Desafinação


Pedro Correia,

O PS pode andar muito afinado sob a batuta de António Costa. Mas vendo a sessão de abertura do congresso do partido, na Batalha, ninguém diria: duas moçoilas e um mancebo em palco entoam a Grândola, Vila Morena com arrepiante embora convicta desafinação.

Perdoa-lhes, Zeca: el@s não sabem como cantam. Mas no peito dos desafinados também bate um coração.

18 comentários em “Desafinação”

  1. Há muito que andam desafinados.

    Recordando Zeca:

    https://youtu.be/1i-lROILeyg

    Qualquer Dia, de José Afonso

    No Inverno bato o queixo
    Sem mantas na manhã fria
    No Inverno bato o queixo
    Qualquer dia
    Qualquer dia

    No Inverno aperto o cinto
    Enquanto o vento assobia
    …

    No Inverno vou por lume
    Lenha verde não ardia
    …

    No Inverno penso muito
    Oh que coisas eu já via
    …

    No Inverno ganhei ódio
    E juro que o não queria

  2. MERECE DESTAQUE
    “PS/Congresso: Costa defende legalização da eutanásia como forma de “alargar a liberdade”
    Só um cepo em bruto seria capaz deste argumento primata, “forma de alargar a liberdade”, para sustentar a própria opção pessoal com calibre de feira em assunto de elevada delicadeza e melindre.
    Por essa via pode dar largas à liberdade criando uma lei que permita andar tudo armado ao tiro e apontar em qualquer vulto que mexa no raio de ação.
    Tem a palavra a classe médica para excluir esta sumidade de qualquer abordagem séria sobre este e outros temas que envolvam saúde e pacientes.

    1. Confunde “liberdade sobre o meu corpo” com “liberdade sobre o corpo dos outros”. Eutanásia entra na primeira, “andar tudo armado ao tiro e apontar em qualquer vulto que mexa” na segunda.

      A classe médica está dividida, felizmente e apesar das bastonadas de Bastonários actuais e passados que agem como se a deontologia médica fosse imutável e inscrita nas pedras que Moisés carregou Sinai abaixo.
      A questão é que a eutanásia não é um tema que envolva “saúde e pacientes”, antes envolve “falta de saúde e de paciência mas muita vontade”.

      1. Muito obrigado pela lição. E eu que julgava que quando se fala de saúde não se exclui a falta dela, e aí entram fatalmente pacientes com falta de paciência mas também com ela. Médica sem opinião formada ou vontade de filosofar no vácuo?

        1. Quando fala de saúde fala também de falta dela – mas quando fala de eutanásia resume a saúde à sua falta.

          Não conheço as suas credenciais e nunca suspeitaria que Rão preferisse referir-se a si mesmo no género feminino, mas uma vez que se questionou sobre o que o levou a tais afirmações talvez esteja em busca de si mesmo, e porque a viagem pode ser mais maravilhosa do que o destino, só tenho a desejar-lhe felicidades.

          1. Sem pressões.
            O Doutor António começa por erguer essa bandeira quando ao mesmo tempo, de forma tosca, mergulha a pique na contradição de pretender influenciar a liberdade dos outros no corpo a que cada um diz respeito.
            Não deturpe o que foi dito: -quando se fala de saúde não se exclui a falta dela-
            Atribuí o género feminino a Sarin apenas e só porque olhando o seu blogue fiquei disso convencido.
            O meu pedido de desculpa se estou enganado

          2. A forma tosca, digna ou absurda como AC mergulha na questão não lhe retira o direito de se pronunciar sobre a mesma. Não retira a ninguém o direito de se pronunciar sobre qualquer matéria – dá-me é a opção sustentada para não ligar ao que é dito. Parece mera questão de pormenor mas é ma verdade uma questão de princípio 🙂

            Não deturpei nada do que foi dito – Falar de saúde passa também por falar da doença, mas quando se fala de eutanásia o discurso incide apenas na doença e no seu portador.

            Eu sou mulher, caro Rão, não se enganou. Quando falei do género feminino referia-me jocosamente a Rão falando de si mesmo; devolvi-lhe a pergunta “médica sem opinião formada ou vontade de filosofar no vácuo” – porque a minha opinião está formada e sustentada e não filosofo, defendo uma causa. Se é no vácuo, depende de quem lê.

          3. “A forma tosca, digna ou absurda como AC mergulha na questão não lhe retira o direito de se pronunciar sobre a mesma.”
            À Sarim do mesmo modo, mas cá ao Rão também não.
            Foi um gosto andar à bulha consigo, tenha uma boa semana.

          4. Pode-se sempre optar por atacar as ideias dos outros sem atacar os outros, defender uma bandeira não passa por atacar pessoas – a menos que a bandeira seja derrubar pessoas e não defender ideias.

            Boa semana, e até uma próxima 🙂

  3. “el@s”
    Vejo que o Pedro Correia é inclusivo. Pena que não o seja quando o assunto é a autodeterminação dos povos que vivem no estado espanhol.

  4. Mais que Nuno Álvares Pereira, tivesse Brites de Almeida entrado por ali dentro e chagasse a roupa ao pêlo àquela mancebada que nem marchar soube.
    Mário Soares não merecia aquela representação revisteira pelintra e de mau gosto.

    1. A Brites estava a enfardar pastéis a 12km, e juízo teve ela que só perdeu as migalhas (se bem que a receita já não seja igual à dela, mas a taxa sobre o açúcar sempre os remeteu ao original)

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