Não imagino sequer a angústia dos pais nesta altura do ano em que compram manuais escolares para os filhos. Com ordenados miseráveis quem tiver um filho estará nesta altura a braços com mais uma despesa de sensivelmente duzentos euros, cerca de metade do luxuoso ordenado mínimo neste país da treta. Se tiverem dois filhos, a quantia duplica, quase um ordenado mínimo portanto. Mas este ano, como se não chegassem todas as desgraças que nos caíram em cima, os manuais do Ensino Básico vão aumentar 1,13 por cento, razão de regozijo para a APEL que afirma orgulhosamente que o aumento é abaixo da inflação. O que não se compreende, e em notícia nenhuma que li é explicado, é a razão para este aumento. Tendo em conta que os livros no primeiro e segundo anos estão já escritos segundo o Acordo Ortográfico e que os aumentos se verificam apenas no Ensino Básico fiquei desconfiada. Mas o Acordo Ortográfico é mesmo necessário? Já não nos chegava tudo o resto?
Desacordo
cronicasnofeminino,

Eu sempre ouvi dizer que todos tinham direito à educação. Bastante complicado neste nosso país, quando infelizmente se tem de concluir que a educação é como o sol… eu contrario, o sol quando nasce a uns bronzeia e a outros queima. Assim é a nossa educação.
Cada vez mais a educação é para quem pode e cada vez mais aparecem miúdos cujos pais não têm maneira de os manter. É angustiante. Em relação aos manuais já dei por mim a fazer o impensável: fotocopiar um manual e dá-lo a uma aluna que não tinha dinheiro para o comprar. Eu sei que é crime mas estou-me literalmente nas tintas. Só lamento, e muito, não o ter feito mais cedo.
crime é num país em que a aquisição ou arrendamento uma casa tem um custo médio mensal de 500€, o ordenado mínimo ser de 475… eu tenho neste momento três filhos menores a viver comigo, as mais velhas já voam com as suas próprias asas. Ganho 600€ por mês e o meu marido 500€… tendo dado um excelente contributo para a sustentabilidade da segurança social, com mais três actuais e mais três futuros contribuintes, o que recebo em troca é corte no abono e consequente perda de direito à acção social escolar, quando com as regras antigas estaria no primeiro escalão! tomara que alguém fizesse fotocópias dos livros para os meus filhos, crime ou não!
Como digo em cima, só me arrependo de não ter feito antes. E não garanto que não o volte a fazer. O que é lamentável é que nada tivesse sido feito antes. Devia haver mecanismos para ajudar quem genuinamente precisa.
Exactamente, concordo plenamente!
A nossa angústia baseia-se na conta altíssima que temos que deixar na papelaria…. e com os nossos vencimentos miseráveis, vemo-nos à rasca; porque a nossa prioridade são os nossos filhos na educação e na saúde…..
E os outros é que são a Geração à rasca. Nos dias que correm somos é um País à Rasca.
Como faço eu que recebo 487,35€, tenho dois filhos um vai para o 11º e outro para o 8º.
Os livros do 11º rondam os 30€ e um os 35€ e os do 8º os 20€.
Este mês quando os for comprar, que dinheiro me vai sobrar para o resto do material escolar? O que lhes dou de comer?
O Estado pode ajuadá-la nalguma coisa. Leve à escola a declaração de rendimentos e fale no SASE.
E para quem tem 3 filhos como eu…. treta!!!!
Loca, como disse no início, faço uma ideia mas nem imagino. Bêjos. Aguenta firme 🙂
Atenção:
– os números são avançados pelos livreiros; logo, pouco credíveis.
– o aumento referido é em média; o que significa apenas que os manuais pouco requisitados manterão o mesmo preço, enquanto os mais procurados subirão cinco ou seis por cento.
– porque é que aumentam os do EB? Porque são os que dão mais lucro.
Vamos ver. Julgo que o lucro deve ser igual no Básico e Secundário mas devem vender-se mais livros, é um facto, e provavelmente também pagam mais aos autores por causa do grau de exigência.São apenas suposições, dos manuais sei que são ofensivamente caros e que muitos nem deviam ver a luz do dia.
a minha vontade (se a pudesse concretizar)era eu,a minha mulher e as minhas duas filhas voltarmos para o campo,trabalharmos de sol de a sol,tirar verdadeiramente proveito do que era mesmo nosso, sermos eternos analfabetos,descobrirmos o mundo em cada dia,estou farto ,cansado,triste ,agarrado a uma vida que jao nao me deixa concretizar esse sonho!
