra culpada de toda esta “catástrofe” – calhou-lhe a vez! Sim porque V., concretamente, quer a “cabeça” de todos os ministros deste governo: ficou feliz com a de João Soares (que eu ignoro se alguma vez a pediu…), tentou com a do (surpreendente) “extraordinário” Centeno e agora quer a de Constança Urbano de Sousa – V. arrisca a ficar conhecido como um autêntico Robespierre, com mais cabeça, menos cabeça, pedida na nossa actual praça governamental.
Eu diria, na minha “inocência” de esquerdista convicto que, não só “a comoção da ministra da Administração Interna, (…) não a iliba de responsabilidades efectivas pelas graves falhas operacionais que terão sido cometidas por estruturas sob o seu comando hierárquico”, tal como todos julgamentos precipitados, ie, aqueles que são feitos antes de “encontrar todas as respostas, sem subterfúgios nem biombos, que permitam explicar como ocorreu esta tragédia”, que V. exige com toda a razão mas apenas para idiota ver, apenas concretizam o que de mais baixo há nos que exigem “cabeças a rolarem” mesmo sem terem a coragem de as pedir, honesta, aberta, e concretamente: se António Costa cair quem o poderá substituir? O ET PPC? A “valquíria” do Paulo Portas? Cresça…
António Costa, 7 de Abril de 2016: «Os ministros nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo.» 4-07-Costa-Nem-a-mesa-do-cafe-podem-deix ar-de-se-lembrar-que-sao-membros-do-Gove rno
http://expresso.sapo.pt/politica/2016-0
Com esta frase, o primeiro-ministro apontou a porta de saída ao ministro João Soares. Pecado do titular da pasta da Cultura? No seu Facebook pessoal tinha prometido umas bengaladas a um par de comentadores que o tinham criticado.
Que diferença entre as linhas de exigência traçadas pelo Costa exigente e rigoroso de Abril de 2016 e o Costa condescendente de Junho de 2017…
“Entretanto, sabemos desde já qual é o entendimento para o Executivo da “nova ética da responsabilidade” invocada no discurso da sessão solene do 25 de Abril pelo deputado socialista Alberto Martins: é mais fácil haver uma demissão no Governo quando um ministro promete no Facebook dar um tabefe a um par de comentadores do que alguém abandonar a cadeira do poder perante o mais devastador incêndio da história contemporânea em Portugal.”
Aguardo, ansioso, um “post” seu sobre o seu profundo lógico raciocínio que o leva a relacionar o conteúdo do discurso de Alberto Martins na “sessão solene do 25 de Abril”, mencionado por si como “nova ética da responsabilidade”, à sua conclusão de que “é mais fácil haver uma demissão no Governo quando um ministro promete no Facebook dar um tabefe a um par de comentadores do que alguém abandonar a cadeira do poder perante o mais devastador incêndio da história contemporânea em Portugal.” – tentativas surrealistas não deixarão de ser conotadas como radicalismos; tentativas mais sinceras não poderão deixar de ser conotadas como simples idiotices: basta ler o artigo que adianta como fonte para perceber que o discurso de Alberto Martins nada tem a ver com o que tenta atribuir nele: é precisamente o seu oposto!
Já percebi que tem dificuldade em interpretar textos. Não lhe ensinaram isso nas Novas Oportunidades?
“Que diferença entre as linhas de exigência traçadas pelo Costa exigente e rigoroso de Abril de 2016 e o Costa condescendente de Junho de 2017…”
Obrigado por confirmar o que inicialmente lhe apontei: V. apenas está à procura de uma única resposta: a que lhe interessa!
Quanto ao resto (“Não lhe ensinaram isso nas Novas Oportunidades?”), acho que nem preciso de dizer muito pois V. fez-me o favor de, uma vez mais, ser sincero mesmo que não deixe de ser abjecta essa sua atitude para com os seus compatriotas que usufruiram dessa única oportunidade – fica comfirmada a sua certeza de que se acha superior a eles!
“Comfirmado”: você, Vaz, está longe de ser Camões.