Um homem apresenta-se como candidato a uma câmara municipal criticando as gestões anteriores. Não poupa nada nem ninguém, incluindo aqueles que antes estiveram na autarquia e que no seu próprio partido hoje o apoiam. Faz-se anunciar como um salvador, mandando a fanfarra à frente. Corre tudo quanto é serviço e empresa numa cuidadosa operação de marketing para, diz ele, se inteirar dos problemas. Promete rigor, seriedade, intervenção atempada, planos estratégicos a 10 anos, requalificação urbana, um porto de recreio (que logo esclarece não depender de si), melhor gestão, modernização informática e, entre mais um rol imenso de benfeitorias, o saneamento financeiro da autarquia. Quem o ouve convence-se estar na presença do novo super-homem nietzschiano. Mas eis que de um momento para o outro fica toda a gente baralhada. O homem resolveu convocar Alberto João Jardim para inaugurar a pré-campanha e com ele discursar aos ignaros. Diz a campanha do candidato que Jardim vem com o "habitual discurso desconcertante". Quem sou eu para duvidar? Afinal o modelo de gestão, o exemplo da seriedade e do rigor que Macário Correia promete para Faro vêm direitinhos do soba da Madeira. E eu que pensava que a sua frase de campanha "Refazer de Faro uma capital" era ideia desse vulto das letras (falo da massinha de cherne) que dirige o PSD/Algarve. Será que Macário Correia se revê nos métodos desconcertantes de Alberto João Jardim, nas adjudicações às empresas dos companheiros do partido, no discurso boçal, nos ataques delirantes ao poder central, no insulto gratuito às instituições da República? Logo ao final da tarde, se a animação que a Viviane e os Vá-de-viró deixarem, pode ser que haja tempo para Macário Correia explicar como é que esta aliança com o jardinismo se encaixa no seu discurso. A Dr.ª Manuela vai ficar contente. Este ano a festa do Pontal começa mais cedo.
Desconcertante
Sérgio de Almeida Correia,

O título do post sintetiza muito bem o post, ainda que me pareça benévolo.
:))
Esse, caro Sérgio, é o eterno dilema do PPD/PSD, como tantas vezes tenho escrito: um partido populista (popular-democrático) e liberal-conservador, intitulado social-democrata. Demasiados partidos num só. Servia, como serviu, para os anos iniciais da democracia. Não serve agora. É fundamental haver uma rearrumação partidária à direita, sob prismas ideológicos e doutrinários. Não faz o mínimo sentido haverortugal um partido que se intitula Social Democrata e que em Bruxelas se agrupa no conservador Partido Popular Europeu. Nada disto rima com nada.
Finalmente alguém escreve sobre o assunto! Às vezes nem sei já quem é o Presidente de Faro, tais são as vezes com que me deparo com o Sr. Macário, outras vezes penso que me enganei e saí na via do Infante em direcção a Tavira. Não sei como é que ele faz, talvez recorra a esses dotes de super-homem, agora nietzschiano só se for para os recém-chegados.