Algumas reacções ao resultado eleitoral na Grécia:
Carlos Vidal, no 5 Dias: «A Nova Democracia hoje parece ter levado o povo grego a um suicídio colectivo para gáudio da untuosa obesa que dirige a Alemanha.»
Bruno Carvalho, no 5 Dias: «Apesar de não ser um bom resultado [4,4%], o KKE [partido comunista grego] consegue, em parte, aguentar a chantagem do voto útil no Syriza e dos ataques da imprensa.»
Renato Teixeira, no 5 Dias: «É à esquerda que se deve aproveitar o pouco tempo ganho com mais seis semanas de intifada grega.»
Tiago Mota Saraiva, no 5 Dias: «Venceu o medo.»
Carlos Vidal, no 5 Dias: «Espero que o povo grego ocupe as ruas JÁ, não permita os crápulas da ND tomarem o poder, nem tentarem governar/formar governo. A justiça tem de se sobrepor à “democracia”. Nem que seja a ferro e fogo.»

A esquerda, especialmente a extrema-esquerda, nunca conviveu bem com a democracia e a livre escolha pelos cidadãos.
A democracia é bonita desde que seja para votar na esquerda, caso contrário, é um empecilho.
Ou, como dizia o outro, “quem não está connosco está contra nosco”.
Muito democrata, esta gente.
Custa é entender como é que apreenderam a escrever e não são capazes de apreender outras coisas. Talvez não leiam: talvez não saibam o que se passa em certos países. Talvez.
São irrepreensíveis democratas. Mas um pouco perdulários. O que se gasta naquele blogue em MAIÚSCULAS e pontos de exclamação!!!!!!!!!!!!
«Espero que o povo grego ocupe as ruas JÁ, não permita os crápulas da ND tomarem o poder, nem tentarem governar/formar governo.» Com esta inteligente observação, quem é que o perspicaz Carlos Vidal pensará que teria votado em nome do povo grego?
O Carlos Vidal é assim: só descansará quando vir tudo a arder. Mas é um pouco exagerado na sua piromania militante: mal surge o ‘maitre’ à mesa do Gambrinus a flamejar os crepes Suzette com ‘Curaçon’ e ‘Marc de Champagne’ e é quanto lhe basta para imaginar um assalto incendiário ao Palácio de Inverno. Talvez por influência do ‘eisbein mit sauerkraut’, aliás excelente, deglutido pouco antes. Nada que não possa ser apagado com um ‘cognac’ Louis XIII, em cálice de balão convenientemente aquecido.
A mais fina flor da esquerda caviar, portanto. Está aqui está a mandar-nos comer croissants.
Croissants, bien sur. Mais seulment avec du chocolat Guylian. Il est un vrai gourmand.
A troika, que não é mais que a agência de cobranças difíceis dos credores gregos, encorajada pelo medo que parte do povo grego demonstrou, vai exigir novas e reforçadas “reformas estruturais”, que consistem em mais baixas de salários, despedimentos e aniquilamento de serviços públicos.
Tal como aconteceu na Argentina, o governo acabará por cair por acção da rua porque as novas medidas ampliarão a já insustentável situação económica e social da Grécia. E quando os cidadãos gregos nada mais tiverem que recear perder (por já terem sido espoliadas de tudo o que tinham), então não restará medo algum que os paralise.
Augurar para a Grécia o destino da Argentina não me parece muito lisonjeiro para os gregos…
A mesma Argentina que, depois do default (no período 2002-2011), obteve um crescimento real de 90% do PIB, tornando-se no país que mais cresceu em todo o continente durante essa fase? Parece-me mais lisonjeiro que do que augurar-lhes o futuro dos bálticos…
Conclusão: devemos bater no fundo, ou seja termos um ‘curralito’, para voltarmos a crescer. Será mesmo isso que defende? Julgo ter entendido mal.
Pois é “insustentável” viver com 25000 euros ano. Avisem a maioria dos outros países incluíndo Portugal.
Mas já sustentável pedir emprestado 10% do PIB todos os anos e não pagar.
Assim se vê a qualidade das pessoas, e como corolário onde essas pessoas nos vão levar.
É como eu digo, esta gente não lê.
Se me fosse possível, mandava-o para a Argentina, para ver se apreendia qualquer coisa – até a saber verdadeiramente o que é a fome…
Com um bilhete só de ida, para a aprendizagem ser completa.
Pois, eu não subscrevo todas essas declarações (e algumas mesmo nada), mas falar em escolha livre neste caso só se explica por desonestidade ou uma enorme desatenção.
Essa é, genericamente, a posição assumida pelo PCP num patético comunicado em que não reconhece a queda abrupta do partido irmão na Grécia – provavelmente o mais sectário dos partidos comunistas da Europa. Ao menos na Grécia há eleições. Ao contrário do que sucede na China, em Cuba, no Vietname e na Coreia do Norte.
