Diz-me com quem andas, António


Pedro Correia,

Stalinism-2«A grande revolução socialista de Outubro de 1917, na Rússia, foi um dos mais marcantes acontecimentos do século XX e de toda a história da Humanidade: pela primeira vez, uma revolução não se propôs substituir uma forma de exploração por outra, mais avançada, mas sim abolir toda a exploração e opressão e a construir uma sociedade sem classes – a «Terra sem Amos» de que fala A Internacional. Cercado e atacado desde o primeiro dia, confrontando-se com tarefas inéditas e gigantescas, o primeiro Estado socialista concretizou feitos notáveis e impulsionou a luta dos trabalhadores e dos povos, mudando por completo a face do planeta. A Revolução de Outubro permanece nos nossos dias como a principal referência para quem luta pela soberania, a democracia e o socialismo.»

Destaque da edição de hoje do Avante!

0 comentários em “Diz-me com quem andas, António”

  1. Não é apenas o editorial do Avante que glorifica a revolução socialista de Outubro. Também eu a considero um dos acontecimentos mais marcantes da história contemporânea, atendendo ao ideal por ela prosseguido, contribuindo de forma insofismável para uma nova era e visão do Mundo. Não foi por acaso que as forças mais conservadoras, defensoras do capitalismo mais feroz, tudo fizeram parar a sufocar e destruir, inclusivê a própria igreja. Basta recordarmos o aproveitamento manhoso que a hierarquia da igreja, precisamente em 1917 ( que coincidência!), fez das hipotéticas aparições da Senhora de Fátima, que serviram às mil maravilhas como manobra de diversão em relação ao que se passava na Russia. Era necessário afastar a todo o transe a atenção dos explorados deste mundo do verdadeiro significado da revolução russa. Infelizmente, devido ao facto de ainda não estarem criadas necessárias condições objetivas e subjetivas para que a revolução russa se expandisse de forma global, a sociedade russa e posteriormente outras sociedades socialistas que surgiram no pós guerra, degeneraram em verdadeiros capitalismos de estado, desviando-se no essencial dos principios essenciais e fundamentais do marxismo e do materialismo dialético e histórico. Como marxista, tenho que admitir que existiu muito voluntarismo, e excesso de idealismo e alguma ingenuidade dos marxistas da primeira metade do seculo XX, que não se aperceberam da enorme dificuldade que resultava do facto de um bloco de países socialistas ter de coexistir com um sistema capitalista, extremamente agressivo e ainda com uma imensa capacidade de renovação e sedução. Não esquecer que o capitalismo é responsável pela existência de uma sociedade que é uma verdadeira selva do asfalto, explorando e aproveitando de forma infame, tudo aquilo que o ser humano tem de pior na sua natureza, e que muitas vezes hipócritamente vem reprimir à posteriori. O luxo, a ostentação, a inveja, a criação de necessidades artificiais que não são necessárias para que as pessoas sejam felizes, e que pelo contrário, devido às sociedades ferozmente desiguais em que vivemos, criam articialmente frustrações que não existiriam numa sociedade nova, com um homem novo, e uma nova forma de estar e encarar o mundo e a vida. A construção destas novas sociedades que faziam parte do ideal da revolução de Outubro, infelizmente pelas razões que referi supra e por outros fatores, ficaram adiadas , mas continuam bem vivas na mente e na convicção de todos aqueles que continuam a acreditar no socialismo como alternativa inevitável ao sistema capitalista, que dá mostras cada vez mais da sua decadência. Como afirmou Engels ” a humanidade ou caminha para o socialismo, ou para a barbárie”. Palavras sábias deste ilustre filósofo alemão do século XIX, mas que pela sua perenidade se adaptam perfeitamente ao nosso tempo. O capitalismo é de facto um sistema caótico, no qual tudo se faz visando o lucro e não o servir as pessoas. É um sistema sem planificação, onde as pessoas vivem alienadas por uma gama vastíssima de superficialidades que pouco têm a ver muitas delas com a alma e a verdadeira essência humana. Se por mera hipótese académica o capitalismo fosse a ultima bolacha do pacote no que diz respeito à civilização humana, esta estaria a caminhar a passos largos para a sua auto destruição. Mas tenho plena convicção que tal não irá acontecer, porque a roda da história não pára, e no momento certo, o capitalismo será substituido por uma sociedade nova de certeza mais evoluida e gratificante para a espécie humana, tal qual o capitalismo também substituiu sistemas anteriores. Mais do que a criação de uma sociedade sem classes, sem exploração do homem pelo homem, facto que a acontecer, será algo de inovador em comparação com todos os sistemas anteriores, se excetuarmos as sociedades comunistas primitivas, é a própria sobrevivência da espécie humana e do nosso planeta que está em causa, ao constatarmos que o sistema capitalista pela sua natureza intrínseca, virado essencialmente para a ganãncia do lucro e da exploração, não olha a meios para delapidar tudo o que de melhor tem o nosso querido planeta. Por tudo isto, considero que António Costa, aproximando-se de uma força que defende o ideal de uma nova sociedade, está bem acompanhado!

