Saudemos o 70º aniversário de Michèle Mouton: vencedora em 1975 da classe S2.0 nas 24 Horas de Le Mans; vice-campeã europeia de ralis em 1977; vice-campeã mundial de ralis em 1982 (ficando à frente do seu colega de equipa, “um tal” Hannu Mikkola); vencedora em 1984 da classe Open Rally (e segunda à geral) na sua estreia na mítica Pikes Peak; vencedora no ano seguinte da Pikes Peak com um tempo treze segundos mais rápido do que o recorde anterior; campeã em 1986 do Nacional de Ralis da Alemanha, com a particularidade de ter vencido todas as corridas que terminou.
E tudo isto, veja-se bem o topete, quando ainda nem tinham nascido muitos dos que hoje enchem discursos, editoriais e redes sociais com paridades, quotas, representatividades, hashtags e jargões semelhantes.
(*) “Der Schwarze Vulkan” (o vulcão negro) foi a alcunha que lhe deram na Alemanha devido ao temperamento e longo cabelo preto.



Ela já tem 70 anos? Caramba, o tempo passa mesmo…
Pois passa, Pedro, e o que me assusta é como cada vez mais me parece estar a acelerar.
Michèle (vi ali uma gralha).
Obrigado, Pedro, já está corrigido (e o éle a mais suprimido). Agradeço-lhe a simpatia de o considerar gralha e não aquilo que foi: aselhice causada por uma cultura muito pouco francófona.
Cresci a ouvir os relatos do Audi Quattro dela, com 500cv, que fazia tremer o chão a duas curvas de distância.
Nos dias de hoje, ninguém que lhe chamasse “schwarze” poderia manter o respectivo emprego.
Os carros de grupo B tiveram, naquela metade dos anos 80, uma evolução impressionante, duplicando de potência em cinco anos. Recordo-me de ler que os carros de fábrica disputaram em 1986 o rali de Sanremo com perto de 600 cavalos e saias aerodinâmicas: autênticos fórmulas em estrada. Junte-se isso, turbocompressores com grande latência e progressividade nula e condições de segurança na estrada que não passavam ainda de uma vaga esperança, e temos carros que chegaram a assustar pilotos de topo.
Foi preciso morrer Toivonen…
A morte de Toivonen, parece-me pelo que fui lendo, foi como o levantar da tampa de um tacho cuja água já se sabia estar em ebulição.
As pessoas assistiam à corrida literalmente em cima da pista. Isso é que era vibrar com o risco…
É assustador…
Quanto à Michèle Mouton, por aqui se vê que as mulheres não precisam das quotas para nada. 💪
Concordo com tudo.
Para mim uma história interessante foi quando Michelle Mouton bateu o record de Pikes Peak, e o norte-americano Bobby Unser, ferido no orgulho, por ter perdido na sua casa para um europeu e ainda por cima mulher disse de que o feito dela se devia apenas ao carro. A reposta de Mouton, “If you have the balls you can try to race me back down as well.” Nada feito as bolas dela no peito são maiores de que as que ele tem entre as pernas
Para pilotar depressa aqueles Grupo B, era preciso “tê-los no sítio”. E ela “tinha-os”.
Bem lembrado.
Vi-a correr muitas vezes. Uma mulher e uma lenda.
Acho extraordinário como a sua carreira nos ralis tenha, por comparação, feito de uma presença em Le Mans com vitória na classe (e numa tripulação integralmente feminina) pouco mais do que uma mera nota de rodapé na página da Wikipedia.
Michelle, ma belle
These are words
That go together well
My Michelle
Tão rápida, mas tão rápida que me interrogo se não terá dito alguma vez “é tão bom, não foi?”
A segunda vez que a vi tive que andar durante alguns quilómetros com a minha namorada da altura ao colo, às cavalitas e às costas, depois dela ter torcido um pé. Muito padece quem ama e eu com uma “directa” em cima, para além da namorada.
Michelle Mouton e Fabrizia Pons, uma dupla inolvidável a fazer voar o Audi Quattro. E aquele odor inebriante a óleo de rícino, quando os carros passavam, também.
É um bocado lateral, isto que vou escrever, mas o seu comentário fez-me recordar algo que um colega meu, fervoroso seguidor de eventos motorizados, me disse há anos: que as corridas de estrada, sejam ralis ou rampas, têm uma atmosfera diferente das corridas em circuito.