Delitos poéticos (3)


Ana Vidal,

          (Sandy Skoglund – The Wedding)

 

          ILEGAIS 

        Tira a aliança do dedo. O gozo
        é redobrado se
        nos assinto ilegais. Porque
        esse
        aro dourado concede-te
        direito a mim
        não há pecado assim:
        o meu
        nome em ti o
        teu
        nome em mim
        e
        essa data grafada em que assinamos
        de Cruz
        o arbítrio da união.
        As
        mãos procuram respostas como
        quem ergue rosas pelo espinho:
        tira a aliança do dedo. Se
        esta lei é sagrada nós
        somos apenas mortais precisamos
        de pecado:
        vamos
        dormir ilegais.

       (João Luís Barreto Guimarães)

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