    1. Eis uma pequena amostra do maravilhoso legado da “revolução” soviética:

      – Terror Vermelho (1918-1922), promovido pela Tcheca, a brutal polícia política criada pela “ditadura do proletariado” leninista. Entre 50 mil e 140 mil vítimas mortais comprovadas (havendo historiadores que admitem a existência de meio milhão de mortos) neste período.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Red_Terror

      – Colectivização forçada de propriedades (1928-1940), que incluiu deportações gigantescas de populações rurais e fez recuar a produção agrícola e pecuária regredir três décadas. Cerca de 25 milhões de pessoas foram desalojadas, metade das quais morreram.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Collectivization_in_the_Soviet_Union

      – Genocídio ucraniano (1932-1933). Campanha desencadeada por Estaline para esmagar a resistência nacionalista na Ucrânia. Mais de cinco mil intelectuais foram assassinados ou deportados para a Sibéria. A esmagadora maioria da população rural, que viu terrenos e animais confiscados, foi condenada à fome. Objectivo: “eliminar inimigos de classe” através da colectivização forçada. Estimativa do número de mortos: 14 milhões.
      http://www.faminegenocide.com/resources/ukraine_famine.html

      – A Grande Purga (1936-38). Durante este período, a polícia política deteve 1,548.366 pessoas – das quais 681.692 foram executadas. Média de mil execuções por dia (dados oficiais soviéticos), a partir de confissões forçadas obtidas através de tortura. Grande parte da elite dirigente, tanto ao nível do partido único como das forças armadas, foi dizimada neste período, ao abrigo do artigo 58º do Código Penal soviético, sobre “crimes contra-revolucionários”.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Purge

      – Gulag, os campos de concentração criados pelo estalinismo (1928-1953). Pelo menos 14 milhões de pessoas estiveram internadas neste vasto arquipélago prisional durante este quarto de século. Pelo menos 1,6 milhões – vítimas de fome, doença e tortura – morreram nestes campos.
      https://en.wikipedia.org/wiki/Gulag#History_of_Gulag_population_estimates

      – Massacre de Katyn (Maio de 1940). Quase cinco mil oficiais polacos foram assassinados pelos soviéticos no período em que Moscovo se aliara à Alemanha de Hitler para a partilha da Polónia. Os oficiais, que eram prisioneiros de guerra, foram assassinados com tiros na nuca e enterrados na floresta de Katyn. Só após a queda do comunismo Moscovo admitiu a existência deste massacre.
      http://www.britannica.com/event/Katyn-Massacre

      1. Pedro, só um pequeno detalhe: a imagem colada ao post, deveria retratar Lenine e não Stalin, porque aquele é que foi realmente o dirigente da revolução russa. Já Stalin, em relação ao qual o próprio Lenine demonstrou em diversos momentos as maiores reservas, que foram comprovadas pela história, não se pode considerar um verdadeiro líder comunista, porque apesar de algumas coisas positivas que conseguiu alcançar, nomeadamente o enorme esforço de recuperação da URSS no pós guerra quase destruída pela barbárie nazi, foi ele o principal causador da degenerescência do sistema soviético para um capitalismo de Estado, com todos os contornos negativos que isso trouxe, constituindo um verdadeiro desvio aos principios marxistas leninistas, nomeadamente através de um doentio culto da personalidade, em tudo contrário à filosofia e ideologia marxistas.

