Andei dias a ponderar o final do pequeno conto que aqui coloquei de manhã (se não o leram, façam-no antes de continuarem ou ele perderá qualquer encanto que eventualmente tenha). Estive quase a publicá-lo com a seguinte forma: Por um lado, mostravam como era incompetente. Por outro, não há pior sensação para um fantasma do que perceber-se um cliché. Achava importante realçar a parte da incompetência. Depois percebi que a incompetência está subjacente ao conceito de cliché. Uma definição possível de incompetência é ficar por culpa própria aquém de um objectivo que devia ter sido atingido. Mas o objectivo não pode ser aquilo que é óbvio. Seria apontar demasiado baixo, quase batota. E, assim, incompetência é também ser incapaz de ir além do óbvio. Ficar pelo cliché. Até ver. Porque há um problema: o número de clichés aumenta constantemente. Um dia, tudo o será. Ou, pelo menos, não existirá competência suficiente para ir além deles.
Do lugar-comum como sinal de incompetência
escafandro,

jaa, arrasaste o mainstream. Deste-te conta, claro… (?).
Laura, acho que o mainstream tende para o cliché, como tudo o que se vai tornando demasiado óbvio. Mas não tenho competência para o arrasar. Nem, sinceramente, para lhe escapar.
P.S.: O que vale é que, a cada vinte ou trinta anos, reciclamos e apresentamos como novas coisas que já o foram imensas vezes. Isso permite-nos manter a ilusão.