Desculpem lá mas é um desabafo que tenho mesmo de fazer


escafandro,

Em 2009 lutei pela vitória da prudência e do realismo. Perdi. Lixei-me. Como eu, milhares de outros (a maioria até mais do que eu mas uma fatia dos que se lixaram tinha optado pelo risco). Em 2015, sem ilusões de que a opção se revele perfeita, luto novamente pela vitória da prudência e do realismo. É possível que perca outra vez. É também muito possível que me lixe outra vez. Como eu, milhares de outros. Uma parte terá novamente escolhido uma opção de risco mais elevado. No futuro, não me peçam para os lamentar.

0 comentários em “Desculpem lá mas é um desabafo que tenho mesmo de fazer”

    1. Já ouviu falar dos aumentos de impostos e dos cortes em benefícios, ocorridos também no sector privado (onde muita gente até foi despedida – mas, como disso escapei, escrevi “a maioria até mais do que eu”) que antecederam e se seguiram a uma situação de iminente bancarrota ocorrida em 2011?

      E não, não tinha investido no GES. Opto geralmente pela «prudência e realismo».

      1. Okay. Interpretei a expressão “lixei-me” como referindo-se a danos mais elevados.

        Mas, como você bem sabe, esses aumentos de impostos e cortes de benefícios eram inevitáveis. Eles teriam que ocorrer, de uma forma ou de outra, fosse quem fosse em quem tivéssemos votado. Portanto, não é por eles que devíamos decidir em quem votar. Era por outros fatores.

        Eu escolho fatores como: mentiram-nos? Escolheram ministros competentes (não apenas na área das Finanças)? Implementaram políticas corretas (não apenas na área das Finanças)? E, infelizmente, em todos esses três fatores a minha avaliação do atual governo é má.

        1. Sim, teriam existido sempre dificuldades. Mas talvez – só talvez, que as realidades alternativas me escapam e poderia já ser demasiado tarde e/ou o PSD de Manuela Ferreira Leite poderia desiludir – ainda tivesse sido possível parar algumas loucuras (na Parque Escolar, por exemplo) e evitar – por exemplo – que o défice de 2010 fosse para os 11%.

          1. Se calhar ajudava não ter lançado, em 2010, um TGV de lado para sítio nenhum, que sem sair do papel, custou 300milhões.

            Só para dar outro exemplo.

  1. 40% da classe mérdia são funcionários públicos

    muitos estão lá por esmola

    assim como os chulos dos políticos de esquerda

    1. Não é preciso insultar. Para mim, o principal problema dos funcionários públicos (com excepções, obviamente) é aquele de que ainda há anos Passos era frequentemente acusado: falta de noção do «mundo real». Isto é, de como as suas reivindicações (justas ou injustas) têm que se sustentar numa economia privada suficientemente pujante, sob pena de a asfixiar, com prejuízo para todos. Quando Cavaco criou o estatuto da carreira pública (e apesar de ele o ter feito em grande medida por razões eleitoralistas), tinha alguma lógica melhorar as condições dos funcionários públicos, que tendiam a ser mal pagos. De resto, a economia crescia (embora já com distorções) e suportava algum aumento da despesa pública. O problema maior veio depois, com o aumento do número de funcionários (ocorrido maioritariamente nos governos Guterres) e do poder que o sector público adquiriu (essencial para ganhar eleições, como se viu em 2009), o qual retirou meios ao sector privado (pequeno exemplo: o IVA, introduzido por Cavaco, começou nos 16%) e (juntamente com outras coisas, bem entendido) causou a tal asfixia da economia.

      1. O problema da dicotomia funcionário público/trabalhador privado é que é falsa.

        São ambos trabalhadores. Acho fantástico como pessoas que não são funcionárias públicas acham que o Estado tem o dever de lhe prestar serviços (saúde, segurança, educação, estradas, governo, etc.), mas quem trabalha para o Estado deve trabalhar de graça.

        Isto quando há milhares de empresas privadas falidas, cujos empresários privados nunca prestam contas do que devem. Esta gente nunca viu empresas privadas a funcionarem mal? E os bancários do BES que enganaram os clientes porque lhes mandaram? E os hospitais privados que têm frequentemente serviços piores que os públicos?