        1. Tenha paciência, Orlando. O dirigente mais emblemático da União Soviética foi Estaline, que exerceu o poder absoluto durante 25 anos. Lenine só governou seis anos – e nos últimos dois estava seriamente diminuído. O estalinismo não foi uma “perversão” do marxismo-leninismo: foi consequência desta ideologia. E é inseparável do chamado “socialismo real”, em contraposição ao socialismo utópico.
          Não se pode falar na chamada “revolução soviética” apagando Estaline da fotografia. Isso foi o que ele fez, em relação a Trotsky e a muitos outros (incluindo à viúva de Lenine).

    2. Tem toda a razão quanto à importância para o mundo que teve a chamada revolução de Outubro. Escusava era de trazer à colação Fátima, que é, para ateus e comunistas, como a Dª Constança: não há festa nem festança… Acontece que a última aparição de Fátima (13 de outubro) foi anterior à revolução de Outubro que no nosso calendário gregoriano só se deu a 7 de novembro. Fabricar a Igreja uma aparição antes da revolução que supostamente queria combater, convenhamos que é exagero. É que a Igreja não é assim tão profética. Quanto à Igreja esteve desde a primeira hora, e como resposta ao marxismo, contra o capitalismo quando enunciou as bases da doutrina social da Igreja. E se você mesmo reconhece os erros em consequência dessa revolução porque raio se insurge quando a Igreja, sempre previdente, avisou contra os erros da URSS?!
      Mas não é isso que está em causa. O que está em causa são as loas que o PCP faz a uma revolução que deu cabo de um sistema parlamentar à semelhança do que hoje se entende por democracia, destruiu os irmãos socialistas, deu início a uma guerra civil e instaurou uma ditadura feroz, malévola e sanguinária. E sem coragem para reconhecer que a URSS errou e que o seu apoio àquela, foi um erro. O PCP não só errou por omissão como expulsou e fez a vida negra aos camaradas que denunciaram (tal como a igreja) os erros da URSS. Enquanto o PCP não reconhecer esses erros e não deixar de elogiar esses mesmos erros não devia sentar-se à mesa da democracia.

      1. A suposta primeira aparição da Senhora de Fátima aconteceu de facto uns meses antes da revolução de Outubro. Contudo, de imediato a hierarquia da igreja nem lhe deu relevância nenhuma, acusando inclusivamente de impostores os ditos pastorinhos. Mas depois da revolução russa, a Igreja deve ter achado que as supostas aparições poderiam constituir um verdadeiro achado para se constituirem numa manobra de diversão relativamente à revolução russa. Não foi por acaso que só depois desta acontecer, a igreja veio dar credibilidade às referidas aparições, e aproveitá-las de forma exponencial, para servir desígnios que muito pouco tinham a ver com a fé, mas sim com aspetos bem mais temporais.

        1. Convenhamos então que tecer loas à revolução de outubro não passa de uma manobra de diversão do Avante para nos esquecermos das atrocidades que os regimes comunistas semearam pelo mundo, e que nada tiveram a ver com os verdadeiros objectivos marxistas.
          Convenhamos então que a Igreja não exagerava sobre os perigos daquele terror!
          (a propósito, a aparição foi a última e não a primeira)

    3. Nem sem por onde começar tal o chorilho de disparates que escreveu…
      Mas quem é você para decidir que necessidades eu tenho para ser feliz??
      No capitalismo o lucro é consequência de, livremente e por opção, servir bem clientes, ou seja pessoas, e não um objectivo. Pergunto: quem é você para decidir sobre as escolhas dos outros?!
      Como é possível em pleno século XXI alguém ainda se assumir como marxista…

  2. Entendo perfeitamente que o Avante escreva isto, o que não entendo é as pessoas de esquerda portuguesas acreditarem nestas mentiras.

    1. Quer explicar-me quais são as partes que são “mentira” daquilo que está escrito nos parágrafos citados?

      Eu dou uma ajuda:
      Fala-se dos Objectivos da Revolução, da reacção que suscitou, do impacto que teve no mundo e de como ainda é hoje uma referência para “quem luta pela soberania, a democracia e o socialismo.”

      Os objectivos, são os objectivos. Se não foi você que os traçou…

      É indesmentível que foi em grande parte a existência da URSS que deu poder e uma referência concreta quer aos trabalhadores quer aos capitalistas do mundo. Quanto mais não fosse pelo medo de seguirem o mesmo caminho, durante décadas foi conseguido um muito melhor equilíbrio entre capital e trabalho no mundo ocidental, o principal beneficiário da revolução de Outubro.

