A mulher atacou o computador como se fosse um amante e teceu toda a sua história, arrancou a pele, fez das vísceras narrativas e diálogos. No fim, cansada, abriu uma garrafa de vinho, fumou um cigarro e pensou que a vida podia ser outra coisa e, não sendo, estava tudo bem. O computador, fiel e silencioso, uma dupla caracterização (disparou a mente), encarava-a com a vivacidade de sempre, como que a dizer: usa-me, usa-me que não sirva para mais nada.
E, não tendo quem beijar, a mulher fez a vontade à máquina e continuou a escrever.