Força.
Excelentes questões, Leonor.
Estudei em França, onde os manuais escolares pertenciam às escolas, eram geridos na biblioteca de onde eram distribuídos a cada aluno no início do ano lectivo com uma ficha identificando o seu estado de uso quando entregue aos alunos afim de os responsabilizar para a sua conservação, e eram devolvidos no final do ano, para voltarem a ser utilizados no ano seguinte por outros alunos. Era económico, ecológico, democrático e não enriquecia as editoras à custa de quem tinha isso sim, direito à escola gratuita e obrigatória. Como é que com os nossos rendimentos de miséria não temos, pelo menos, direito a um sistema tão simples??
Sim, na Alemanha também é assim. E além do aspecto económico vejo outro importante, educação de valores através do respeito pela propriedade alheia e partilha. Não entendo porque é que cá não é assim também, mas algo me diz que as editoras não iriam gostar.
Essencialmente por duas razões
1 – as diferentes editoras com uma panóplia de livros para o mesmo ano deixariam de ter lucros chorudos
2 – haveria sempre alguém a opinar que era um insulto utilizar livros de outros
Os meus pais passaram dificuldades inimagináveis para os dias de hoje, no entanto licenciaram 2 dos 3 filhos. Estudei por muitos livros de outros, e não foi por isso que não aprendi .
Uma boa solução, sem dúvida.
Não sei qual das duas pesaria mais, provavelmente a primeira, mas não tenho dúvidas de que temos ou devíamos pôr de lado esta mentalidade execrável de novo-rico. Como muito bem diz não se aprende menos por se ler dos livros dos outros. Sou bookcrosser e fervorosa adepta da partilha de livros, não tanto de manuais escolares. Partilho muitos dos meus livros com os meus alunos. Às vezes quando precisam de um livro para Português pedem-me ajuda e é um prazer imenso dar-lhes os meus livros para ler. Até hoje nunca tive problemas, regressaram todos e em bom estado.
Eu também estudei em França e quando voltei também estudei cá e já nessa altura me questionava, porque é que Portugal não adoptava esse sistema tão fácil e muito mais rentável para as famílias…não compreendo, gastamos o dinheiro e depois ainda ficamos com os livros em casa porque a cada ano estão sempre a mudar…Portugal “copia” tanta coisa dos outros países porque não “copia” estas coisas boas???
Esse é o ponto. Importamos tudo o que é ideia peregrina e que cá não funciona por as diferenças serem demasiado grandes e não se poderem/deverem copiar modelos cegamente, mas esta é uma daquelas situações em que se podia aplicar essa ideia. Já o disse aí algures nos comentários: era preciso ter coragem e cortar definitivamente com uma série de coisas.
livros distribuídos pelas escolas ? Como em França,na Alemanha,Canadá etc etc ?? Medicamentos genéricos com quotas de mercado de 70% como em Inglaterra ou na Finlândia ?? Mau, mas vocês querem o quê ? Que eu fique sem o título para o meu futuro livro de sucesso ” No País do cá-não-dá ! ” ??
(é a resposta usual que ouvimos dos (des)interessados nos assuntos em questão…)
Belo título, Fernando. Mas não prometo que não possam aparecer mais posts destes 🙂
Obrigada, Pedro. Esta situação angustia-me. Não é justo tanto sacrifício.
Peço desculpa, mas eu tenho uma filha que vai para o 9ºano e os livros dela chegam aos 350€. Tenho outra filha que vai para o 6ºano e os livros dela chegam aos 200€. Destes livros não necessito de comprar 4 livros que são manuais do ano passado. Ou seja manuais do 7,8,9 ano,e manuais do 5 e 6 ano. Só um dos manuais do 5º ano chega aos 35€. Portanto quando se refere aos manuais que custam 200€ está seguramente a referir-se ao 1º e 2º ciclo. E os livros de leitura obrigatória que estão sempre esgostados ? Só ai vão mais 40€.
Estava a fazer um cálculo muito por alto obviamente porque também sei que nenhum manual custa menos de vinte e tal euros.
Tenho 3 filhas, no 7º, no 8º e no 12º ano.