      E a não ser que se reconheça como um dos que lutam pela soberania, democracia e socialismo, não lhe cabe dizer o que é para eles uma referência (ou o que é para eles soberania, democracia e socialismo).

      1. Eis uma pequena amostra do maravilhoso legado da “revolução” soviética:

        – Terror Vermelho (1918-1922), promovido pela Tcheca, a brutal polícia política criada pela “ditadura do proletariado” leninista. Entre 50 mil e 140 mil vítimas mortais comprovadas (havendo historiadores que admitem a existência de meio milhão de mortos) neste período.
        https://en.wikipedia.org/wiki/Red_Terror

        – Colectivização forçada de propriedades (1928-1940), que incluiu deportações gigantescas de populações rurais e fez recuar a produção agrícola e pecuária regredir três décadas. Cerca de 25 milhões de pessoas foram desalojadas, metade das quais morreram.
        https://en.wikipedia.org/wiki/Collectivization_in_the_Soviet_Union

        – Genocídio ucraniano (1932-1933). Campanha desencadeada por Estaline para esmagar a resistência nacionalista na Ucrânia. Mais de cinco mil intelectuais foram assassinados ou deportados para a Sibéria. A esmagadora maioria da população rural, que viu terrenos e animais confiscados, foi condenada à fome. Objectivo: “eliminar inimigos de classe” através da colectivização forçada. Estimativa do número de mortos: 14 milhões.
        http://www.faminegenocide.com/resources/ukraine_famine.html

        – A Grande Purga (1936-38). Durante este período, a polícia política deteve 1,548.366 pessoas – das quais 681.692 foram executadas. Média de mil execuções por dia (dados oficiais soviéticos), a partir de confissões forçadas obtidas através de tortura. Grande parte da elite dirigente, tanto ao nível do partido único como das forças armadas, foi dizimada neste período, ao abrigo do artigo 58º do Código Penal soviético, sobre “crimes contra-revolucionários”.
        https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Purge

        – Gulag, os campos de concentração criados pelo estalinismo (1928-1953). Pelo menos 14 milhões de pessoas estiveram internadas neste vasto arquipélago prisional durante este quarto de século. Pelo menos 1,6 milhões – vítimas de fome, doença e tortura – morreram nestes campos.
        https://en.wikipedia.org/wiki/Gulag#History_of_Gulag_population_estimates

        – Massacre de Katyn (Maio de 1940). Quase cinco mil oficiais polacos foram assassinados pelos soviéticos no período em que Moscovo se aliara à Alemanha de Hitler para a partilha da Polónia. Os oficiais, que eram prisioneiros de guerra, foram assassinados com tiros na nuca e enterrados na floresta de Katyn. Só após a queda do comunismo Moscovo admitiu a existência deste massacre.
        http://www.britannica.com/event/Katyn-Massacre

        1. Pois, eu sei disso tudo, mas não era disso que o texto falava. Falava vagamente de umas conquistas e algumas terá havido. Nomeadamente a passagem de uma sociedade agrária para outra industrializada.

          Contudo falava sobretudo de uma ideia romântica, por certo tragicamente desfigurada mas o texto era sobre a ideia.
          Chamar mentira a uma intenção, por muito mal que tenha corrido a sua execução, só faz sentido se se duvidar das intenções. Percebe a diferença?

          E se há comunistas que ainda hoje se inspiram na revelação de outubro, por muito errados que estejam, dificilmente se pode apelidar de mentira.

          1. «Francis Bacon, o filósofo inglês do início do século XVII – que tinha, de resto, um génio extraordinário para a invenção vocabular -, chamava às palavras que tendem a perturbar o uso correcto do nosso entendimento “ídolos da praça pública”: usamos correntemente nomes para designar coisas que não existem e nomes confusos para designar coisas efectivamente existentes. Em ambos os casos, os nomes adquirem um poder mágico sobre o nosso entendimento e afastam-nos do contacto com a realidade, mergulhando-nos num mundo que só aparentemente faz sentido. As palavras cercam e violentam o entendimento.»

