Dez livros para comprar na Feira


Pedro Correia,

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Livro um: O Islão e o Ocidente, de Jaime Nogueira Pinto

Edição D. Quixote, 2015

350 páginas

 

Muito se fala no fundamentalismo de matriz islâmica e nas atrocidades do Dito Estado Dito Islâmico (fórmula cunhada por Nuno Rogeiro que adopto com a devida vénia). Mas poucos sabem explicar, com minúcia e clareza, a dimensão histórica, social e religiosa dos devotos do profeta Maomé, que rivalizam com a fé cristã em expansão global.

Religião maioritária em largas dezenas de países que se estendem de Marrocos à Indonésia, o islamismo continua a ser lamentavelmente ignorado nas suas múltiplas facetas, reduzidas à vulgata caricatural pelo jornalismo dominante, cada vez mais superficial e preguiçoso. É por isso de saudar este ensaio sério, isento e muito bem informado que Jaime Nogueira Pinto nos traz em 13 capítulos densos mas de fácil e apelativa leitura proporcionada pelo estilo fluente do autor, que nunca sacrifica o rigor dos factos às suas opiniões sobre a matéria nem transige com qualquer proselitismo de pacotilha inspirado pelo ar dos tempos.

O Islão e o Ocidente é uma visão serena e lúcida, embora não isenta de perspectiva crítica, aos dramáticos desafios que nos são lançados pelo antigo Islão armado com novíssima e sofisticada tecnologia. Sem esquecer que dentro das vastas fronteiras do mapa islâmico se agita um mundo multipolar, longe do monolitismo que a indústria mediática tantas vezes apregoa.

Chegamos ao fim desta obra mais esclarecidos, mais bem informados e mais dotados de pistas de análise para entender o perturbante vínculo entre política e fé sob a bandeira do crescente muçulmano. De raros livros actuais se pode dizer o mesmo.

0 comentários em “Dez livros para comprar na Feira”

  1. Caro Pedro:
    «De raros livros actuais se pode dizer o mesmo.»
    Que injustoooooo!
    Então e o esclarecedor (e definitivo) livro de José Rodrigues dos Santos sobre a origem marxista do fascismo?
    Aposto que será ainda mais esclarecedor e convincente do que este do J. N. Pinto.
    Estou a brincar consigo, acordei bem disposto hoje.
    Agora a sério, já comprei o livro e irei lê-lo em breve.
    É um autor que vale a pena ler, e muito prolixo, especialmente nos últimos anos.
    (Manuel Silva)

    1. Meu caro Manuel, sobre a sua bem-humorada farpa ao popular romancista e professor universitário, limito-me a sublinhar esta evidência: pior que ser ignorante é cultivar a ignorância arrogante e atrevida.

          1. Por exemplo a tentativa de Socialização da Economia em 1943-45 na Republica Social Italiana.
            Não é possível existir tal política sem forte influência Marxista.

          2. “República Social Italiana” foi apenas um rótulo para mascarar um minúsculo protectorado da Alemanha nazi no norte de Itália. Durou um ano, até à retirada final da tropa germânica de solo italiano. Nesse período o títere de Hitler manteve-se no colinho das SS, sem autonomia de qualquer espécie.
            É espantoso que você vislumbre a mão invisível do marxismo – logo, da luta de classes – nesse fugaz enclave fantoche onde o corporativismo fascista soltava os últimos suspiros.

          3. Ou seja, não sabe. E não percebeu a demonstração que mesmo no Tardo Fascismo as ideias Marxistas ainda tinham lugar.

            Isto é só a parte da Socialização da Empresa:

            “La base della socializzazione è la totale assenza di lavoro dipendente, ovvero: ogni entità produttiva appartiene in egual misura a tutti i suoi lavoratori, senza più padroni né dipendenti. Ciò a differenza del capitalismo, dove un’entità produttiva è di proprietà di una persona o di una società di persone, anche estranee alla produzione, mentre la produzione è affidata a lavoratori dipendenti.”

            https://it.wikipedia.org/wiki/Socializzazione_dell’economia

            Depois é só erros de base:

            A Republica Social Italiana era só todo o Centro e Norte Industrial da Itália onde estava a maior parte da industria, da produção e grande parte da da população As cidades de Milão, Génova, Turim, Trieste, Veneza, Verona, Parma, basicamente tudo a norte de Roma.