Não compro os do 7º porque a filha levou as ferias
a apagar os livros de exercicios , comprei alguns do
8º e tive de comprar os do 12º ano.Só nisto gastei, já,300,00 euros. Os livros de Matemática e Biologia custam, respectivamente, 51,65 e 41,60.!!!!!!!!!
É dificil manter os filhos a estudar já que os manuais escolares e mais os materiais são carissimos.
Com a “CRISE”, os baixos ordenados, as dificuldades de colocar comida saudável na mesa, já que ir ao supermercado é sempre pior de semana para semana, pois gasta-se e não se tráz nada, é possivel manter os filhos a estudar?
A constituição Portuguesa diz que todos têm direito à educação. Quem consegue suportar a despesa? Os que pagam os seus impostos, que são cumpridores das suas obrigações, que pagam, que pagam sempre tudo, até para aqueles que não descontam IRS, TAXA SOCIAL, mas que têm direito a Abono para os filhos, mais livros para a escola. Estes que nada pagam apresentam-se na S.Social todos os meses para receberem o cheque, sempre transportados em grandes carros pagos em CASH no stand (Mercedes, Audi).
Vamos continuar assim? Que beneficios temos nós simples mortais pagadores de impostos, taxas e mais taxas.
Conseguimos manter os nossos filhos nas escolas?
Muito pertinente o seu comentário. Além de cidadã a braços com todas as limitações e restrições que tempo de fazer neste momento, sou professora. Lido diariamente com situações que me fazem pensar e foi com tristeza que verifiquei este ano que alguns alunos não poderiam prosseguir estudos por falta de meios. Gostava de ter uma resposta positiva mas está mesmo muito difícil. Desejo-lhe a maior das sortes.
Boa tarde. Sou jornalista e estou a preparar um trabalho sobre a maneira como os pais conseguirão, ou não, pagar o material escolar(livros e afins) aos seus filhos. Neste sentido, procuro pais que tenham dois ou mais filhos de modo a abordar as dificuldades que vivem as famílias quando está em causa o direito à educação. Não sei se estaria interessada ou se conhece alguém nestas circunstâncias. Para mais esclarecimentos, queira entar em contacto para o 910019509. Liliana Prates
Olá Liliana, posso pôr o seu pedido no meu perfil do Facebook, porque eu não me enquadro nesse perfil.
Leonor, tudo isto é um absurdo. Confesso que respiro de alívio por já não ter de gastar em livros escolares as fortunas que vejo aqui. Nos tempos que correm, não sei mesmo como conseguiria. Talvez devêssemos voltar às sebentas e aos cadernos de apontamentos… pelo menos, estão mais de acordo com as finanças nacionais.
Completamente, Ana. As pessoas em vez de irem de férias compram manuais para os filhos e nem assim chega para alguns. É profundamente injusto. Deixei de ser tão dura em relação aos manuais e acabo por permitir que vejam uns pelos dos outros. Quando argumentam que os pais não podem pagar, que argumento tenho eu para contrapor?
Claro, fazes muito bem.
Um espanhol perguntou-me o que era o Acordo Ortográfico. Respondi-lhe que era uma puta de língua…
(desculpa, Leonor)
Ehehehehe
Alguem me consegue explicar a razão de os manuais
em relação a autores, variarem de escola para escola.
NÃO SERA MANEIRA DE DAR TACHO A MUITA GENTE…
Os manuais variam porque os professores são outros e cada área disciplinar (grupo de professores que lecciona a mesma disciplina) escolhe de acordo com a sua realidade e também com o que acha correcto.
Pois eu tenho dois filhos, 7º ano e 10º ano, e apenas precisei de comprar um livro para o 10º ano e dois para o 7º ano. Antes de comprar vi os que tinha em casa, do filho mais velho ( apenas mudou o de L.P.) e pedi a colegas livros usados para o 10º ano.
Muitas vezes as pessoas gostam é de gastar à toa!!! Tenho exemplos disso!! Os livros do meu filho mais velho serviram sempre para o mais novo. ORGANIZEM-SE ANTES DE SE QUEIXAREM!!!! Os meninos têm de perceber as necessidades dos pais!!!
Que gastámos à toa em anos anteriores não restam dúvidas, o resultado está à vista, mas não me parece linear que as pessoas gastem dinheiro porque querem. Não precisa de ser agressiva, é mais que legítima a minha preocupação e a dos comentadores anteriores.