            Vem muito a propósito. Se quiser, pode ler o resto aqui:
            http://observador.pt/opiniao/um-frankenstein-do-nosso-tempo/

      2. Concordo na generalidade com o seu comentário. Independentemente dos desvios ao marxismo que os regimes socialistas cometeram, a verdade é que foi devido à existência do chamado ” bloco soviético”, que o bloco capitalista ocidental foi obrigado a ” reformar-se”, criando o estado providência ou estado social, de molde a evitar as ” tentações comunistas” do movimento operário nos países ocidentais. Também o movimento de libertação e emancipação dos povos sujeitos aos impérios coloniais, beneficiaram com a existência do bloco soviético, atendendo à correlação de forças existente na época. Pelo menos esse legado positivo as revoluções socialistas deixaram ao Mundo. Todos os erros e desvios cometidos, foram devidos ao facto de serem experiências pioneiras da humanidade. Mas com os erros também se aprende, e os marxistas da atualidade aprenderam e muito com eles, e por isso quando estiverem criadas as condições objetivas e subjetivas necessárias para se superar o capitalismo e criar um sistema alternativo, tal criação será feita com outra experiência e aprendizagem adaptadas à nossa era contemporânea. Os ideólogos do capitalismo como é natural, usam de todos os meios e artimanhas para conservar o atual sistema. É perfeitamente natural que assim aconteça. Em todas as épocas históricas, quando surgiram ventos de mudança, surgiram sempre forças de bloqueio na tentativa desesperada de conservar o status quo. Quem conhece a história sabe perfeitamente que sempre existiu essa luta entre as forças do progresso e as forças conservadoras, faz parte da dialética das sociedades humanas. Só que a roda da história não pára, que não se iludam os arautos do capitalismo.

  3. O Golpe Comunista na Rússia, a Traição. Começou uma era de matança e opressão na humanidade marcados por intolerância.

    Até um penteado burguês era suficiente para colocar alguém frente ao pelotão de fuzilamento. Toda a mais pequena diferença poderia ser usada como pretexto para atacar alguém devido ao ideal da “sociedade sem classes” .

    É bom referimos que quem sofreu mais com Comunismo não foram os Europeus que o criaram, não foi o branco da cidade europeia, foi o preto , o amarelo das cidades e campos de África e da Ásia.
    Foi só a mais mortífera exportação da cultura Europeia para todo o mundo.

    A validade de ideal mede-se pela validade da sua linguagem.
    Ora o Comunismo é relevado precisamente pela falsidade da sua linguagem como demonstrou melhor que ninguém George Orwell.

    Mede-se também como trata os seus membros.
    A falsidade da linguagem do Comunismo tem como resultado a arbitrariedade que é demonstrada ao assassinar milhões dos seus membros.
    Quanto membros do PCP não teriam já ido para à cadeia ou fuzilados e mesmo enforcados se o PCP tivesse tomado o poder em 1975?

    1. A Rússia tem a dupla vantagem de ter experimentado todo o explendor do socialismo real e do capitalismo absoluto na era Yeltsin.

      O capitalismo resultou tão bem que voltaram rapidamente ao autoritarismo que sempre foi afinal a sua matriz de governação, independentemente dos ismos.

      1. O Ieltsine foi mau. Bom foi o terror leninista. Excelente foi o totalitarismo estalinista.
        Será certamente por isso que Lenine e Estaline não vos mereçam o menor reparo. Refiro-me a si e ao ‘Avante!’.

        1. “O esplendor do socialismo real” era irónico. Calma.

          Conhece aquela coisa que se dizia na Rússia?
          “Tudo o que Marx nos disse sobre o comunismo era falso, mas tudo o que nos disse sobre o capitalismo era verdade.”

