As causas do relativo atraso do nosso país, da Revolução Industrial para cá, têm ocupado os melhores espíritos. Não vou dar o meu pobre contributo para esse assunto, por razões que não cabem aqui, senão para dizer que a maior parte das análises que conheço contêm uma parte da verdade e que esse atraso, ao contrário da lenda, se atenuou durante o Estado Novo, diminuiu aceleradamente na sua parte final, e voltou a parecer estar a caminho de ser vencido nos consulados cavaquistas.
Foi na década de 60, coincidentemente, que começou a imparável ascensão da classe dos economistas, incrustando-se no aparelho de planeamento e regulação económica do Estado, até ao estatuto de excesso de visibilidade, influência e prebendas que é hoje norma.
O país desliza faz tempo, com lentidão e persistência, para os últimos lugares do desenvolvimento na Europa, que não cessa de perder importância no mundo; nos últimos quarenta e poucos anos registaram-se três falências, e não uma quarta porque entretanto a caranguejola europeia, para o edifício do Euro não correr o risco de ruir, o ligou à máquina do BCE; e a recente sobre-reacção do mundo em relação à Covid, cujos custos económicos pudicamente se não querem adivinhar mas afligirão mais quem já estava em estado catatónico, faz prever o pior.
Somos todos responsáveis, desde logo o eleitor, que largamente merece o que lhe acontece, por escolher com devoção a mãe-galinha socialista e a vasta patrulha de pais da pátria estatistas e engenheiros sociais. Mas não todos por igual: na magistratura da opinião avultam os economistas, tenham paciência se não gostam que se lhes o diga, que nós já temos por os aturar.
Daí que me tenha dado na cabeça, por causa de um programa na rádio, cascar na classe. No caso, tomando como pretexto três economistas, sobre cujas vidas privadas sei nada e cuja opinião ouço, porque merecem, com atenção. (Um deles, julgando ver numa frase uma insinuação pouco lisonjeira a percursos de vida, abespinhou-se – já lhe pedi desculpa publicamente).
O resultado está aqui. Enjoy.

Astrologia, Economia, Meteorologia… enfim a reposição em cena de um número mais que estafado…
Obrigado pelo link
Hoje, ao ler este “post” do JMG, lembrei-me de imediato de um artigo que tinha lido ontem no The New York Review of Books e do qual deixo aqui um pequeno pedaço: 7/02/masha-gessen-surviving-autocracy-de mocracy-red-line/)
«Yet the pandemic has also revealed, in the most profound way possible, the interconnectedness of a society that has always been intoxicated by libertarian fantasies of absolute autonomy and self-reliance. A public health crisis demands precisely the kind of collective action that American political culture demonizes as “socialism.” Americans do not like being forced to contemplate the possibility that one of our most profoundly personal qualities or experiences — our physical health — is dependent on that of our neighbors. Our health care system is organized around the privatization of risk and the legitimacy of profiting from the sick individual. A public health crisis demands the recognition that health is a public good — even a commons. It cannot be addressed without some form of social solidarity.» (https://www.nybooks.com/articles/2020/0
É evidente que, para ele, nas «causas do relativo atraso do nosso país» (que, «ao contrário da lenda, se atenuou durante o Estado Novo, [e] diminuiu aceleradamente na sua parte final»), não entram, por exemplo, o analfabetismo ou a população com o ensino médio, a mortalidade infantil ou esse bem precioso de que ele usufrui aqui, que é o de dizer o que até lhe veio cabeça!
O Portugal actual não é uma ditadura e muito menos uma metrópole colonial, e também não conseguiu ser um Chile (onde a população continua a sair à rua para protestar contra as desigualdades sociais, apesar dos supostos brilhantes resultados económicos) e muito menos, manter as colónias que sustentaram o desenvolvimento económico de Portugal até 1974 (o tal que ele diz que «diminuiu aceleradamente na sua parte final» do Estado Novo).
Claro que não dou grande importância ao seu hipócrita “elogio fúnebre” do Estado Novo – li piores em relação a agentes da PIDE! – mas o que eu gostaria de ver aqui aqui declarado por ele, quais são os países na Europa que não têm «escolhido com devoção a mãe-galinha socialista e a vasta patrulha de pais da pátria estatistas e engenheiros sociais», para que a “coisa” que verdadeiramente o incomoda não fique pelo abstracto…