Desmantelar para depois privatizar continuando sempre a ganhar


Sérgio de Almeida Correia,

Acredito piamente que um dia aparecerá alguém, como num sonho, para me explicar por que razão empresas rentáveis e que sempre prestaram um bom serviço aos cidadãos acabam desmanteladas em nome de um processo de privatização, prestando um péssimo serviço em balcões inapropriados de tabacarias que nem sequer selos têm para vender e que pedem aos utentes para voltarem mais tarde, contratando, despedindo e “recontratando” o mesmo pessoal a prazo, e cujas acções acabam nas mãos de quem assessora os que decidem, enriquecendo com a desregulação dos mercados, lucrando com a especulação e com os processos de privatização dos subservientes mainatos do poder económico-financeiro que fizeram carreira nas empresas públicas e no próprio Estado.

14 comentários em “Desmantelar para depois privatizar continuando sempre a ganhar”

    1. CTT bons serviços aos cidadãos!? Hahah!
      Correio atrasado, correspondência das finanças fora de prazo com implicação de pagar multa, é um rol.

      Rentáveis? fácil quando têm privilégios monopolizadores e ou recebem/ram subsídios como os CTT…

      O que devia protestar é que a empresa fosse privatizada sendo entregue aos proprietários: ou seja os cidadãos.
      Cada um fica com acções da empresa em vez de ser dinheiro para o Estado Social e os Políticos comprarem votos.

      1. “Cada um”? Está a dar música? Eu sou cidadão e não tenho dinheiro para comprar acções, tal como a maioria dos cidadãos. Espero que ganhe dinheiro com o seu investimento e já que é um dos novos donos da empresa, que se empenhe pessoalmente no serviço que me presta. Qual é a sua residência e número de telefone, para eu me queixar do serviço, quando for necessário?

  1. Tradução do conteúdo do
    MEMORANDO DE ENTENDIMENTO SOBRE AS CONDICIONALIDADES DE POLÍTICA ECONÓMICA

    3.31. O Governo acelerará o programa de privatizações. O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga), energia (GALP, EDP, e REN), comunicações (CORREIOS DE PORTUGAL), e seguros (Caixa Seguros), bem como uma série de empresas de menor dimensão. O plano tem como objectivo uma antecipação de receitas de cerca de 5,5 mil milhões de euros até ao final do programa, apenas com alienação parcial prevista para todas as empresas de maior dimensão. O Governo compromete‐se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação acelerada da totalidade das acções na EDP e na REN, e tem a expectativa que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem
    como da TAP, até ao final de 2011. O Governo identificará, na altura da segunda avaliação trimestral, duas grandes empresas adicionais para serem privatizadas até ao final de 2012. Será elaborado um plano actualizado de privatizações até Março de 2012.

    1. Espera aí … ! Então foram os sócrates que se comprometeram com as privatizações, com as quais aliás eu concordo, mas que não aparecem em público a defende-las, mas sim a acusar estes, de as estarem a implementar.

  2. “…enriquecendo com a desregulação dos mercados,”
    Especuladores, já ouviu falar? São aqueles que transformaram a economia num casino gigante, são eles os donos desse casino.

  3. Num país onde tudo é privatizado só há um prejudicado o cidadão comum. Tudo isto acontece porque não temos governantes, mas pessoas que pensam que sabem governar, mas não passam de meros aprendizes e os aprendizes não podem exercer funções para as quais não têm qualquer mérito. Tudo isto tem um fim, fim esse, de dar lucro aos compradores e dar-lhes cargos de relevo nessas empresas, quando deixarem de ter o poleiro no governo. Em qualquer país civilizado, há empresas públicas porque não pode ser doutra maneira. Para que queremos um governo, quando tudo é privado e já nada resta de público para administrar. Temos um governo de autênticos ignorantes que vivem completamente alucinados

    1. “(…) O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga), energia (GALP, EDP, e REN), comunicações (CORREIOS DE PORTUGAL), e seguros (Caixa Seguros), bem como uma série de empresas de menor dimensão. (…)”

      Memorando de Entendimento, 17 de Maio de 2011

  4. “Em qualquer país civilizado, há empresas públicas porque não pode ser doutra maneira.”
    A Margarida deve ser muito novinha…

    1. Não, não sou. Mas uma coisa eu faço, viajo muito e procuro saber como é a vida nos países que visito, sempre junto dos cidadãos desses países. Não gosto de falar de cor e mesmo que assim não fosse deveríamos copiar os bons exemplos, mas por regra copiamos sempre o que não preta.

  5. Se os CTT são rentáveis isto deve-se precisamente a terem despedido pessoal excedentário e encerrado estações de correio inviáveis. Ou seja, eles não encerram estações para serem privatizados, mas sim para serem rentáveis.
    Se as tabacarias não têm selos à venda é porque hoje em dia praticamente já ninguém envia cartas. Mesmo nas antigas estações não se usavam selos, usavam-se carimbos a informar que a franquia tinha sido paga.
    As ações dos CTT foram vendidas da forma mais transparente possível, a toda a gente que as subscreveu. Coisa que não aconteceu com anteriores privatizações, nas quais, em nome dos “centros de decisão nacionais”, as ações foram fornecidas de forma nada transparente a empresas (sobretudo bancos) portuguesas selecionadas a dedo.

    1. Privatizem tudo, podem até privatizar o governo.
      Mas para já só gostava era que quando essas privatizações estivessem depenadas não fosse lá o estado injectar capital, daquele publico, ta a ver? – daquele que passa a ser divida, a mesma que ficamos a pagar enquanto que os que depenam vão de férias, ta a ver? Lindo, não é?
      Não acredito assim tanto na boa fé das pessoas, essa anarquia capitalista não augura bom futuro.

    2. Eu digo-lhe que conheço empresas que apesar de toda a evolução ainda usam muito o selo e a carta. Jamais se deveria vender os correios. Porque não vendem as empresas que não são rentáveis? Essas ninguém as quer. Amanhã, já não haverá nada para vender e provavelmente começarão a vender as ilhas. Haja tino e bom senso neste país onde já ninguém utiliza os neurónios para inovar. As sumidades deste governo só usam a cabeça para vender ou para cortar. Isto qualquer um faria mesmo sem grandes habilitações…..

    3. Você faz ideia dos serviços que são prestados nos CTT? Já esteve numa fila para um balcão dos correios? Sabe o que é ser idoso e ir levantar a reforma a 30 quilómetros? E quem lhe diz que já quase ninguém manda cartas? O problema dos selos é o menor de todos.

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