
O tempo passa a uma velocidade vertiginosa. Reparo agora que o Miguel Portas morreu faz hoje dez anos. «Todas as mortes são prematuras», escreveu Jorge de Sena. Mas algumas parecem ainda mais cruéis, ainda mais inesperadas, ainda mais injustas. Por nos roubarem ao convívio com gente no auge da vida, com tantos planos por cumprir, tantos sonhos por realizar.
Miguel deixou-nos com 54 anos incompletos, suscitando manifestações de genuíno pesar vindas de todos os quadrantes políticos – como testemunhei na homenagem fúnebre que lhe foi prestada no Palácio Galveias. De uma dignidade que não esqueço. Pais, irmãos, filhos, companheira, camaradas de partido, eleitores do Bloco de Esquerda, imensas figuras públicas, incontável povo anónimo. Congregados naquele momento triste mas raro – quase único – de consonância na política portuguesa. De algum modo comovente também por isso.
Do economista que foi jornalista e era eurodeputado quando a doença o golpeou, guardo a memória daquele sorriso confiante num futuro promissor e da integridade das suas convicções. Com uma característica que todos lhe reconheciam: sabia respeitar quem divergia dele. Facto muito menos vulgar do que alguns imaginam nesta amálgama de trincheiras em que se transformou a política portuguesa.
Dez anos já sem o Miguel – irmão do meu amigo Paulo, filho da minha amiga Helena, que continua a dar-nos espantosas lições de tenacidade e força de viver. Um sentido abraço a ambos. Sem mais palavras, porque também pelo silêncio comunicamos em dias como este.

Concordo. Gostava dos seus programas.
Neles reverdecia.
não tenho a mínima consideração por qualquer político enquanto tal
conheci os pais nos tempos da Fac …
« Etienne de La Boétie in Discurso Sobre a Servidão Voluntária
Entre muitos pontos importantes e relevantes do Discurso em si, ressalta-se: _ O poder que um só homem exerce sobre os outros é ilegítimo. _ A preferência pela república em detrimento da monarquia. _ As crenças religiosas são frequentemente usadas pelas monarquias para manter o povo sob sujeição e jugo. _ Etienne de La Boétie afirma no Discurso a liberdade e a igualdade de todos os homens na dimensão política. _ Evidencia, pela primeira vez na história, a força da opinião pública. _ Repele todas as formas de demagogia. _ Incursionando pioneiramente pelo que mais tarde ficará conhecido como psicologia de massas, informa da irracionalidade da servidão, desde o título provocativo da Obra, indicada como uma espécie de vício, de doença coletiva.
O Miguel era meu “amigo” no FB. Gostava muito de falar com ele de BD e da Primavera Árabe
sabia respeitar quem divergia dele
Pois, pois.