E quem é que precisa de eleições quando se sabe o que o Povo quer, apesar do Povo ter querido aquilo que não quer, por isso é que é preciso ir para a rua para dar ao Povo aquilo que ele quer mas que não quis pedir com medo da Sra Merkel? É mais ou menos isto no cinco dias, não é? Assim, o mais seguro é acabar com a democracia. Pelo menos arranjaram coragem para afirmar o que querem, mas que não querem que se saiba, com medo que o Povo não os queira, mesmo sabendo-se que os quer.
A ultra-esquerda hipervanguardista é que sabe verdadeiramente o que o povo quer.
Suspeito que para si “liberdade” seja pedir-para depois não pagar- todos os anos 10% da riqueza.
Sempre me fez alguma confusão haver quem chame ditadura a uma democracia e democracia a uma ditadura.
Com efeito, o sectarismo do pessoal do ‘5 dias’ é uma aberração. Todavia, não a estranho. É um vício.
Tenho uma posição própria. A crise da Zona Euro, pelas características e dimensão supranacional de que se reveste, não é solucionável por via partidária e nacional. Tome-se em atenção a subida de juros das dívidas soberanas de Espanha e Itália, a despeito do resultado eleitoral grego.
A crise só pode ser solucionada mediante acção colectiva dos países em dificuldade que levem a Sra. Merkel a colocar recursos em defesa do ‘euro’; ou então, acrescentando temporariamente mais crise à crise, extinguindo a ‘zona euro’. Parece insensatez, ingenuidade ou o que lhe quiserem chamar. Porém, sem rupturas maiores ou menores, não se resolvem conflitos. Perpetuam-se. É o que a História nos ensina.
Não me parece que a extinção da zona euro possa resolver problema algum, Carlos. Antes pelo contrário. Mas aguardarei pelo próximo ‘post’ do professor Vidal a ver se chego a alguma conclusão mais abalizada sobre esse assunto.
Pedro, um primeiro esclarecimento: nada tenho a ver com o Vidal, nem me identifico ou sequer visito o 5 dias. Sou independente e há anos tenho votado em branco ou, no caso da eleição de PR’s , nem lá vou – nas contas finais a abstenção vale o mesmo que o voto em branco.
O que entendo, e não apenas eu, é que manter a ‘Zona Euro’ nesta efervescência de expansão do endividamento dos países periféricos, de instabilidade de juros das dívidas e as economias paralisadas está a corroer as sociedades através de níveis de desemprego, pobreza e até de miséria insustentáveis.
Com um cenário e perspectivas desta natureza, extinguir o ‘euro’ e recuperar a soberania da política monetária e económica é preferível a este arremesso de UEM , de que entretanto apenas um país extraiu o máximo benefício, a Alemanha – Tony Judt em a História do pós-1945 ajuda a entender as razões. Claro que a retirada teria de ser ordenada e, temporariamente, aprofundaria a crise. Seria este o custo, para colher benefícios depois.
Há mais gente a pensar como eu. O pioneiro foi João Ferreira do Amaral, mas Fernando Madrinha no ‘Expresso’, no texto ‘Muro de Berlim’, também afina pelo mesmo diapasão. Outros existirão, sem obedecer a directórios partidários.
Ser castigado com a retirada de rendimentos após décadas de trabalho sem ser para a f.p . e depois de ter assistido ao desmantelamento da agricultura, pescas e indústrias (fui director da CUF/Quimigal sem filiação partidária, do tempo dos Mellos , recrutado em concurso) dá-nos uma capacidade de endurar para, por vezes, ter a lucidez de escolher caminhos difíceis a curto prazo e benéficos a prazo; é preferível isto a estar, por exemplo, dependentes das políticas do FMI que nunca produziram efeitos positivos em país algum – coreanos do sul e chineses mandaram-nos dar uma volta.
Uma última coisa: ser independente, ter até algum desprezo pelos partidos do regime, não pela República entenda-se, é uma posição muito difícil de ser aceite e entendida. Os libelos de comunista a facista são-nos cravados até à derme, com ligeireza e injustiça.
Cumprimentos cordiais,
Carlos Fonseca
Sim, eu também sou independente e também desempenhei funções de Direcção no Grupo CUF, mas isso não me dá especial capacidade para opinar sobre uma eventual saída do Euro, que me parece uma forma de meter a cabeça na areia…
O que eu sei, isso sim, é que no Grupo onde trabalhámos se privilegiava a competência, coisa que hoje anda um bocado escondida e, no caso dos partidos, bastante arredia. Nisso, se calhar, estamos de acordo.
Mas há uma coisa tenho como certa: um Estado, como uma empresa, como uma família, não pode gastar, sistematicamente, acima das suas possibilidades. Dentro ou fora do Euro.
E não me falem da Argentina…
Carlos, citei as minhas funções no grupo CUF/Quimigal para reforçar a legitimidade de ter conhecido, de perto, a dinâmica do tecido económico português. Não foi por exibicionismo, acredite. Também trabalhei na Covina, hoje Saint-Gobain, a única produtora de vidro em chapa em Portugal, desde 1936, que hoje está reduzida a um entreposto de 26 trabalhadores. Enfim, estes, e outros, são os problemas reais do País. Não são os meus, nem os seus.
