Do aproveitamento político


Pedro Correia,

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 Imagem da manifestação de ontem em Ourense: fogos mataram quatro pessoas na Galiza

 

Milhares de pessoas manifestaram-se ontem em várias cidades da Galiza reclamando a demissão da junta governativa na sequência dos dramáticos incêndios que provocaram a morte de quatro pessoas naquela região autónoma de Espanha. Na maior manifestação, em Santiago de Compostela, participaram representantes de todos os partidos políticos da oposição. Entre as palavras de ordem, gritou-se: “Um governo que improvisa é um terrorista.”

18 comentários em “Do aproveitamento político”

  1. antónio das mortes deve criar:
    uma morgue
    e um serviço de cangalheiro
    privativos

    gato-pingado há um com larga experiência

    ‘a morte continua,
    interior para o olho da rua!’

  2. Ainda hoje falei disso pelas minhas bandas…
    Exigir um país melhor agora não é cidadania, é aproveitamento político 🙂

  3. Já aqui o disse, desde Pedrógão
    Um governo que não é capaz de assegurar a protecção das populações deveria ser demitido (moção de censura?)quando estivesse provada incompetência na gestão de meios e da estratégia adoptada

    Aliás o Relatório de Pedrógão crítica a reforma florestal realizada no governo do PS ( a tal reforma só comparável à do Trovador ). Além do mais as chefias da Proteção Civil foram substituídas no início do mandato deste governo exclusivamente por razões da tachos e panelas, que é para isso que este organismo estatal serve (para empregar filhos de comandantes de bombeiros e filhos de funcionários autárquicos )

    Governar um país vai muito além dos déficits, saldos primários, etc…..

    Seria estratégico o PCP sair desta coligação e forçarem-se eleições antecipadas. O PS seria fortemente castigado pelos portugueses ( aliás por muito menos os partidos de esquerda criticaram fortemente Passos pela não demissão de Relvas aquando da licenciatura e de uns telefonemas a jornalistas)

    É ensurdecedor o silêncio do BE e PCP . Vamos ver o que irá dizer o PR. Talvez o Estado de Graça se aproxime de um de Desgraça. Oxalá assim seja. A bem da seriedade e dos Homens de Bem e de todas as vítimas.

  4. Se o Passos ainda fosse PM, já uns investigadores de Coimbra teriam apresentado queixa contra ele por homicídio, já haveria manifs por todo o lado a exigir a “demissão” e as tv regurgitariam de comentadores isentos indignados com a “austeridade assassina”. E eu não estou a dizer (porque não percebo do assunto) que se devia fazer isso relativamente à presente circunstância (dadas a condições climatéricas extremas, admito que a mesma podia ter acontecido com qualquer governo, ainda que este tenha tomado decisões muitíssimo discutíveis nesta matéria). O que estou a dizer que o facto das ruas e dos media terem “donos” e regras do jogo que variam consoante os jogadores (isso, e uma total e despudorada amoralidade) é um condicionamento objectivo da democracia

    1. Que as ruas têm “dono”, estamos fartos de saber. Qualquer ameaça à progressão automática das carreiras dos funcionários públicos leva milhares de pessoas a descer às ruas em Lisboa.
      Os quatro mortos na Galiza causam ondas de indignação contra o Governo autonómico. Enquanto, por cá, os 102 mortos já confirmados como vítimas dos incêndios florestais de 2017 mal suscitam críticas aos utentes do poder – aliás logo silenciadas pelo clube de fãs da geringonça, em urros contra o “aproveitamento político da tragédia”.

  5. Perante a imagem, percebo um pouco o desaparecimento dos “esganiçados” do Bloco. Estavam quase todos mobilizados nas manifs galegas, se calhar uns poucos restantes destacados para a Catalunha para as trincheiras da Colau e dos CUPs.

      1. Sendo filiado no BE, condeno a sua atitude. Na volta não lhes pago as quotas. Compro um antes um Moscatel

  6. `´É ensurdecedor o silêncio do BE e o do PCP” …

    Eles venderam a alma …

    Bater no Siresp e nos kamovs é bater no “dono”…por isso, açaime!

  7. Isto tudo tornou-se um enorme circo em declínio. Mestres sem cerimónias a apregoar maravilhas alto e bom som, cavalgaduras, truques de tromp l’oeil , palhços por todo o lado e pipocas a saber a esturro.
    Que pena que ninguém consiga ver alguma graça nesta miséria.
    Eu estive presente na “Grande Manifestação Contra a Austeridade”. Teve o impacto a que se propôs. Também não adiantou grande coisa, mas foi melhor do que estar deitada no sofá da sala a gritar impropérios contra o técnico de Excel .
    Não foi assim há tanto tempo. Será que temos os neurónios queimados também?
    Quantas pessoas mais terão que morrer queimadas para que se tomem medidas a sério ? Não será porventura possível implementar em meses o que nunca se fez, mas é preciso começar e não se vê qualquer tipo de acção.
    Se é preciso ouvirem da nossa boca que basta, gritemos que basta. Toca lá a ofuscá-los com a barulho das luzes da sua ribalta privativa.

    Taxar o sal, é ruminar palha insossa
    Toca a bulir, mexe a p*ida Gerinconça

  8. A fotografia que acompanha o seu post é uma das muitas que ontem houve na Galiza. Porém, a cidade não é Santiago de Compostela: a fotografia foi tirada em Ourense. É fácil descobrir: o prédio no meio da praça é uma delegação da “Xunta de Galicia”, não a sede central (sediada em Compostela). Basta procurar no Google Imagens sede+xunta+ourense.

    Doutra parte, qual é o aproveitamento político dos protestos? Só duas semanas antes destes desastre, a Xunta finalizou os contratos de 436 brigadistas contra-incêndios, apesar de que a campanha de alto risco de incêndios rematava em meados deste mês e de que as previsões meteorológicas falavam de um alargamento da seca. Não cabe denunciar isto?

    1. Aproveitamento político é exigir a demissão da Xunta por terem morrido quatro pessoas nos incêndios.
      Em Portugal já morreram 102 pessoas devido aos fogos florestais, oficialmente contabilizadas, e ninguém exige a queda do Governo.
      Mais: quando alguém critica o Governo logo aparece a brigada da propaganda a denunciar o “aproveitamento político” da tragédia.

      1. Já agora, acrescento: nada tenho, como é óbvio, contra críticas ao Governo ou manifestações contra o Governo.
        Acho estranho é ver que aqueles que em Lisboa se indignam contra as críticas ao Governo (chamando-lhes “aproveitamento político”) estão em sintonia política com os manifestantes na Galiza.

        P. S. – Obrigado pelo seu reparo. Já corrigi.

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