Dia Mundial da Poesia


cronicasnofeminino,

no tempo em que éramos felizes não chovia.

levantávamo-nos juntos, abraçados ao sol.

as manhãs eram um céu infinito. o nosso amor

era as manhãs. no tempo em que éramos felizes

o horizonte tocava-se com a ponta dos dedos.

as marés traziam o fim da tarde e não víamos

mais do que o olhar um do outro. brincávamos

e éramos crianças felizes. às vezes ainda

te espero como te esperava quando chegavas

com o uniforme lindo da tua inocência. há muito

tempo que te espero. há muito tempo que não vens.

 

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

6 comentários em “Dia Mundial da Poesia”

    1. Vale a pena ler José Luís Peixoto, embora seja quase sempre uma escrita marcada por um tom depressivo. Ele tem ou tinha umas crónicas no Jornal de Letras fantásticas e às vezes também aparece na Visão.

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