Derrotados (16)


Pedro Correia,

 

A arrogância sai derrotada deste escrutínio europeu. Uma arrogância bem expressa nestes 20 segundos de declarações de Vital Moreira à Antena 1, no passado dia 1, sobre o seu rival Paulo Rangel em que procurava justificar a sua incompreensível falta de acordo para um frente-a-frente televisivo:

"Eu é que não estou disposto, perante a incapacidade do líder da lista do PSD em ter o povo consigo, a dar-lhe uma boleia na televisão. Se ele quiser falar para os cidadãos, que vá à procura dos cidadãos e que atraia os cidadãos. Agora utilizar-me como lebre e utilizar a televisão para ir ao encontro dos cidadãos, não conte comigo. Não estou para fazer fretes."

Seis dias depois, o País percebeu quem tinha afinal "incapacidade em ter o povo consigo". E talvez Vital Moreira tenha aprendido, embora tarde de mais, que a arrogância é sempre má conselheira. Na política como na vida.

 

A minha vénia à Joana Lopes, a quem pedi emprestado o som da Antena 1.

 

ADENDA. A arrogância, como já referi aqui, parece ter-se apossado também de alguns blogues socialistas, incapazes de lidar com a realidade. Só isso explica que haja quem se insurja contra a  "tolice" dos eleitores, parecendo dar-lhes uma reprimenda por terem votado como votaram. Excessos de zelo que em nada beneficiam o PS: só o prejudicam.

15 comentários em “Derrotados (16)”

  1. A arrogância é, de facto, um taço de união entre muitos apoiantes do PS na atualidade.

    Sócrates é de uma enorme arrogância. Mas podia ser só ele.

    Notoriamente, no entanto, além de Vital Moreira, sofrem do mesmo mal do espírito outros apoiantes indefetíveis de Sócrates, por exemplo a Fernanda Câncio e o João Pinto e Castro do blogue Jugular.

    É para mim difícil de compreender. Será que as pessoas arrogantes têm atração e se identificam umas com as outras?

    1. Estes vintes segundos de Vital Moreira na Antena 1 mostram bem por que motivo o PS perdeu estas eleições e revelam até que ponto foi sábia a decisão dos eleitores em derrotar o partido do Governo. É arrogância a mais. Pensavam que já tínhamos chegado à Madeira.

  2. Infelizmente, Pedro, não acredito que burros velhos aprendam línguas. Na verdade, até tenho a mesma convicção sobre os burros novos. E não me refiro, naturalmente, aos simpáticos equus asinus

  3. Absolutamente, caro Pedro. Neste particular, Sócrates escolheu um candidato à sua imagem e semelhança, acreditando no célebre mito de que o povo português gosta de “líderes fortes”, mas deu-se mal. Portugal mudou, os cidadãos preferem um discurso real, objectivo e explicitado de forma a que compreendam o que está em causa, não declarações emanadas de uma torre de marfim. A arrogância foi de facto uma das grandes derrotadas no dia 7. Um abraço!

    1. Olá, José. Também acho que “os cidadãos preferem um discurso real, objectivo e explicitado de forma a que compreendam o que está em causa”. Arrogância gratuita? Não, obrigado.
      Um abraço

  4. Caro Pedro Correia,

    Indo ao fundamental, que pode parecer o acessório mas divergências de opinião não vale a pena debater em comentário, eu penso que o que João Pinto e Castro disse não chama mais inconsistentes aos eleitores do que o que, por exemplo a Maria João escreveu no Insurgente:

    “”Um resultado destes para um partido como o BE é dramático. E o maior perigo é que, apesar da baba que os jornalistas vertem quando referem ou assistem o BE, a maioria da população entra em pânico se pensar que o Bloco pode ter qualquer pingo de influência num futuro governo. Não estou convencida que este resultado do BE não assuste muitos eleitores e os faça votarem no PS nas legislativas para nos livrarem deste real perigo bloquista.”

    E não me vai dizer que o Insurgente está ao seviço do PS?

    Além do mais reconhecerá, penso, que o JPCastro não é propriamente um yesman de Sócrates.

    Carlos Santos

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