Delitos poéticos (8).


Luís Menezes Leitão,

CANÇÃO DA ERRÂNCIA.

 

 

Eu sou o irregular o vagabundo o erradio

eu sou da errância e da distância e da errática

e proibida margem de outro rio.

Haverá sempre em mim a linha matemática

e a gramática secreta do Padre António Vieira.

A minha terra é sempre em terra estranha

quem me quiser procure na fronteira

eu sou de algures entre o azul e a Espanha.

 

 

Manuel Alegre

 

Vermeer, Vista de Delft

Um comentário em “Delitos poéticos (8).”

  1. Excelente. Como muitos poemas de Manuel Alegre, da ‘Praça da Canção’ à ‘Senhora das Tempestades’.
    Sou um admirador confesso e reiterado deste grande poeta tantas vezes subestimado pelas bempensâncias de turno.

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