Delitos Poéticos (28)


enlil,

AO FIM

  

Ao fim são muito poucas as palavras

Que nos doem a sério e muito poucas

As que conseguem alegrar a alma.

São também muito poucas as pessoas

Que tocam nosso coração e menos

Ainda as que o tocam muito tempo.

E ao fim são pouquíssimas as coisas

Que em nossa vida a sério nos importam:

Poder amar alguém, sermos amados

E não morrer depois dos nossos filhos.

 

Amalia Bautista (tradução de Joaquim Manuel Magalhães)

 

Alberto Burri, “Rossa plastica”, 1964

Um comentário em “Delitos Poéticos (28)”

  1. Obrigado por nos relembrar – entre tão vivos debates – das coisas que derradeira e verdadeiramente nos importam. Não que tudo o resto seja frívolo, inútil, ocioso. Mas que entre os entusiasmos, o calor das convicções, as certezas, é muito bem-vindo que um singelo punhado de linhas, sem pretensões de retórica, nos recorde limpidamente do que de facto interessa. Dia após dia, ao longo dos tempos.

    Costa

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