            Foram 2 anos, não um ano. 1943-45. A maior parte das grandes cidades só foram libertadas em 1945. Ainda se combatia em Itália e os Russos estavam ás portas de Berlim.

            Podemos ir a 1919, e depois ir ao Manifesto de Togliatti e outras eminências Comunistas em 1936 a elogiar o programa Fascista de 1919.
            E há muito mais.

          4. Quando não se consegue entender e rebater argumentos.

            A Republica Social Italiana é importante porque é quando o Fascismo se liberta da força conservadora da Monarquia que ficou no Sul com os Aliados.

            Quando se fala do Fascismo e não se entende que este nunca foi absoluto pois teve que conviver com a Monarquia ao contrário do Nazismo na Alemanha ou o Comunismo na União Soviética quer dizer que não se sabe o básico.

            Quando a Regia Marina -o mais monarquista dos ramos das Forças Armadas – combatia o grito era “Viva Itália, Viva il Re”, não era Viva il Duce.
            Só por vezes aparecia nos comandantes mais jovens afectos ao regime depois dos outros dois.

            A adesão de inúmeros socialistas e comunistas ao Fascismo, com relevância para os membros do Sindicalismo Revolucionário é mais uma demonstração.
            Na Itália de meados 1930 estavam em voga os argumentos anti-burguesia no Fascismo e a tentativa de acabar com a “economia capitalista” . Livros/Caderno como “Processo alla Borghesia” saiam em 1939 em Roma.
            https://it.wikipedia.org/wiki/Berto_Ricci
            “la Russia con la rivoluzione dei comunisti ha fatto bene a se stessa […] L’ Anti-Roma c’è ma non è Mosca. Contro Roma, città dell’anima, sta Chicago, capitale del maiale”
            Em 1939 a Itália era o pais após a União Soviética que tinha mais Economia sobre controlo do Estado.

            La sinistra fascista. Storia di un progetto mancato di Giuseppe Parlato (Il Mulino, Bologna 2000)

            Fratelli in camicia nera. Comunisti e fascisti dal corporativismo alla Cgil (1928-1948) Pietro Neglie

            Fascisti rossi. Da Salò al Pci, la storia sconosciuta di una migrazione politica di Paolo Buchignani (Mondadori, Milano 1998).

          5. Você chega a uma conclusão a que muitos já chegaram antes de si: os extremos tocam-se. Extrema-direita e extrema-esquerda unem-se no ódio ao liberalismo e à democracia.
            Isso não invalida que a matriz genética de ambos os totalitarismos seja oposta. O fascismo é corporativo e de um nacionalismo exacerbado, o marxismo é internacionalista e anticorporativo. O fascismo apregoava como palavra de ordem “Tudo pelo Estado” enquanto o marxismo visa, em última instância, suprimir o Estado.

          6. Caro Pedro:
            Eu, ignorante me confesso, pois tal como não sabia que o Fascismo era filho do Marxismo (não sei se legítimo, bastardo, primogénito, coxo, cego ou maneta), muito menos sabia que todo o mal do mundo derivava do Socialismo: que é a tese principal (e secundária, e terciária, e …) do senhor lucklucky.
            Mas como Socialismo e Marxismo às vezes se confundem, vai daí todo o mal do mundo também pode derivar do Fascismo.
            Mau Maria, isto está confuso.
            Bem, vou dormir para aclarar as ideias.
            (Manuel Silva)

  2. Comprado na Feira do Livro, precisamente. A 31 de Maio do ano passado e leitura de férias. Tempo muitíssimo bem empregue. Aguarda as próximas o Nobre Povo, do mesmo autor.

    Costa

  3. Já li, falei do livro e tenho recomendado em vários meios, um excelente livro sobre as origens, e não só, do conflito que tem muitos contornos para além do fanatismo religioso.

  4. O autor escreve de como o fundamentalismo Islâmico cresce na Ásia, por exemplo na referida Indonésia e Malásia?

  5. Enquanto o petróleo engordar o islão, havemos de ouvir falar dos muçulmanos. Quando esgotar falaremos da degradação ambiental.

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