          1. É uma boa frase. Mas ilude a realidade. Porque os crimes do comunismo, em todas as suas facetas, não podem ser equiparados aos do capitalismo.
            De resto, os próprios comunistas foram os primeiros a experimentar as delícias do “socialismo real” – começando por Trotsky, herói da revolução de 1917, assassinado em Agosto de 1940 por um agente estalinista no México.
            Dos 1966 delegados ao Congresso do PCUS de 1934, 1108 foram presos e em larga parte executados nos Processos de Moscovo (1936/38). O mesmo sucedeu a 98 dos 139 membros do Comité Central.
            Estaline mandou executar, nesses anos negros, 5 mil oficiais com patente acima de major, 13 dos 15 generais de cinco estrelas e três dos cinco marechais do Exército Vermelho.
            No total, cerca de dois terços dos quadros do PCUS foram liquidados pelo terror estalinista. Incluindo algumas das maiores figuras de referência do regime comunista.
            Menciono apenas algumas:
            – Lev Kamenev. Figura cimeira da revolução de 1917, presidente do Comité de Moscovo e vice-presidente soviético (segunda figura do regime, após Lenine). Executado em Agosto de 1936.
            – Grígori Zinoviev. Um dos sete membros originais da Comissão Política do PCUS em 1917. Responsável pela defesa de Petrogrado na guerra civil, presidente da Internacional Comunista (1919-1926). Executado em Agosto de 1936.
            – Nikolai Muralov. Um dos mais destacados combatentes da revolução, herói da guerra civil, comandante militar de Moscovo, inspector-geral do Exército Vermelho. Executado em 1937.
            – Nikolai Bukarine. Jornalista, um dos colaboradores mais próximos de Lenine, organizador do levantamento bolchevista em Moscovo, criador da Nova Política Económica leninista, redactor-chefe do ‘Pravda’. Executado em Março de 1938.
            – Alexei Rikov. Ministro do Interior após a revolução. Na sequência da morte de Lenine ascendeu a presidente do Conselho de Comissários do Povo (equivalente a PM). Executado em Março de 1938.
            – Vladimir Antonov-Ovsinko. Jornalista e militar, liderou o assalto ao Palácio de Inverno – um dos marcos da revolução. Chefe do Departamento Político do Conselho Militar Revolucionário. Cônsul-geral soviético em Barcelona durante a guerra civil de Espanha. Executado em Fevereiro de 1939.
            – Cristian Rakovski. Presidente do Soviete da Ucrânia e Presidente desta república soviética (1918-1923). Embaixador soviético em Londres e Paris. Executado em Setembro de 1941.
            – Olga Kameneva. Irmã de Trotsky e mulher de Kamenev. Foi uma das mulheres que mais se distinguiram na revolução. Responsável pela nacionalização do teatro soviético, que ficou sob a tutela ideológica do partido. Executada em Setembro de 1941.

      2. Capitalismo de Yeltsin?!
        O capitalismo não constrói com umas privatizações para inglês ver tal como a Democracia não se constrói fazendo uma eleição.

        Talvez nos possa explicar como estava por exemplo a protecção à propriedade privada e segurança de um investimento na era Yeltsin.

  4. Caro Pedro Correia,

    Algum brincalhão trocou os calendários na redacção do “Avante” e pôs lá um de 1947.

  5. Não perfilhando ambos infelizmente tenho que constatar que o nazismo comparativamente ao comunismo, em termos de assassínios, foi uma brincadeira.

  6. Duas datas : 10 maio 1940 ; 7 de Dezembro 1941.
    Elas permitiram que toda a merda do caixote do lixo da História, enterrada e bem enterrada, voltasse a sobrenadar – e que a maior campanha de” publicidade” enganosa , e criminosa, da História da Humanidade ainda tenha crápulas a evocá-la, distorcendo e fabricando uma “estória” para imbecis.

  7. A deturpação histórica serve muitos propósitos… nem sempre se percebe é se os promotores fazem ideia do que propalam.

    A revolução bolchevique foi essencialmente um forte financiamento alemão destinado a terminar com a frente russa na 1ª Guerra Mundial, pela deposição do Czar Nicolau II.

    Já escrevi noutro sítio sobre isto:

    Lenine foi financiado directamente por alemães e austríacos, conforme parece ser atestado por inúmera documentação entretanto conhecida. Dificilmente revoluções internas têm sucesso sem mãozinha externa, ao contrário do que é supostamente propalado.

    Porém, este plano alemão, cuja consequência lateral foi implantar um longo regime comunista na Rússia… acabou por sair duplamente furado.
    Primeiro, porque essa vantagem alemã foi rapidamente anulada com a automática entrada dos americanos na 1ª Guerra Mundial. Se estavam descansados pela frente oriental, passaram a ter o dobro dos problemas na frente ocidental, e em breve perderiam a guerra.
    Segundo, porque foi o regime comunista que permitiu a maior ofensiva contra a Alemanha no curso da 2ª Guerra Mundial, tendo sido os russos comunistas a tomar Berlim.

    Diversas situações, em que os ventos semeados passaram à força de tempestades contra os próprios.

    http://odemaia.blogspot.pt/2015/08/um-discurso-de-balfour-cem-anos-depois.html

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