Pois eu tenho duas filhas 9º e 6º e por mais que eu queira os livros da mais velha não da para a mais nova. E dado que os livros são alterados de 3 em 3 anos a mais os livros do meu sobrinho (vai ao o 8ºano ) também não se aproveitaram. No entanto a minha cunhada aproveitou os livros do ano passado da minha mais velha. Eu bem que me quero organizar, mas sinceramente em relação aos livros não existe mesmo hipótese Talvez para o próximo ano….
Olha que está enganada, os manuais escolares são escolhidos por um período de seis anos agora. Antes é que era menos. Pode ter apanhado esse período de transição dos manuais.
Peço desculpa, era a informação que eu tinha.
No problem 🙂
Pois é, mas existe dinheiro para financiar o ensino privado.
Esse dinheiro era bem melhor empregue se revertesse para, de qualquer forma, subsidiar as famílias carenciadas, que são muitas e o dinheirinho para subsidiar o privado é dos impostos de todos.
Sempre pensei que qualquer actividade denominada como privada era mantida pelos promotores , pelos vistos não.
Ora aí está uma situação que não entendo nem aceito. Público é público, privado é privado. Um colégio aqui na zona onde eu moro, onde há escola pública, recebeu do Estado 13 milhões de euros num semestre, julgo em 2008. Dava para construir uma outra escola pública aqui. Uma afronta a todos nós. Acho uma certa piada quando se queixam ainda por cima que o que recebem é pouco: pagam miseravelmente aos professores, quase não tem funcionários, para onde vai o dinheiro?
Cada caso é um caso. Existem bons e maus exemplos do chamado ensino cooperativo e associativo.
De um modo geral, e ao contrário do que referiu, fica mais barato um aluno nesse tipo de ensino do que no público. Há várias despesas de construção de escolas, manutenção dos edifícios, impostos que deixam de ser cobrados, etc. que inflacionam o custo no público. Além disso não estamos propriamente a nadar em dinheiro para construir uma rede escolar que acolha a maioria dos mais de 80000 alunos do ensino subsidiado pelo estado.
Ora se fica mais em conta, se, de um modo geral, conseguem bons resultados (por vezes superiores ao público), englobam muitas famílias carenciadas, não vejo – a não ser por opções ideológicas – porque não apoiar este tipo de ensino com as devida regulação.
Concedo que possa haver bons exemplos e que nalgumas situações as escolas se estejam a substituir ao público, como no caso de Penafirme. Contudo, o que conheço não confirma essas situações que refere. Não lhe parece abusivo que uma escola privada receba num semestre 13 milhões de euros, sem que isso represente qualquer melhoria para a população que serve?
Claro. Daí eu ter dito que com “a devida regulação”, ou seja, nos casos em que o estado não pode assegurar ensino a essa população e de modo a que não seja uma mina de ouro para as escolas privadas. Não se pode generalizar.
Não, não se pode.
As minhas filhas andam num colégio particular em Loures. Conhece Loures? Conhece as escolas de Loures? Recebemos (os que tem direito) comparticipação escolar que só é paga no ano seguinte. Ou seja em relação a 2010 só recebemos em 2011. A comparticipação e somente sobre a mensalidade. Tudo o resto pagam os pais. (o que eu acho muito bem). Se recebemos pouco? Sinceramente este ano (só vou receber em final de Janeiro se tudo correr bem) senti um corte muito grande na comparticipação, quase 50%.
Sim, conheço Loures mas não profundamente. É uma opção que respeito inteiramente.
As escolas que criem os seus proprios manuais e coloquem em formato .pdf na net para que as familias tirem copias conforme as necessidades.
E o negócio das editoras?
E o negocio das escolas que vendem os manuais? Ou pensam que as escolas não ganham com isso?
Uma coisa lhe garanto: a minha escola não ganha com isso. São processos independentes, os livros são escolhidos por nós e vendidos nas livrarias. Nos dias que correm, mesmo nós, professores, só recebemos os manuais se forem adoptados na escola. Acabou o tempo em que se recebiam muitos.
O manuais podem ser adquiridos em qualquer lugar que os tenha. Também sei que as livrarias tentam impingir cadernos e caderninhos para ganhar dinheiro. Contudo, sei que numa escola privada aqui perto vendem os manuais que são lá adoptados. Se ganham com isso, não faço a menor ideia.
Não consigo entender porque não são as escolas distribuir os livros,a minha filha vai para o 7ºano e vou ter de gastar cerca de 300 euros,fora o resto do material ,mochila e afins…
Em Setembro não posso nem pensar gastar dinheiro noutras coisas.
