BLOCO CENTRAL
Nas europeias de 2004, PS e PSD (este coligado com o CDS) somaram 77,8% dos votos. Nestas eleições, a percentagem obtida pelos dois partidos encolheu quase vinte pontos: obtiveram apenas 58,3%. O que significa isto? Que o bloco central de que tanto se falou nos últimos meses tem hoje muito menos condições de vingar no País do que tinha há cinco anos. À esquerda e à direita, desenvolvem-se maiorias aritméticas consistentes e alternativas. Resta ver se algumas destas maiorias aritméticas se transforma em maioria parlamentar. O facto é que a expressão ‘bloco central’ parece agora mais fora de moda que nunca – a tal ponto que ninguém voltou a mencioná-la desde a noite de 7 de Junho. Enfim, um indício de sanidade na vida política portuguesa.


Ou seja, não faz sentido colocar “another brick in the wall”.
: ))))
O ‘brick’ não será rosa alaranjado, Maria do Sol.
Eh!Eh! Olhei para a imagem e também me lembrei logo desse tema dos Pink Floyd
Você não está a ver bem o filme. É exactamente o contrário: quanto menor o resultado conjunto dos dois partidos, mais provável se torna o Bloco Central.
Nem pensar. Quantos mais crescerem as margens, mais imprescindíveis se tornam num governo. ‘Bloco central’ implica uma larguíssima maioria parlamentar em São Bento, quase sinónimo contemporâneo de União Nacional. Foi, de resto, o que sucedeu em 1983: PS e PSD coligaram-se numa altura em que ambos os partidos tinham grande proporção parlamentar. Um PS fraco jamais se aliaria ao PSD, e vice-versa: seria puro acto de suicídio político.
O que sucedeu em 1983 foi isto:
PS: 36,11% = 101 mandatos
PPD/PSD: 27,24% = 75 mandatos.
A soma dos votos dos 2 partidos estava bem mais baixa do que veio a estar entre 1987 e 2005. Foi justamente porque nenhum deles conseguia construir uma maioria sem o outro que houve Bloco Central.
Também acho que é saudável para a democracia que o bloco central se inviabilize. É bom que refresque com coligações alternativas.
Há uma frase do Ibsen de que gosto muito: «A minoria tem sempre razão». Penso nela com frequência, nestes tempos de (ainda) maioria absoluta.
Os dois partidos coligaram-se não por terem baixa percentagem mas por ausência da parceiros alternativos. Muito diferente do que sucede agora. BE, CDU e CDS somam quase um terço do eleitorado. De resto, o primeiro Governo de Cavaco (minoritário) formou-se com apenas 29% de votos conquistados pelo PSD. Nessa altura sociais-democratas e socialistas somavam 50% e nem assim houve bloco central. E muito bem: hoje toda a gente diz que esse foi um dos melhores governos.
Bem andavam a atirarar o Bach à parede [ao bloco]…mas o que aconteceu foi uma espécie de tocata e fuga…em si, ou dó, menor talvez…
🙂
Às vezes, a melhor estratégia é mesmo a arte da fuga…
Tem graça, eu voltei a escrever a expressão “Bloco Central” precisamente a 8 de Junho, logo a seguir às eleições, no meu blogue. Contrariando portanto a última frase deste post.