Disco Angola


enlil,

Stan Douglas, “Club Versailles, 1974”, 2012 

Stan Douglas, “Exodus,1975”, 2012

 

Tudo ao contrário do que se diz que é a fotografia.

Os instantâneos (logo verão como vos minto!) são de Stan Douglas, que tende a recuar até à memória dos anos 70, talvez a mais obscura década do séc. XX, na qual não se passou propriamente nada a não ser ter-se acabado tudo, ou seja, as fabulosas promessas afinal miríficas dos golden sixties.

Calhou a Stan Douglas ter dado à costa da adolescência nesses anos, o que para alguém de qualquer parte do mundo, à excepção de Portugal, foi um aborrecimento – até nisto somos ingénuos.

De regressou aos 70s, portanto. E o que há dizer? Tão só duas palavras: disco-sound e Angola. Vai de juntá-las e mostrá-las.

Quanto ao disco façam a experiência de rever Travolta & Bee Gees nas febris noites de Sábado em que o pessoal de Brooklyn ia à Cidade e, caso sobrevivam, contem da vergonha que tiveram, se aquilo vos faz recordar alguma coisa, ou fechem lá a boquinha de espanto (apesar de tudo não foi tão mau como parece…), na hipótese benigna de não terem sofrido tais passagens.

Quanto a Angola, esta Angola, naquele preciso instante, isso fia mais fino. O que sobrou?  Nadíssima e era essa a ideia, os portugueses enfiaram o país em contentores, puseram uma cidade de madeira a flutuar no oceano até Lisboa e… e Luanda ficou deserta. Literalmente. Assim diz Ryszard Kapuściński no seu “Another day of life”, singular reportagem e talvez as únicas memórias de quem ficou para trás.

“Disco Angola” é então o nome e o tema da última exposição de fotografias de Stan Douglas. Olhe bem para elas, é tudo uma encenação, uma reconstrução, uma rememoração. Nada se passou assim a não ser na cabeça dele e diante da máquina dele. Ou melhor: nada se passou assim. Ou melhor: nada se passou. Ou melhor: nada.

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