Ana Catarina Mendes (PS)
Tenho acompanhado o percurso desta deputada desde a sua estreia em São Bento. Fiz-lhe, aliás, a primeira entrevista que deu logo nesses dias em que iniciou as funções parlamentares. Foi motivo suficiente para passar a seguir com atenção a actividade posterior de Ana Catarina Mendes. Tem sido um percurso seguro, consistente, credível. Agora como vice-presidente da bancada do PS, revela grande capacidade de trabalho, prepara-se bem para os debates, estuda os dossiês e não abdica do pensamento próprio nas questões de consciência. Foi assim em várias matérias: mesmo quando a disciplina de voto se impõe, por decisão da cúpula socialista, não deixa de manifestar discordância em declarações de voto que entrega na mesa da Assembleia da República. Nem cede em relevantes questões de cidadania. Por isso não me admirei de a ver, há dias, na manifestação do Chiado em defesa da vida da cidadã iraniana Sakineh Ashtiani. Havia poucos deputados por lá, mas ela não faltou. Gostei de a ver.


Pedro, permita-me que lhe pergunte, a propósito da utilização da expressão “questões de consciência”, quais são elas. Acrescento a seguinte questão concreta: a votação de um orçamento de estado, que define políticas com impacto directo na vida de milhões de portugueses, é ou não uma questão de consciência?
A votação do orçamento de estado não é uma questão de consciência: é mesmo o único caso em que se impõe, sem mais, a disciplina de voto. Por ser o maior instrumento da acção governativa. as questões de consciência, em regra, estão relacionadas com direitos em conflito.
Excelente deputada, tem ideologia e princípios. Uma esperança para um PS futuro.
Ter ideologia e princípios já é de sublinhar, nos tempos que correm. Seja em que bancada parlamentar for.
Investigue o trabalho da deputada do BE: Catarina Martins. Não estou a meter “cunha”.))
Conheço o trabalho dessa deputada, meu caro. Amanhã termina esta breve série, com a «eleição» do deputado do BE. Depois me dirá se está de acordo.