Nenhuma dúvida sobre a característica especial destas eleições, onde funciona sobretudo o voto de protesto. Os eleitores que se deram ao incómodo de votar (pouco mais de um terço dos portugueses inscritos nos cadernos eleitorais) indicaram sem equívocos que o balanço da actuação deste governo é negativo. E também é negativa esta forma específica de governar, com um primeiro-ministro sobranceiro e arrogante, que hostiliza as oposições e diversos grupos sociais, cada vez mais dissociado da realidade, à semelhança daquele seu ministro – e fiel discípulo – que em 2006 proclamava aos sete ventos o fim da crise. Encerrado no seu pequeno reino de yes men, preocupado quase em exclusivo com acções de propaganda, José Sócrates terá sido o último a perceber os indícios de mudança.
Só mesmo ele poderá espantar-se com este divórcio entre o PS e os eleitores. Há quatro anos vivíamos melhor.


Sem dúvida que Sócrates está a pagar por alguns erros passados, dúvidas, suspeições, uma péssima escolha no candidato para a Europa, entre outras coisas. Muitas, possivelmente. O povo lixou-o.
O povo, que tem memória curta, diz-se, mas estou cá desconfiado que a memória do povo vão sofrer um “up-grade” e no próximo governo psd, estou mais que convencido que há-de haver muitos a dizer, “volta Sócrates, estás perdoado”.
E esses muitos, serão os muitos daqueles que vão para as “caraíbas, punta canas e mexicanas” 50 vezes por ano, e para o all garve 500, nas semanas recheadas de feriados e que deixam os destinos de todos entregues a meia duzia…
Os tais que passam a vida a dizer mal da porcaria onde estamos metidos.
É um fartote…
Não foi o povo que lixou Sócrates, foi Sócrates que lixou o povo.
Ana, concordando consigo, discordo também. Confuso… pois.
É aqui que está a memória curta do povo.
Como já o Carlos Barbosa de Oliveira, num novo post disse, que começou isto tudo, foi Manuela Ferreira Leite e o se psd.
A tal que agora quer ser 1ª ministra.
Por isso é que eu digo, o povo vai lembrar-se e há-de querer Sócrates de volta.
Porque se isto está mau, qdo MFL for 1ª ministra, ou outro da mesma cor, isto vai ficar bem pior.
Mas não deixa de ser o que merecemos.
Eu acho que merecemos.
Espero que seja só, ATÉ UM DIA…..
Um bocadinho confuso, de facto. Mas acho que percebi a sua ideia, não concordo é com ela.
É indiscutível que a preocupação doentia com a propaganda não lhe permitiu que a própria propaganda tivesse intervalos para avaliação dos efeitos. Cá se fazem, cá se pagam.
Os blogues que andaram a endeusá-lo foram os primeiros a prestar-lhe um péssimo serviço.
Eu exerci o meu direito de voto.
Eu não acredito nos políticos deste País
Eu nunca votaria num “avô cantigas” que ainda por cima é dissidente.
Eu estou triste por ver este País a cair aos bocados!
Pedro, concordando na integra com o seu post, quero apenas deixar um apontamento: O Pedro já por varias vezes insistiu na ideia de que vivíamos melhor ha 4 anos. Verdade. Mas vivíamos melhor há 2 anos (e melhor do que há 4), antes de se começarem a sentir os sintomas da crise. O Pedro Insiste em avaliar este governo pela situação actual, quando eu considero que deveria ser comparada com o estado do país em finais de 2007. E aí os sinais mostram que até estávamos a melhorar um pouco. A crise internacional, se tem culpados (e tem), são os que a causaram ou terá sido Socrates a provoca-la, desde logo, nos EUA?
Abraço.
Ricardo, quando refiro os quatro anos estou naturalmente a comparar o início e o fim da legislatura. Esse será o padrão que a maioria dos eleitores, de forma mais ou menos consciente, terá como referência no momento de assumir as novas opções eleitorais. Já passaram, aliás, mais de quatro anos – esta será uma legislatura anormalmente longa. O desgaste deste Governo é notório. Também por isso.
Concordo com o seu post Pedro Correia, só não concordo com a assinatura “Há quatro anos vivíamos melhor”. Acho redutor, porque se a crise internacional não tem rebentado outro galo cantaria, para o bem e para o mal. Eu por exemplo não tenho vontade nenhuma de regressar aos tempos do santanismo, mas cada um fala por si.
Não me refiro a factores políticos, Ariel. Apenas a critérios objectivos, do dia a dia, relacionados com o desafogo económico, com a estabilidade social, com as perspectivas de futuro – e também, já agora, com as promessas não cumpridas.
Mas se quisermos falar de política o argumento da crise internacional dos últimos meses como razão para a quebra de 18 pontos percentuais do PS não colhe, já que muitos governos europeus – presumo até que a maioria – passaram sem problemas por este teste eleitoral das europeias.
Não me custa concordar consigo Pedro, é uma evidência o que diz, há com certeza factores internos que predispõem os eleitores ao voto de protesto. Só que eu parto do principio que este país não se endireita. Os males vêm de trás , o próprio cavaquismo teve desperdícios de fundos incalculáveis, a malta habituou-se ao crédito fácil, o que quer é gastar dinheiro e neste momento em que nos vemos ao espelho, pobres como os pobres, à boa maneira portuguesa, alguém tem a culpa. Seria o mesmo se fosse o psd no poder. Estive fora a semana passada num seminário internacional da minha empresa. Falei com os meus colegas italianos, todos de direita, envergonhadíssimos com o Berlusconni e com o poder das máfias italianas, e no entanto veja a votação. Como se explica aquilo?
É sempre uma falta de alternativas, Ariel. Em Itália Berlusconi não tem alternativa: à esquerda sucedem-se os ‘líderes’, que nada lideram, não conseguindo sequer arrumar a própria casa. Sucede o mesmo com o partido socialista em França, dividido por quezílias internas que o colocaram agora, com 17%, na posição mais baixa de sempre. Durante quase quatro anos Sócrates também não teve alternativa real por cá: daí o seu tom arrogante e a sensação, entre os seus pajens, de que a maioria absoluta iria eternizar-se.
Felizmente confundiram os desejos com a realidade…