Diálogos televisivos


Pedro Correia,

 

Ele – Não podes estar um dia sem mim… Hoje não pareces nada bem humorada.

Ela – Pois. O dia de ontem foi para esquecer. O meu momento alto aconteceu às 11 da noite, quando vi O Sexo e a Cidade.

Ele – Detesto que vejas essa série.

Ela – Porquê?

Ele – É uma série feminista, não é? Nunca vi…

Ela – Nunca viste?! Não acredito… A um título destes a tua curiosidade não resiste.

Ele – Espreitei uma vez. Eram umas dondocas que só pensavam em compras e em ser sustentadas por gajos ricos. Uma merda. O que eu nunca vi foi as Donas de Casa Desesperadas. Confundo sempre essas duas.

Ela – São ambas séries de gajas. Mas não és tu que gostas de decifrar o cérebro feminino?

Ele – Não preciso de ver séries americanas para entrar na cabeça das mulheres europeias. As que me interessam.

Ela – Devias ver. É pedagógico.

Ele – A série das dondocas, nem pensar. Assisti a uns minutos do filme na televisão e achei-o pavorosamente mau. Apenas pretexto para vender marcas. Como podes seguir aquilo?

Ela – O filme não tem nada a ver. A série é muito melhor.

Ele – Mas não é com as mesmas actrizes? Aquela baixinha e nariguda irrita-me.

Ela – E do meu nariz gostas?

Ele – Não conheço nenhum outro tão parecido com o da Cleópatra.

Ela – Hum… Se há coisa que aprecio em ti é isso.

Ele – Isso o quê?

Ela – A tua cultura clássica.

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