AO FIM
Ao fim são muito poucas as palavras
Que nos doem a sério e muito poucas
As que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
Que tocam nosso coração e menos
Ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
Que em nossa vida a sério nos importam:
Poder amar alguém, sermos amados
E não morrer depois dos nossos filhos.
Amalia Bautista (tradução de Joaquim Manuel Magalhães)
Alberto Burri, “Rossa plastica”, 1964


Obrigado por nos relembrar – entre tão vivos debates – das coisas que derradeira e verdadeiramente nos importam. Não que tudo o resto seja frívolo, inútil, ocioso. Mas que entre os entusiasmos, o calor das convicções, as certezas, é muito bem-vindo que um singelo punhado de linhas, sem pretensões de retórica, nos recorde limpidamente do que de facto interessa. Dia após dia, ao longo dos tempos.
Costa