O Tratado de Lisboa. O crescimento evidente das forças centrífugas nestas europeias enterrou de vez a reforma institucional, confirmando que Bruxelas pretendeu dar o passo maior que o pé ao fazer aprovar em petit comité, na cimeira de Lisboa, um documento à revelia da vontade real dos povos. Só falta mesmo o Partido Conservador chegar ao poder em Londres e concretizar aquilo que os trabalhistas deviam ter posto em prática: um referendo sobre o tratado. O referendo que também nos foi negado apesar de constar das promessas eleitorais feitas em 2005 por socialistas e sociais-democratas.
Na hora em que alguns já festejam um fim de ciclo, confundindo europeias com legislativas e a abstenção de Junho com a abstenção de Outubro, convém sublinhar: nada distingue o discurso europeu do PS e do PSD. Nada mesmo.


O maior problema começa por ser encontrar um discurso europeu ao PSD e ao PS. Tirando meia dúzia de generalidades, por ali segue-se a cartilha do imenso bloco central europeu (PPE + PSE) e pouco mais. Muito pouco para os dois maiores partidos nacionais.
Penso o mesmo. Devemos exigir-lhes mais, sem nos contentarmos com o arremedo de programa que nos apresentam. Devemos exigir-lhes, sobretudo, o cumprimento das promessas mais emblemáticas. O referendo europeu constava do cardápio das promessas dos dois maiores partidos, que tranquilamente o varreram para debaixo do tapete. É inaceitável.
O maior problema é geral. Convenceram-se que a Europa só pode ser construída nas costas dos cidadãos e que é um acto de coragem agir contra a opinião pública. Por estas e outras se vai esvaziando o sentido da Europa. Por estas e outras a abstenção é o que é.
:))
Pois é. E por estas e por outras é que as vozes de protesto se multiplicam, Maria do Sol. Saudavelmente.