DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José António Abreu: «Ouço as pessoas à minha volta e penso que devia gravá-las. Estou certo de que conseguiria obter excelentes obras vanguardistas, à la Stockausen ou Ligeti. Sinfonia de Tosses e Concerto para Pigarreio e Dois Espirros, por exemplo.»

 

Laura Ramos: «A partir de hoje, na noite mais longa do ano, tudo só pode melhorar.»

 

Luís Menezes Leitão: «Esta história do convite à emigração fez surgir uma competição entre os políticos para ver qual deles diz mais disparates. Mas neste momento quem ganha o prémio é seguramente Paulo Rangel com a sua proposta de criação de uma agência nacional para a emigração. Neste país infelizmente tudo serve de pretexto para criar novas instituições absolutamente inúteis, que só servem para aumentar a despesa pública. Há dificuldades de controlo das finanças públicas? Cria-se um Conselho para as Finanças Públicas. Celebrou-se um memorando com a troika? É obviamente necessário criar uma estrutura para acompanhamento do memorando. O primeiro-ministro apelou à emigração? Óptimo pretexto para se criar desde já uma agência para facilitar a emigração.»

 

Patrícia Reis: «Ter uma empresa é como ter uma segunda família, não virtual, avatar; uma família inteira com manias e tiques, bons e maus bocados. Quando a empresa é pequena, a segunda família transforma-se num caso amoroso. Queremos e não queremos. É uma liberdade e uma prisão. Como canta a Elis, são dois para lá, dois para cá. Se somos sócios gerentes somos os pais que tomam contam, que fazem contas, que verificam se está tudo em ordem e, por lei, não têm direito a fundo de desemprego. Somos ainda os que ouvem os clientes, não recebemos as respostas dos clientes no tempo certo e, se estas chegam com desajustes de comunicação, engolimos e avançamos. Não será o melhor do mundo, mas podia ser pior.»

 

Rui Rocha: «Sim, essa conversa da revolução tecnológica e do progresso brutal nas últimas décadas é muito bonita. Mas, onde estão os tais robôs que aspiram, limpam o pó, esfregam os azulejos, lavam os pratos e fazem as camas? E os carros voadores?»

 

Teresa Ribeiro: «Exigir mais sacrifícios a todos para poder continuar a apoiar os mais pobres é uma ideia que colhe. À medida que vem anunciando o agravamento dos impostos, o governo tem feito por salientar esta preocupação social introduzindo uma nota de justiça nas decisões impopulares. Mas quando expõe a bondade dessas medidas é sempre no abstracto, pois se cada uma delas fosse explicada no concreto, ficávamos em choque.»

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