Muita coisa tinha de mudar para que assim fosse. Duvido que houvesse coragem política para o fazer. Mas concordo, devia ser como em França ou na Alemanha.
Em relação ao custo dos manuais, este será o primeiro ano que me vai «doer» a sério – com o mais velho a entrar para o 5º ano (o mais novo ainda está no pré-escolar) a fatia de cerca de €200,00 que terei de desembolsar só para os livros leva quase metade do meu salário…confesso que me irrito com as contestações e exigências de quem coloca os filhos no privado e fico «fula» quando me falam em «acordo ortográfico»! mas o que me faz ter a cabeça em água quando se aproxima o novo ano escolar é a incerteza sobre o que vai acontecer a certos apoios (mínimos, é certo) que ainda tive no ano anterior pelo facto do meu filho ser portador de PHDA – como o caso de um psicólogo e o direito a uma turma com menor número de alunos…com cortes a torto e a direito como os que temos tido , aposto que vem aí mais um «sapo» para engolir!
Desculpe o desabafo…
abraços
É mais que legítima a sua irritação e preocupação. Pode desabafar à vontade. Aqui falamos de tudo e desbafamos muito também. Afinal, o que é um blogue se não uma forma de desabafo? 🙂
Em relação a apoios, não vai ser fácil, esta política de cortes aplica-se também ao Ensino. No Secundário a PHDA não é elemento redutor de turma, o que quer dizer que a turma do seu filho terá entre 24 e 28 alunos de acordo com a legislação. Muito boa sorte para este próximo ano lectivo. Que tudo corra pelo melhor.
Abraço
obrigada 😉
de facto ficou inserido numa turma de 25…a ver vamos!
Até aqui há dois ano, julgo, se a turma tinha alguém com uma desordem não podia ter mais de 20 alunos. Maria de Lurdes Rodrigues acabou com isso por razões meramente economicistas. Agora só em situações muito graves.
Em relação ao seu filho, ele deve ter PEI e os professores são informados logo na primeira reunião do ano lectivo de forma a que actuem em conformidade.
Boa sorte 🙂
E pior que tudo é: comprar um livro de educação fisica
do 5º e 6º anos que me custou 15.63 euros e nunca foi
Inadmissível, Isabel. Não é aceitável que se mandem comprar livros e que não sejam utilizados. É uma total falta de respeito.
Tens toda a razão, Leonor.
Isto tira-me do sério. O preço dos manuais é um abuso. O preço dos livros em Portugal é um abuso.
Deveria mandar a factura ao min.educação. Afinal é obrigatório até ao 12º ano :))
Isso mesmo 🙂
Já agora, e porque também me deparo com esse problema, alguem me sabe dizer onde é que posso entregar manuais escolares de anos anteriores? Estamos a falar de várias caixas…
Corta-me o coração só de olhar, e pensar no valor que ali está em manuais que, alguns deles, nem foram á escola….
Sei que a Câmara do Seixal tem um banco de manuais mas não conheço mais nada. Às vezes também há campanhas de recolha de manuais para alguns países africanos ou para Timor mas são situações pontuais.
Pois é mas só mesmo no país onde vivemos é que nos fazem crêr que é mesmo assim agora vai umas perguntas quantos bons alunos perde o país com este processo de educação? e genios tb perdemos concerteza? agora o que sei do resto da europa no norte o estado compra os livros e empresta-os os alunos devolvem no final do ano para serem emprestados no ano seguinte a outros, e os alunos são acompanhados e encaminhados para a sua vocação sem perdas de tempo em aulas mais ou menos inuteis como por cá, lá o ensino é gratuito para todos e não tendencialmente gratuito como cá. Resultado eles tem os países que têm e nós temos o que todos sabemos. pesquisem e vejam as diferenças.
Um destes dias vi uma reportagem interessante sobre o Imperial College em Londres. Diziam eles que além das notas dos alunos faziam uma entrevista para admissão, porque poderia haver alunos que por situações conjunturais não tivessem conseguido boas notas mas que poderiam ser brilhantes ou enquadrar-se no perfil. Pareceu-me muito bem. Isto tudo para concordar consigo. Nós somos também as oportunidades que tivemos ou as que não tivemos. Um sistema assim está a excluir. os alunos que não tem poder económico, o que é uma injustiça.