        Reduziu-se o número de funcionários públicos, piorou-se o serviço publico em Portugal, precarizaram-se os funcionário públicos, mas não se vêm os supostos benefícios.

        Não se iluda, o que se pretende e só ter o maior número possível de desempregados para ter “gado” barato e disponível.

      2. o aumento do número de funcionários (ocorrido maioritariamente nos governos Guterres)

        Esse aumento consistiu essencialmente em dar o estatuto de funcionários a pessoas que, desempenhando na maior parte dos casos funções essenciais, estavam empregadas de forma precária. Era fundamental e forçoso, sob qualquer Lei do Trabalho honesta, dar-lhes um emprego estável.

        Aqui no Técnico tínhamos funcionárias jovens, que sabiam inglês e Excel e faziam todo o trabalho mais evoluído, e que há quase uma dezena de anos que eram trabalhadoras precárias, em contraste com funcionários do quadro, idosos e tecnicamente incapazes, que tinham emprego estável. O que Guterres fez foi, com toda a justiça e obedecendo às necessidades do sistema, colocar essas funcionárias jovens no quadro da Função Pública.

        É claro, depois disso ficámos com funcionários a mais. Mas isso não é culpa do governo: a sociedade tem que, de uma forma ou outra, aguentar o lastro dessas pessoas idosas e de educação muito deficiente. Até à sua morte.

  2. O problema da espécie humana é mesmo esse, ir votar na base do perder e do ganhar qualquer coisa individualmente e, como espécie, devíamos saber que só sobreviveremos como um Todo mas, como cada vez, vamos lutando mais entre nós, agregando-nos em grupos, meramente para ter mais força porque predomina o egoísmo e a ganância, acabamos por perder mais do que aquilo que ganhamos, mais a mais que até aquilo que o sistema nos enfia na cabeça é mais ficção do que realidade.
    Não posso deixar link mas posso dar uma sugestão para ouvir outros pontos de vista, ir ver no YouTube dois vídeos:
    The Story of Your Enslavement
    https://www.youtube.com/watch?v=Xbp6umQT58A

    e, o outro para nos fazer pensar… que até as escolhas que fazemos… não são nossas… algo que se entenderá melhor depois de ter visto o vídeo anterior.
    The David Icke Videocast: Who Are We Really?
    https://www.youtube.com/watch?v=8sadhMg8o8E

  3. Apesar do meu comentário anterior, como estou obrigada a viver no sistema, vou votar e, como não tenho medo de perder nada porque não tenho nada garantido, nem sequer existe alguma coisa, nesta vida, que não se possa perder num segundo, a minha escolha é simples e, apenas, baseada na natureza humana. Gosto de coligações e se, esta, precisar de se entender com mais um Partido, ainda melhor, porque acabam por não conseguir “meter a mão na massa” tão à vontade LOL
    Se eu quisesse um único partido a governar, com poderes para fazer o que lhe apetecer… porque será que me faz logo lembrar uma Ditadura? A única diferença é no tempo de duração mas, as consequências, podem ficar para durar décadas.
    Os “meninos” que cresçam e se entendam porque entre, as ordens que vêm de fora e, com o que se tem, fazer o melhor possível pelo país e para os seus cidadãos, nem sequer é uma tarefa muito difícil, o problema é ter de satisfazer “as clientelas” mas, se forem muitos, até passam a ter uma boa desculpa para poder pensar primeiro no país em vez… de estar ao serviço dos… acomodados.
    Cá por mim, até podia haver um Ministro de cada Partido, nada como andarem todos a supervisionar cada cêntimo… e, talvez assim, vê-los “suar” para mostrar quem, realmente, faz melhor trabalho com o orçamento que tem disponível.
    Isto de falar, sobre o que os outros não fazem é sempre mais fácil do que falar sobre o que os próprios não fazem e, liberdade para andarem a rodar a satisfazer as suas próprias hostes, só acaba por empobrecer o país e aí, me desculpem mas, quando dentro do mesmo Partido se chuta um líder para entrar outro, já começa a dar muito nas vistas o interesse e a ganância do poder pelo poder… pela “distribuição” aos amigos”

