(“Apolo e Ciparisso”, Claude-Marie Dubuffe)
Nas ervas
Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.
porque é terrivel
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.
abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho –
a glande leve.
Poema de Eugénio de Andrade


Se entendesse, Obiang havia de gostar.
Pensando melhor, ainda havia de querer condenar à morte o autor e mais o Apolo e o Ciparisso.
Não me surpreenderia nada. Mas no sec XXI, em Portugal, ainda há quem “estranhe” Eugénio de Andrade e a sua poesia…