Dez livros para comprar no Natal


Pedro Correia,

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Livro dois: O Novo Czar – A Ascensão e o Reinado de Vladimir Putin

De Steven Lee Myers

Tradução de Lumir Nahodil

Edição Edições 70, 2016

670 páginas

 

A capa, propositadamente cáustica, equivale a uma sentença política condenatória. Vladimir Putin é representado numa espécie de imitação de Francis Underwood, o fictício Presidente norte-americano da celebrada série televisiva House of Cards, político que leva ao limite a máxima de ouro maquiavélica: os fins justificam os meios, sem intromissão das regras morais.

Ex-correspondente do New York Times em Moscovo, onde viveu sete anos, Steven Lee Myers é um profundo conhecedor do quotidiano russo e privou suficientes vezes com Putin para poder traçar-lhe um retrato minucioso, desde os tempos em que o “novo czar” se ofereceu como voluntário para integrar os quadros do KGB nos anos de chumbo do totalitarismo.

Era o início de uma longa caminhada que viria a culminar na ascensão ao posto cimeiro da Praça Vermelha do ex-agente secreto que qualificou o desmembramento da União Soviética como “a maior tragédia do século XX” e procura reeditar o histórico expansionismo russo na Geórgia, na Ucrânia e nos Estados bálticos. Como ficou bem evidente em 2014, quando anexou a Crimeia em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.

Incontáveis editoriais se escreveram sobre ele na imprensa internacional. O Presidente russo soube rodear-se de uma fidelíssima corte de serventuários, domina com mestria a retórica patrioteira e demais mecanismos da propaganda, e não hesita em vergar todos quantos ousam enfrentá-lo, submetendo os mecanismos formais da democracia ao mando autocrático. Mas, antes deste livro, havia ainda muitas zonas mal iluminadas no seu percurso.

“Esta é a obra mais completa sobre Putin até hoje publicada em Portugal”, declarou há dias em Lisboa outro jornalista que bem conhece a Rússia, José Milhazes, na sessão de apresentação da biografia agora lançada no nosso idioma. Dificilmente O Novo Czar encontraria melhor carta de recomendação.

14 comentários em “Dez livros para comprar no Natal”

  1. político que leva ao limite a máxima de ouro maquiavélica: os fins justificam os meios, sem intromissão das regras morais

    Bah… qual é o político que não pratica, pelo menos muitas vezes, essa regra?

  2. procura reeditar o histórico expansionismo russo na Geórgia, na Ucrânia e nos Estados bálticos

    Asneiras. Na Geórgia anexou uma pequena parte do país mas nunca se meteu com a restante parte. Na Ucrânia idem. Nos estados bálticos jamais fez qualquer mênção de tocar.

    É claro que Putin exige que esses países todos respeitem as suas minorias russas e que não tenham uma política adversarial em relação à Rússia. Mas não tem quaisquer intenções expansionistas (= de conquista) sobre eles.

  3. Putin esse grande democrata, modelo político de Trump e Le Pen e de alguns reaccionários do politicamente incorrecto que agora advogam uma reforma dos valores

  4. Jerónimo de Sousa mesmo quando se engana fá- lo de boa fé. Sendo crente segue o credo. E admiro quem na sua fé não sente nunca o arrebate da dúvida.

  5. Um patusco, este Sr. Porfírio.

    Lembrei-me logo de Jacques Prévert “dito” por Yves Montand:

    “Qu’est-ce que cela peut faire que je lutte pour la mauvaise cause puisque je suis de bonne foi?
    Et qu’est-ce que ça peut faire que je sois de mauvaise foi puisque c’est pour la bonne cause.”

      1. Também me parece que sim e vejo com preocupação o facto de, à medida que a noite avança, se vá tornando mais “agressivo” (cf. as horas das postagens).

        Herdade das Servas, diz ele.
        Reserva, diz ele.
        15,5% de grau alcoólico, diz ele.

        Só não disse o preço mas esse eu sei-o porque como o meu Amigo sabe só bebo vinho tinto, faço-o a todas as refeições desde há uns 52 anos e como “bom burguês” que sou não faço economias nessas matérias .
        Este vinho aparece com preços simpáticos nalgumas promoções aí de uma cadeia de supermercados.

        O tal vinho é bom ainda que eu não saiba se os paladares correspondem ao descrito pois, ainda que nas minhas estadias quinzenais na Beira Alta jante sempre fora há 20 anos num restaurante ligado a umas adegas (como já lhe contei), confesso humildemente que aquele paleio dos enólogos me entra a 100 e sai a 200 (como diz uma neta minha dos conselhos que lhe dou, herdou o desplante do avô!).

        1. Ofereceram-me 2 garrafas e ainda uma galinha com sangue, para uma cabidela, que nos dias de hoje é uma preciosidade…

          1. Ora não podíamos estar mais de acordo e que melhor razão para isso que essa cabidela de que fala e que antevejo magnífica comparada com as porcarias que se comem por aí a fazer-se passar por cabidelas.

            Eu que almoço todos os dias fora por essa Lisboa, ao sabor dos sítios por onde ando, vejo “cabidela” e entro logo, a ver se encontro o sítio certo.
            Pois nada mas tem como única a vantagem prolongar o prazer da procura.

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