    1. Risco para Quem? Não é, de certeza, para mim (como para muitos outros), nenhum Partido me deu nada, nem espero nada, senão a mesma ganância em cobrar impostos, vieram milhões e milhões de euros para este país… se somos só 10 milhões já devíamos estar todos ricos, portanto, como não sou “partidodependente” nem tenho tacho, nem negócio, em nenhuma autarquia, freguesia, associação, fundação ou qualquer tipo de “mesada” fixa, até já votei em muita coisa e, cada vez, só nos vejo mais enterrados e, até acabámos, sem soberania sobre as nossas decisões internas.
      O pior, ainda está para vir, não serão extraterrestres mas, um futuro, quase inimaginável, porque o 1% que controla isto tudo, já tem a próxima agenda bem estudada e quase pronta. Não é por acaso… as 7 guerras em África e no Médio Oriente e, muita, vontade em bombardear mais qualquer coisita, e não é de admirar que economias de países como China, Brasil, Índia… e até a da Alemanha, estejam a cair. Na História há muita coisa que se repete, pelo menos, nos seus objectivos e, isso de risco, é muito relativo, se calhar, vamos perder ainda mais num futuro próximo, porque os “acomodados” e “dependentes” nunca querem, verdadeiramente, mudar nada, apenas manter e garantir o que têm e, se possível, ainda mais “um naco” porque, daqui a 4 anos, acabam-se os subsídios da U.E.
      Até já perdi muito dinheiro na vida por não ter ADN de “lambe botas” mas há coisas muito mais valiosas que o dinheiro não pode comprar e, a melhor, delas todas, é sentir-me livre de qualquer “obediência” a Grupo ou Partido, excepto à da minha consciência.
      Estou farta e cansada de hipocrisias e contos do vigário porque, neste Mundo Global, onde o Poder vai ficando cada vez mais concentrado, na mão de Corporações e Mercados, onde até políticos como Merkel e Schäuble não passam de “testas de ferro”, o perigo já passou do ponto de votar neste ou naquele Partido, o presente é muito simples, obedecem… têm dinheiro, não obedecem… têm o caos civil dos que precisam da sua “dose” e… a Velha Europa já tem o destino traçado… ou pensa que, quem obrigou os cidadãos europeus a uma austeridade suicida, agora mandou a Alemanha ir gastar 8 Biliões com refugiados, de repente, viraram bonzinhos e cheios de compaixão? Já estou a ouvir… precisam de mão de obra… quando numa semana 23.000 alemães foram despedidos e existem mais de 20 Milhões de desempregados na União Europeia… pois… havia… porque, ainda serão mais milhões com os refugiados que, para além das quotas, os países europeus, vão também ter de contribuir para o orçamento europeu para os refugiados… estamos com o garrote cada vez mais apertado e só servimos para pagar.
      Isto é tipo puzzle e, quem fez daqueles de brincar, até sabe quando passa a encaixar o resto das peças sem ser preciso muito esforço e, nem acrescento mais nada porque nem sequer vale a pena… porque há quem viva… no ver para crer… e da dor não vamos escapar mas, quanto mais para a frente, maior ela será e as perdas serão… de quase tudo. A boa notícia, é que Só temos de aprender aquilo que qualquer outra espécie, dita irracional, já aprendeu: adaptabilidade, flexibilidade e deixar os melhores ao comando ora, entre incompetentes e aproveitadores do sistema, eu olho para a Europa e até somos capazes de encontrar uns sociopatas e uns psicopatas aos comandos…
      Essa do risco… se não fosse tão trágico o nosso futuro… até dava umas boas gargalhadas… risco… do tamanho de Portugal? Esqueça aqui a quintarola… essa já era… o Risco passou a nível Global e, não é só um… são vários… e Grandes…
      No fundo, é como a metáfora no filme Matrix… “Blue Pill ou Red Pill”, tudo se resume em, querer ou não querer, procurar a verdade porque, para muitos, continuará a ser suficiente a “ementa pré-mastigada” que, todos os dias, nos é servida… intervalada com doses maciças de, conversas da treta, novelas e futebol que, curiosamente, este, no tempo da Ditadura, para além da religião, também servia de ópio do povo… Outra curiosidade é que, a mesma receita, está a ser usada em televisões de outros países europeus… Cada vez, está mais difícil, saber o que se passa “debaixo do pano” ou nos “bastidores”… porque, não dá dinheiro e só dá chatices