Efectivamente o que interessa hoje em dia é a margem de lucro que tem de ser choruda…Eu sempre estudei pelos manuais que foram usados pelo meu irmão até ao 9º ano. Depois disso os custos em livros para os meus mais subiram exponencialmente visto termos seguido áreas diferentes mas não foi por isso que deixei de tirar o curso, sendo que bem vi os sacrifícios por eles feitos para nos darem uma boa educação. Paguei a minha universidade, e os valores dos livros são igualmente absurdos nos dias que correm, e na nossa realidade. Quando financeiramente posso, compro livros – independentemente se servem para o mestrado, ou se são para lazer – mas quando não há possibilidades ficam nas prateleiras das livrarias.
Outro dos pontos aqui referidos foi a fotocópia de volumes e o empréstimo dos mesmos, bem como a utilização do formato pdf. Concordo plenamente com o uso dos mesmos. Eu própria recorro ao uso do pdf em matéria relacionada com o meu mestrado. Não só pelo custo dos livros – que podem ascender em Portugal a mais de 100€ cada – como também pelos factores espaço e inexistência dos mesmos nas nossas livrarias. O recurso ás bibliotecas nacionais é condicionado pelos horários de funcionamento das mesmas, visto que a fecharem ás 17/18h torna-se impossível consultar alguma coisa quando se trabalha até essas horas.
É proibida mas sempre se usaram fotocópias. Já quando estava na faculdade também e nessa altura era muito difícil conseguir obras noutras línguas que não o português.
O preço dos livros em Portugal é proibitivo. Na Alemanha um livro de capa mole custa entre nove e dez euros, em Inglaterra não foge muito a isso. Não se compreende que cá sejam tão mais caros. É também uma questão de mentalidades de tornar tudo mais acessível. Enquanto não mudarmos isso vai ser difícil.
É proibido mas algumas universidades recorrem a elas em larga escala, precisamente porque alguns dos manuais e livros utilizados nos cursos simplesmente estão esgotados. Também cheguei a fazer fotocópias como muitos dos meus colegas de curso, sendo que quando uns têm livros e fotocópias que os outros não têm e precisam, emprestamos uns aos outros.
Sim, claro.
De facto a quantia a despender é elevada, no entanto é mais barato que qualquer das bugigangas que os pais acumulam todos anos (telemóveis, Lcdt, Pcs, férias, etc).
O livro de uma determinada matéria, acumula saber para um ano inteiro, se os nossos filhos conseguirem acumularem todo o saber que lhes é oferecido, serão o que quiserem. Portanto apesar de caros, o saber que um livro contém, é bem mais importante do que um jogo da Playstation ou umas unhas em gel. Sei que maioria não me vai compreender, mas a vida é assim mesmo. Um bem-haja a todos.
Eu compreendo o que diz. Não se pode comparar o que um livro pode proporcionar e um gadget, mas nem para todos. Por outro lado, a maior parte das situações que conheço não se enquadra nesse perfil que muito bem descreve. Há de tudo. Nós sabemos que às vezes quem pede ajuda ao Estado é quem foge aos impostos, tem uma profissão liberal, leva os filhos à escola de Mercedes e depois tem o desconto máximo nas refeições dos garotos. Acontece infelizmente. Por isso defendo que haja mau de ferro para quem vive à custa de todos nós.
Mas há algo que a Leonor não põe em consideração – é que quem tem ordenado mínimo e abaixo, ou pelo menos seja isso (ou menos) o que declare, tem direito a apoio nas escolas: para os livros, para o passe, para a alimentação.
Resultado – esses jovens de condição “pobre” vestem melhor e têm telemóveis melhores do que a vulgo classe média.
É revoltante mas a maior dificuldade presentemente nem está nos ordenados mínimos… Tenho um vizinho que trabalha nas obras e não declara o que recebe, a mulher trabalha-a-dias e também não declara têm os 3 filhos numa IFSS e ainda recebem comida todas as semanas do centro paroquial e roupa quando é necessário.
À volta deles famílias de classe média vêm-se e desejam para garantir pão até ao final do mês, pagar a casa, comprar os livros e vestir os miúdos. Quase dá vontade de deixar o emprego que nos leva metade para os impostos e mais % dos subsídios e declarar pobreza.
No comentário acima respondo parcialmente à suas questões. Fiscalização e mau pesada para esses. É um abuso.