Democracia à espanhola.


Luís Menezes Leitão,

O que se passa presentemente em Espanha devia envergonhar qualquer cidadão europeu. Há largos meses que presos políticos se encontram detidos preventivamente sem culpa formada, sendo por esta via impedidos de exercer os cargos para que foram eleitos pelo povo. E assim se impede um parlamento eleito democraticamente de eleger quem entende para governar a sua região. Enquanto isto um partido que elegeu só quatro deputados vai continuar a governar a Catalunha. Muito democrático, sem sombra de dúvidas. E as instituições europeias queixam-se da Polónia e da Hungria, mas não abrem a boca sobre o que se passa em Espanha. Já há muito que sabe que na União Europeia há Estados mais iguais que outros.

25 comentários em “Democracia à espanhola.”

  1. “O juiz Pablo Llarena rejeitou o pedido do antigo líder da Assembleia Nacional Catalã (ANC, organização independentista) e que foi o número dois da lista da Juntos Pela Catalunha (partido mais votado nas eleições locais de Dezembro) argumentando, no acórdão de 26 páginas, que existe o risco de repetição do crime pelo qual está acusado”

    Em Portugal é como numa Espanha?

    Prisão preventiva

    1- Perturbação da Ordem pública e Alarme Social

    2- Continuidade de Actividade Criminosa

    3- Perturbação na Investigação e Colheita de Prova.

    4- Perigo de Fuga.

  2. Sim, a Catalunha é um problema interno Espanhol. Mas é também uma questão europeia desde a adesão da Espanha à dita.
    Cumpre esclarecer o que realmente é, e quer ser, esta União Europeia.
    Ou uma Federação ou um conjunto de Países e Estados semi-autónomos, tipo colónias, Alemãs.

    Numa Federação há um Primeiro Ministro, um Ministro das Finanças e um Ministro dos Negócios Estrangeiros. E há um Banco Central.
    Nesta dita União Europeia há (ainda) 29 PMs, 29 Min. Fin e 29 Ministro dos Negócios Estrangeiros(!). E há Bancos Centrais -que não emitem nem regulam moeda- para todos. Culmina esta estrutura um Parlamento que não legisla!.
    Em que ficamos ?.

    No meio de esta indefinição, ao mais alto nível, não admira que nos bairros de Barcelona os eleitores não saibam se são cidadãos da Catalunha, da Galícia … ou súbditos de sua Majestade o Rei de Espanha.
    Ou mesmo cidadãos de uma União Europeia que, jurídica e politicamente, os ignora, quando não vitupera.

  3. Rajoy é um títere de Bruxelas; e esta, por sua vez, é uma títere da Alemanha e França.
    O problema catalão será resolvido nas instâncias de justiça da União e com o empurrão da nova ordem em Itália.

    Bruxelas cavalgará de problema em problema até que acabará por ceder.

  4. O triunfo da mentira publicitária e propagandística, com a prestimosa ajuda de inocentes úteis, no exterior – já que , internamente, o 155 , se bem que temeroso e limitadíssimo na sua aplicação, lá vai fazendo efeito .
    Mas o plano inclinado continua presente – uma “preocupação não descartável numa Espanha que se mantém “cainita”…

      1. Financiar a fundação Francisco Franco com dinheiros públicos: check.
        Meter pessoas em tribunal por fazerem piadas sobre o ditador Carrero Blanco: check.
        Prender pessoas por dizerem mal do rei: check.
        Prender pessoas por dizerem mal da polícia: check.
        Negar ao povo catalão o direito a escolher os seus representantes: check.
        Se isto não é um estado fascista, eu não sei o que será.

    1. Sugiro que a señorita molares seja impedida de escrever mais opiniões porque existe o perigo real de continuar a dizer alarvidades.

        1. Vejo que é a favor de presos por delito de opinião e que se prendam pessoas eleitas e que não cometeram crime nenhum.
          Como diz o outro, velhos hábitos custam a passar.
          Espanha são muitas nações, há as que querem ficar sob a batuta de castela e há uma que, através do voto, já disse que não quer. Acho que não é preciso fazer um desenho.

        1. Confere!
          Uma medida preventiva, no género da que o neo-franquismo da praça cibeles está a tomar em relação a políticos eleitos pelo povo catalão, aplicada à señorita Molares, evitava o chorrilho de alarvidades que daí saem.

  5. …”para ser “Franco” dizia Rajoy, numa peça sobre a Catalunha, há uns meses atrás, não precisa de mais nada…digo eu…

  6. Não concordo. Ao contrário do que diz, eles não são presos políticos. Em Espanha tal como cá, só a justiça tem o poder de mandar prender alguém. Este é um caso de justiça pois está em causa a violação da lei. Segundo a sua opinião, quando um cidadão comum viola a lei é um preso da justiça, mas quando um político viola a lei, é um preso político! Depois aquilo que devia questionar, não questiona, que é a legitimidade democrática do poder judicial uma vez que não foram eleitos. Há outro problema que é a pouca transparência. De facto há coisas que deviam envergonhar qualquer cidadão europeu, mas não é o que disse! Por exemplo os sem abrigo, a qualidade da democracia e a falta de transparência em certos poderes. Nós também temos problemas cá, não seriam melhor também falar neles?

  7. Duplo “strip – tease ” de ignorância , quanto a “fascismo” e quanto ao Estado Espanhol pós 78 (sec.passado…).

  8. O Rajoy das caixas de sapatos com fundos para o partido , um rei (herança do franquismo) que condecora a sua filha de 12 anos como se fosse um general , e bruxelas que olha para o lado a defender os ucranianos , os imigrantes , , a atacar Polonia e Hungria , mas ainda não viram a Catalunha. Triste.