  4. Boa tarde,

    num dos primeiros comentários deste post há um insulto claro aos funcionários públicos, como se estes fossem os únicos culpados da despesa pública. Importa no entanto clarificar que, como em todas as empresas, existem bons e maus trabalhadores e que, como em todas as empresas, existem trabalhadores e existem aqueles a quem o posto se lhes foi oferecido. Deixe-me portanto, como filha de funcionária pública, oferecer-lhe um retrato da realidade:
    – é claro que existem aqueles que se andam a passear e que não estão minimamente interessados em fazer o bom trabalho, mas isso é falta de brio e não é de todo o retrato de uma classe de trabalhadores. Estes que todos os dias dão o litro (porque é destes que falo), levam por mês pouco mais de 600 euros para casa, com anos de antiguidade, com carreiras congeladas e a descontarem para um sistema de saúde, que embora até pudesse ser vantajoso no tempo de D. Sebastião (e fosse das poucas regalias), não o é há muito.
    – são estes funcionários públicos que estão a segurar o país em “pontas rotas” e que sabem o real estado do país;
    – Na última alteração da lei de reforma, funcionários públicos pediram a mesma, ainda que com penalização, por estarem completamente fartos da exploração laboral, das faltas de condições e da falta de perspetivas.
    – A maioria destas pessoas que se reformaram, em modo de fuga, não foram substituídas, mas o trabalho tem que ser feito, sob pena de não serem recebidas pensões de funeral, de sobrevivência, de viuvez, etc, etc. Nesse sentido o trabalho de um país inteiro, é distribuído por meia dúzia de gatos pingados que se estoiram a trabalhar e que todos os dias ouvem que o país está como está porque os funcionários públicos são uns chulos.
    – na função pública foram nomeados n diretores, que chegam lá, querem fazer bonito, implementam as mudanças que acham que vão fazer brilharetes e nem sequer sabem o que se faz ou os impactes adjacentes a essas mudanças (não creio ser preciso um canudo, para perceber que a noção do resultado é importante na tomada de decisão). Em resultado, os serviços ficaram um caos. estou a falar de pessoas desesperadas, esgotadas, a trabalharem no chão por falta de espaço (tudo ocupado com processos), de prazos a terem que ser cumpridos, de andares a desabar com o peso destes mesmos processos, de processos disciplinares por queixas (totalmente válidas) por falta de segurança nos prédios, de ratos, de fios descarnados.
    Não são os funcionários públicos (os de facto) os culpados da crise do país. A culpa dos país estar como está é pura e unicamente daqueles que sentam no hemiciclo e dos portugueses, que adoram o compadrio e a cunha, em vez da meritocracia; de contar a todos que é director, assessor, assessor de assessor mas que nem sabe bem aquilo que faz, desde que ao final do mês, os euros caiam na conta; de pedir empréstimos/créditos para tudo e para nada só para fazer um casamento naquela quinta maravilhosa, que é bem acima das possibilidades (mas isso agora não importa nada), ou para os iphones ou para os carros novos; somos o país que gosta de mostrar obras, que custam milhões a todos e que servem muito mal quem as paga todos os dias; somos o país que não admite que falem mal de nós, a não ser que sejamos nós a falar, que não aceita uma crítica, mas que desde que nos paguem ou emprestem, está disposto a perder a dignidade e a comportar-se como o menino mal comportado, ávido de atenção e com necessidade de palmadinhas nas costas; somos o país com um PM que incentivou a ida para as cidades, a abandonar a agricultura com a promessa de fundos da UE, sem ter noção de que a agricultura é aquilo que mais exportamos. Isto são só alguns exemplos, daquilo que considero ser também responsabilidade nossa, porque temos memória curta e mudamos de cor de 4 em 4 anos e porque somos péssimos a apontar os nossos próprios direitos.
    Eu, como cidadã de 32 anos, sinto uma frustração enorme por saber que temos que mudar (que quero mudar!), mas não ver uma alternativa política válida.

    1. Não vê porque não há. Tente ver o primeiro vídeo, cuja indicação, deixei no meu 1º comentário e, se calhar, até fica a perceber… muita coisa 😉

  5. Prudência e Realismo em 2009 com a senhora Manuela ” o dinheiro já cá canta” Ferreira Leite ?!

    Com o PSD CDS o caminho para a proxima bancarrota é só mais lento que a Extrema Esquerda Marxista: Do PS ao MRPP.

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