Se bem entendi para o governo e seguidores dizer que “a dívida é impagável” é uma irresponsabilidade. Pode até ser verdade, mas não se fala nisso, porque é tabu. Em contrapartida, sujeitar o país a abusos continuados para pagar uma dívida impagável faz todo o sentido. Governo e apoiantes argumentam que os devedores têm de sujeitar-se aos credores, caso contrário as consequências serão terríveis. Será a bancarrota, a hecatombe económica e social. Entre a morte lenta e a sumária concluem que é mais sensato escolher a primeira.
Em contrapartida, defender terceiras vias é demagogia pura, acrescentam. Essas terceiras vias passam todas por uma concertação europeia. A constituição de um grupo de pressão sulista é uma das ideias recorrentes, mas tal exigiria estadistas e estadistas não temos.
Por cá, nem para reformar o Estado se arranja testosterona. José Gomes Ferreira, no seu manifesto anti-manifesto fala nisso, embora com o objectivo de encostar os subscritores do documento à parede e não criticar o executivo: “Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?”
“Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?” – insiste ele, num acesso de demagogia de que não o julgava capaz. Estava-se mesmo a ver que era com a ajuda dos signatários do manifesto que o Governo se aplicaria finalmente na dura tarefa de resolver os assuntos difíceis.
Em suma, saídas só se for daqui para o estrangeiro e quanto mais longe, melhor.


« Há certamente uma coisa que o manifesto ignora: as contrapartidas de um perdão de dívida. Digamos que há dois tipos de contrapartidas, as exigidas pelos mercados e as exigidas pela troika.
Dificilmente os mercados deixariam passar este perdão de dívida sem uma forte penalização, agravando o custo do financiamento aos bancos, às empresas e às famílias portuguesas, dificultando as condições de recuperação económica.
Já a troika deveria impor condições muitíssimo mais duras num segundo resgate, que seria obrigatório. »
Pedro Braz Teixeira ar-divida/pag/2
http://www.ionline.pt/iopiniao/restrutur
Tretas & Balelas, S.A.
O “financiamento aos bancos, às empresas e às famílias portuguesas” é que causou o problema actual e que dificultou “as condições de recuperação económica.”
Quando aprendermos a viver com o que temos e o produzimos, em vez de passar a vida a vivermos, produzirmos e vendermos com o dinheiro de terceiros, talvez este problema se resolva!
Dizer que temos de manter o programa actual porque temos de regressar aos mercados é como um alcóolico com um transplante de fígado dizer que tem de não beber para o transplante se aguentar para depois se entregar aos copos…
Era importante, essencial até, que o Governo dissesse que a política de austeridade tem por fim não o “voltar aos mercados” mas antes “NÃO voltar aos mercados” (atenção às aspas…).
A iliteracia nestas matérias é lamentável. Ignorar que Portugal tem défice e dívida que se vai vencendo e se tem de financiar é inadmissível ao fim deste tempo todo.
Caro Épá!,
Isso é assumir que a meta definida pelo Governo é a redução da dívida pública. Ora não é isso que eu tenho ouvido, tenho ouvido sim a ladaínho de “regresso aos mercados”… Eu, como contribuinte, estou pouco me marimbando para “os mercados” e não me importava nada de estar sob programas especiais de ajuda até 2050 se fosse preciso, desde que os juros pagos por essa ajuda sejam inferiores aos praticados “no mercado”. O que me importa, na realidade, são duas coisas: orçamentos com superavit estrutural e redução do tecto da dívida (e relembro que assinamos um papelete onde nos comprometiamos a 60%… estamos em 140%). O resto, como disse, são tretas e balelas.
O hábito que por aí vai de, volta e meia, acusar JGF de não criticar o executivo é manifestamente de quem não segue o que ele vem dizendo.
Muito bem; alias se há critica que se pode fazer justa é que passa muito para alem do jornalista e acusa, intervem e opina -felizmente para mim que aprendo muito com o que lel diz,mas calculo que irrite muita gente quando lhes toca nos “podres” como fez ao homem da CIP e ao ex-sindicalista dos fretes na UGT,ontem.
E não ler com atenção que o juro da divida já está abaixo do que estava antes da troika é como se nota branquear o que nos levou a mais um resgate e tentar varrer a reestruturação da governação e empresas/entidades/fundaçoes/parlamento para debaixo do tapete. Que com os eleitores tão distraidos que temos meparece tarefa bem facil.
não seja mais derrotista que o necessario. Eu tenho uns conhecidos que depois da ardua tarefa de ajudarem a colar uns cartazes e montar uns palanques têm um nivel de vida muito razoaveil. E se a abstenção se confirmar como a tendencia vai, ainda a vão ter até acabarem de pagar o carro e as aparelhagens topo de gama que compraram. Haja fé