  9. O seu comentário é de uma ignorância que não sei clarificar. Informe-se porque é que esses politicos estão presos e não os classifique como presos politicos. A Espanha não é a Turquia porque se fosse não restaria nenhum, politico relacionado com o “process”, em liberdade! As sociedades democráticas são regidas por leis e quem as infringir deverá ser punido. Mas infelizmente há muitos como o Sr. para quem as leis só são boas quando vêm de encontro com as suas ideias e como tal não faz mal que não sejam cumpridas. Informe-se convenientemente antes de lançar atoardas para o seu blogue. E se for HOMEM de bem, faça publicar este meu comentário.

    1. Eu gostaria que me explicasse, como HOMEM de bem que certamente é, como é possível existir um crime de sedição numa autonomia cuja constituição Espanhola aceita como sendo uma nacionalidade histórica, tendo sido aplicado o 155 e, ainda por cima, as eleições levadas a efeito confirmarem a natureza da reivindicação feita por referendo e não por impedimento.

    2. Informe-se porque é que esses politicos estão presos

      Jordi Sánchez está preso porque organizou uma manifestação na qual acabaram por se verificar desacatos (ataque a polícias, embora sem violência). Não ma parece que isso seja razão para se prender uma pessoa num país normal. Muito menos para a deixar meses na prisão, sem julgamento.

  10. 1- Proibição de ajuntamentos populares nas ruas da Catalunha, no dia 1 de Outubro de 2017, com corpos de intervenção de Madrid a substituírem (invadirem) a polícia Catalã;

    2- Violência policial contra todos, jovens e idosos, homens e mulheres, só porque se atreveram a tentar fazer uma cruz num papel simbólico; E ainda vidros e portas partidas pela polícia de Madrid, só para tentar roubar papéis e caixas aos cidadãos;

    3- Uso de uma Constituição escrita por Franquistas (fascistas), para permitir ao PP (herdeiro direto do regime autoritário de Franco) impedir a entrada em vigor de uma lei das Autonomias, negociada por Catalunha e Madrid entre 2005 e 2008;

    4- Prisão preventiva para cidadãos que expressaram a sua opinião política sobre a Independência da Catalunha, na altura ainda sem acusação, decretada por um Ministério Público que anda às ordens das cortes (governo do PP) em Madrid;

    5- Ameaça de prisão para o Presidente eleito nas urnas pela maioria dos Catalães, caso este se atrevesse a pisar o solo do seu próprio país; Impedimento do normal funcionamento de um Parlamento eleito em eleições marcadas pelo governo de Madrid;

    6- Uso do artigo 155º da Constituição (ainda o mesmo texto escrito durante a transição da Ditadura), para tomar de assalto as escolas da Catalunha (estão a discutir, PP e Ciudadanos, novamente entraves ao ensino da língua Catalã, tal como no tempo de Franco), e dessa forma esmagar a pluralidade de nacionalidades de que é composta a Espanha;

    7- Uso do artigo 155º, pela força e ameaça, para tomar de assalto os órgãos de comunicação social na Catalunha, que à data de 1 de Outubro de 2017, ainda se atreviam a dar voz de forma isenta a ambos os lados. A partir do 155º, passaram a ser como os órgãos de Madrid, com um “critério editorial” que mostra os Nacionalistas como os “good guys”, e os Independentistas como “o diabo”, desde a forma como preparam as notícias, aos espaços de opinião, no tempo de antena totalmente controlado por Madrid, passando pelas bandas sonoras nas peças noticiosas!

    Perante estas premissas, só pode haver uma conclusão: Espanha é uma ditadura, com uma maioria de direita-radical ultra-nacionalista, um regime autoritário que não pensa duas vezes antes de usar a força para vergar quem pensa diferente, e que indiscutivelmente mantém presos políticos de forma a impedir a mudança democrática necessária à realidade pluri-nacional de Espanha, e usando os tribunais para judicializar a política de forma a impedir a democratização de uma Constituição nascida nas mãos de “ex”-Franquistas.

    Tudo isto feito pelo PP, o partido espanhol camarada dos fascistas da Polónia e Hungria, e de uma direita-radical cada vez mais nacionalista e racista que deambula pelo PP Europeu. Desta família política Europeia, fazem parte, sem qualquer crítica a fazer à Espanha, o PSD e o CDS.

    Portanto meus caros “Delatores de Opinião”, altamente ligados a estes 2 partidos, eu pergunto se é válida expressão: “Diz-me com quem andas, eu dir-te-ei quem és”?

    TENHAM VERGONHA! Pessoal do PSD, pelo menos vocês (já que dos fascistas saudosistas do CDS, como o extremista Nuno Melo, eu não espero decência nenhuma), saiam do PPE (conservadores, autoritários, e factualmente fascistas) e adiram ao ALDE (direita liberal Europeia).

    Ou fazem isso, ou não têm moral para abrir a boca para criticar os tiques autoritários do PCP. (eu tenho, porque não defendo nenhum regime autoritário, e sou eleitor potencial de qualquer partido que defenda a Social-Democracia na economia e o Liberalismo nas questões sociais sobre liberdades individuais, ou seja, sou potencial eleitor de BE, PS, ou PAN).

  11. O que se passa presentemente em Espanha devia envergonhar qualquer cidadão europeu.

    O que se passa em Espanha (não especificamente relacionado com a Catalunha) foi objeto de um artigo no Economist da semana passada (ou talvez de há duas semanas). É que não é somente em matéria catalã que se registam coisas peculiares em Espanha.

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