não, não é engano,
é de propósito
Neste pequeno mundo, onde qualquer um se julga apto a escrever um livro e onde não há verdadeira crítica literária, João Pedro George ousou analisar um palhaço de Deus.
Visto à distância, este é outro ‘case-study’. Ou de como se pode não saber conviver com a crítica objectiva, com a liberdade de expressão, e muito menos com esse exercício básico de sobrevivência intelectual: saber fundamentar.
– Quantos de nós estão preparados para esta simples prova?
Volta, João Pedro George, acidental biógrafo de Luís Pacheco.
Fazes-me falta.


Ah, pois, desde que a ilustre Margarida declarou ao El País que em Portugal só havia dois escritores que podiam considerar-se como tal (não sei se era esta a frase, mas o sentido era o mesmo) – ela própria e António Lobo Antunes – fiquei esclarecida. Como dizem os amigos da Leonor, para mim ficou definitivamente “otupsiada”.
Das coisas mais interessantes e divertidas a que assisti na FNAC: o lançamento e o debate com o autor do “Couves e Alforrecas”. Nunca esquecerei o diálogo com o JPG, que rapidamente eclipsou o mote do livro e partiu para ‘outra’ (a literatura e a crítica literária em Portugal, a estratégia das editoras portuguesas e a comparação com a de outros países europeus, etc). Fiquei fã dele – e do humor dele – a partir desse dia.
Aí está um tema interessantíssimo: a crítica literária em Portugal. Gostava bem de ter assistido a essa sessão com o JPG.
Não sabia que és fã do José Pacheco Gereira…
E foi mesmo uma conversa solta. Aqui no burgo tb se passam coisas interessantes… Às vezes 🙂
Em Portugal, cada vez mais se confunde crítica literária com ‘divulgação’. Ainda hoje, num jornal nacional, li uma página inteira sobre livros em que era tudo “excelente”, “excepcional”, “obra-prima” e bajulices do género. Nem uma linhoca, ao longo de toda uma página, com o mais suave reparo: assim vai a “crítica” neste país em que somos todos primos e primas…
Foi sobre livros, podia ser sobre restaurantes ou sobre filmes: “excelentes”, “excepcionais”, “obras-primas”, etc.
Tudo dito nessa última frase, Pedro: o estado do tema em 7 palavras.
Embora à vezes também se possa dizer mal para (e só até) entrar na roda…