Cumprimentos,
CF
Carlos Fonseca: eu conheço as posições de João Ferreira do Amaral, sem dúvida respeitáveis mas extremamente minoritárias entre os economistas portugueses. Ele defende a recuperação da soberania monetária, tal como alguns comunistas – suponho que Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, entre eles. Mas creio que o regresso ao escudo, para nós, seria catastrófico. Consequências imediatas, com toda a probabilidade:
– Fuga de capitais
– Quebra de investimento
– Corrida aos depósitos
– Subida dos juros da dívida
– Queda da Bolsa
– Queda do produto
– Encerramento de bancos
– Colapso do sistema financeiro
Se a situação actual tem as dificuldades que todos sabemos, um cenário desses equivaleria a um pesadelo.
De qualquer modo, é sempre salutar haver este confronto de perspectivas.
Cumprimentos retribuídos com todo o gosto.
Caro Pedro Correio,
O Tratado de Maastricht, sem criar uma união económica e fiscal, para a ‘Zona Euro’, condenou-a à nascença.
Os colapsos financeiros, gota a gota, estão aí a engrossar a enxurrada. A quebra da produção económica, o desemprego e as falências são fenómenos cuja dimensão e frequência não podem ser ignoradas.
Também antes ouvi dizer a vários economistas próximos do poder que renegociação da dívida nem pensar. De Vítor Bento a César das Neves, perante a desgraça da EO , já a admitem.
Sou do Belenenses, o que é um acto de coragem nos tempos que correm, mas isso não faz de mim um comunista porque António Filipe também o é ou do CDS-PP porque o João de Almeida também é sócio do clube. Coincidências da vida.
Nunca, em democracia, se viveu tão mal em Portugal – leia-se o ‘Expresso’ sobre a quebra do consumo alimentar. É o que objectivamente penso. A Europa, a bem ou a mal, vai ter de sair do sufoco. Esperemos que saia da melhor maneira.
Cumprimentos cordiais,
CF
Diz muito bem: «da mais fina cepa»…o costume! Daquelas bandas não se espera outra coisa…infelizmente!…
De tão fina cepa eu espero sempre, no mínimo, um Château Lafite Rothschild…
Dá para ver que o Pedro Correia tem, pelo menos, duas obsessões que ainda lhe vão fazer mal: o “5dias” e a pinga… desde que seja boa e cara. 🙂 🙂 🙂
Viva, Samuel: “Venho da terra assombrada, / do ventre da minha mãe; / não pretendo roubar nada / nem fazer mal a ninguém.”
Tem razão: é melhor frequentar outras paragens. Senão ainda acabo a escrever coisas deste género: «Espero que o povo grego ocupe as ruas JÁ. A justiça tem de se sobrepor à “democracia”. Nem que seja a ferro e fogo.»
“A justiça tem de se sobrepor à “democracia”. Nem que seja a ferro e fogo.»”
Isto é de uma subtileza deveras tocante…
Deixe lá ver se percebi: justiça é votar na esquerda, a democracia que se lixe. É mais ou menos isto, não é?
Extrema esquerda mais extrema não há.
Não percebo qual a surpresa. A extrema esquerda nunca foi democrática.
Claro que não. Assim é que está bem: cada coisa no seu lugar.
Num momento particularmente complexo para a maioria dos europeus, fomentar a ideia do “ferro e fogo” é duma irresponsabilidade que roça o criminoso. Quer dizer: Ignoremos os resultados das urnas porque isso não interessa nada, é só para entreter o pessoal. Não há pachorra para estes falsos democratas.
Se os nossos ganham, é democracia. Se os nossos perdem, parte-se tudo e queima-se tudo. Há quem considere isto “de esquerda”. Eu acho, pura e simplesmente, de-mencial.
Cheira-me que esta UE ainda vai durar menos tempo que a extinta URSS.
Pelo menos mais falida está.
A menos que o especialista Pedro Correia demonstre o contrário.
Miséria.
Um abraço para todo o pessoal aí em Penalva, Jojó. As saudades já eram muitas.
As suas soluções politicas são tão certas, como a sua convicção de que sabe a minha identidade.
Tem graça que não é o primeiro que afirma a pés juntos que ou estou em Penalva, mas como em tudo está redondamente enganado, não sou o Vilarigues e estou muito mais próximo do que imagina.
Quanto ao meu comentário, pelos vistos a sua especialidade não é seguramente a Europa é mais o PCP. Bem ao estilo do Pacheco, ou seja tudo o que for pensar o futuro dá um trabalhão.
Você quando quer consegue ser muito desagradável, Jojó. Eu a enviar daqui um abraço à bela vila de Penalva (bela a começar no nome), de que gosto genuinamente, e a sua resposta surge em forma de insulto?
Não insulte a minha inteligência.
Não mascaremos o assunto, sejamos sérios,sim.
Você é que não resistiu ao insulto fácil. Reparou bem com quem me comparou?