A democracia representativa fez marcha-atrás nestas europeias, em que se registou a mais baixa taxa de participação eleitoral de sempre. Um facto que deve fazer pensar todos os políticos: a Europa não se constrói sem votos. Como ensinava Tácito há vinte séculos, "para aqueles que só ambicionam o poder não há meio caminho entre o cume e o precipício".


Nem mais. A meu ver, a União Europeia tem grandes condições para seguir em frente e pode criar ainda mais para o assegurar. Só lhe falta uma coisa: ter europeus. Se não conseguir tê-los, vai ser muito mais difícil, para não dizer impossível.
Há muito que entendo que a Europa deve resultar de pequenos e graduais passos, sempre em consonância com a vontade dos povos, sem engenharia social e políticos de uns ‘iluminados’ de Bruxelas que nem querem ouvir falar em referendos. Esta ‘engenharia’ está a destruir o projecto europeu, como é cada vez mais patente.
O comentário do João, bate no ponto. Na verdade, que esperar da participação de eleitores que, sistemática e deliberadamente, têm sido arredados de quase tudo o que diz respeito à Europa, com o argumento (entre outros) de que as questões são muito complexas? Só os autodidactas se safam e, por isso, cada vez é menor a taxa da participação.
Luís: devemos protestar, as vezes que forem necessárias, contra o facto de jamais termos sido consultados em Portugal sobre os sucessivos passos da construção europeia. É urgente pôr cobro a isso.
(…)a Europa não se constrói sem votos(…)
Tem toda a razão.
E os votos não se conseguem quando em campanha eleitoral se promete um referendo sobre a Europa e depois, porque os eleitores nunca compreenderão o que é essa treta do Tratado – vital roubalheira dixit – acaba por não se fazer referendo nenhum.
Com aldrabice e arrogância também não se constrói Europa nenhuma.
Pois não.
Deveriam ficar vazios os lugares?
Infelizmente, Daniel, por maior que seja a abstenção os lugares acabam sempre por ser preenchidos. É por isso que não nos devemos abster: outros acabam sempre por escolher por nós.