Diabos, um optimista até poderia começar a ver nisto uma mudança estrutural…


escafandro,

Procura externa vale 85% do crescimento económico português.

Então não tinha sido o consumo interno, estimulado pelas decisões do Tribunal Constitucional, o único responsável pela subida do PIB?

Enfim, para ser honesto, até estou surpreendido com um valor tão elevado. Mas resta-me um consolo: se chegarem ao poder, Costa, Centeno e Galamba depressa tratarão de o «corrigir».

0 comentários em “Diabos, um optimista até poderia começar a ver nisto uma mudança estrutural…”

  1. Tem de falar no saldo da balança comercial se pretende escrever sobre isso.

    Dados Pordata, sujeitos a alguma rectificação:
    http://www.pordata.pt/Portugal/Balan%c3%a7a+comercial+em+percentagem+do+PIB-2595

    Se estiver a fazer uma leitura cuidada do gráfico verificará que as importações reduzem e as exportações aumentam.

    Imagine agora que você importava em 2010 1 milhão de euro. E exportava 500 mil euro.
    O saldo da balança era desfavorável em 50%
    Suponha agora que em 2011 você importou 500.000 euro e exportou os mesmos 500 mil. O saldo será de 0%.

    Significa isto que o saldo não resulta de uma melhoria das exportações, mas de uma desaceleração económica que faz retrair o consumo e, consequentemente, obriga a importar menos. Significa perda de poder de compra.

    Mas pode aplicar o mesmo exemplo com a exportação a subir e a importação a descer.

    A notícia que refere só revela que o consumo interno ainda está a níveis insuficientes, mas não diz que este não contribuiu para o crescimento do país.

    O valor do crescimento do PIB, 1,5%, é um valor homólogo. O crescimento do PIB em cadeia foi de 0,4%. Inferior ao da Grécia que se situou entre os 0,8% e os 0,9%.
    E o consumo interno determinou o crescimento.

    Mas há outras nuances a considerar:
    http://economico.sapo.pt/noticias/quebra-do-petroleo-e-turismo-seguram-saldo-comercial_227603.html

    E como o turismo conta como exportação deve também considerar que o turismo interno (consumo interno) faz parte destes números.

    Mas também deve considerar o efeito do preço. Fixe este exemplo (o segundo comentário, sobre as exportações do artigo referido):
    http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/legislativas-2-7716616#comentarios

    Não desejo mal algum ao nosso país. Mas convém falar ou escrever com rigor.

    1. Caro Vento:
      O senhor (tal como eu) está aqui deslocado.
      A racionalidade não faz lei por estas bandas.
      Foi substituída pelo voluntarismo fanático-ideológico.

    2. Essa do “inferior ao da Grécia” tem piada para quem apresenta um argumento destes e exige rigor. O PIB da Grécia caiu 26% desde 2007 (contra cerca de 7% no caso português): surpreende que, ainda por cima numa fase de loucura política, tenha crescido um pouco – aí sim, sem grandes dúvidas à base do consumo interno?

      Claro que o PIB português caiu. Mas até caiu pouco, atendendo a outras situações:
      http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/numeros-6838823

      E que as exportações representaram grande parte da recuperação em 2014 e continuam a representar alguma coisa só pode ser um facto positivo. Mais: abre caminho para algo que já está a ocorrer: uma recuperação sustentada do consumo; estimulá-lo mais só terá efeitos negativos.

      1. Percebi. O JAA afinal é favorável ao discurso do Syriza. Com tanta queda no PIB não pode haver alternativa que não a da renegociação da dívida.

        Mas não, meu caro, eles que são tão atacados cresceram mais que Portugal no mesmo período. Significa que estão a trabalhar melhor que o governo português.

        E também não, meu caro, é como lhe digo. Foi o consumo interno que determinou o crescimento. As restantes melhorias são pelos factores explicados.
        Mas ainda bem que as nossas empresas exportadoras se mexem. Sabe porquê? Eu digo: porque elas estão a perder mercados e tentam arranjar outros. O aumento do preço também reflecte isso, a compensação.

        Mas aponte agora o que lhe digo: é com o consumo interno que teremos que sobreviver nos próximos tempos. Os mercados internacionais estão muito complicados. Um dos sectores que poderá mais alternativas é o sector agrícola.

    1. Meu caro, para quem – como o pessoal que escreve no e concorda com o ‘Ladrões de Biciletas’ – acredita que teria sido possível fazer o ajustamento sem efeitos negativos (ainda estou para ver um país onde isso tenha sucedido) é verdade que o país ainda está pior. Mas as perspectivas são hoje melhores (ou, se preferir, menos más). E até se nota isso em alguns gráficos do post que indicou, onde a tendência de inversão é notória (desemprego, défice externo, convergência com a Europa).

      (O caso da convergência com a Europa é sintomático: em queda mesmo antes da crise internacional de 2008, subindo apenas através dos estímulos públicos que nos levaram à bancarrota. Mostra bem como a economia portuguesa estava há muito desequilibrada e incapaz de gerar riqueza.)

  2. Não vejo o que é que a notícia lincada tem de extraordinário ou digno de nota.
    É evidente que, a partir do momento (em 2011) em que a procura interna colapsa, passa a ser a procura externa – por exclusão de partes – a sustentar a economia.
    Isso é praticamente um tautologismo. Não havendo procura interna, só a procura externa é que puxa a economia.
    É a mesma coisa que a balança comercial se equilibrar. A partir do momento em que as importações colapsam, imediatamente a balança comercial se equilibra.

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