
Jorge Assunção: «Se há ponto importante a garantir nas próximas eleições é que o governo eleito não dará seguimento a qualquer política de grandes obras públicas. Entre um PS pró-obras públicas e um PS anti-obras públicas (e por obras públicas, refiro-me às grandes obras públicas que endividam o país por anos), a vitória do segundo sobre o primeiro é um imperativo nacional. O que já não estou tão certo é que exista um PS anti-obras públicas em Portugal.»
Eu: «Na Quadratura do Círculo nunca teve assento qualquer representante do PCP e do BE, forças políticas que nas últimas europeias somaram 21% dos votos. É reconfortante saber que os “residentes” no programa convivem bem com isto.»

Li o seu texto sobre a saída de António Costa da Quadratura do Círculo e veio-me à cabeça uma ideia perturbante: o Pedro Correia é co-responsável por levarmos com Jorge Coelho na Quadratura ou Circulatura* ou lá como é que aquilo agora se chama. Tenha paciência mas isso é imperdoável!
* Realmente, o nome actual não lembraria ao diabo. Sempre que vejo o genérico do programa lembro-me daquela mítica frase de Jorge Jesus, não faço ideia se apócrifa ou não, «vocês os três, façam um quadrado!».
Essa frase é genial.
Não consigo acertar com isto… O último comentário foi meu.
O responsável pelas contratações é do dono do programa, Pacheco Pereira.
Foi ele quem recrutou Costa e Coelho.
Já agora, sugestionado pelo seu apontamento, reli isto que escrevi há dez anos na caixa de comentários desse texto:
«Neste caso, lamentavelmente, o princípio da auto-regulação não funcionou, o que levou à intervenção da ERC – que tantas vezes tenho criticado aqui. Isto só acontece porque os órgãos de informação fazem orelhas moucas às críticas que lhes chegam e só funcionam por imposições administrativas, o que é de facto um absurdo. Mas era também escandaloso, conforme já várias vezes aqui se escrevera, que o candidato socialista à câmara de Lisboa mantivesse um espaço de “comentário” semanal num programa televisivo de grande audiência nestas semanas que antecedem as autárquicas. Ou que a candidata socialista à câmara do Porto mantivesse uma coluna de opinião no jornal que é de longe o mais lido na cidade, com exclusão dos restantes candidatos. Ou que a presidente do PSD, candidata nas próximas legislativas, figurasse em destaque como “comentadora” do principal semanário. É uma questão do mais elementar bom senso, que devia ser automaticamente resolvida por auto-regulação. É uma exigência dos telespectadores e leitores, por imperativos de cidadania. Não foi isso que sucedeu. Lamento. É algo que não prestigia o jornalismo português.»
Voltaria, naturalmente, a escrever o que escrevi. Sem alterar uma linha.
Também tinha lido o seu comentário com o qual, aliás, concordo integralmente. O facto de a comunicação social parecer funcionar apenas por imposições administrativas é algo que apenas a menoriza e, na minha modesta opinião, descredibiliza. Era assim há dez anos e não me parece que tenha mudado muito desde então.
Talvez seja exagero meu ou uma generalização abusiva e injusta, mas parece-me que a necessidade de orientações superiores ou as reacções pavlovianas aos ditames de Entidades e afins não é pecadilho da comunicação social apenas, é atavismo português. Porém, isso é outra conversa.
Quanto à contratação de Jorge Coelho, eminente especialista da Interioridade e Prestigiadíssimo Polidor de Superfícies Anatómicas das Lideranças Políticas do Extraordinário Farol da Democracia que é Angola, percebo bem que não queira ser de nenhum modo associado a tal infortúnio. Perdoe-me o abuso, realmente há coisas com que não se brinca.
A questão não é essa. Gosto sempre de cingir-me aos factos.
Neste caso o facto é este: quem é o dono do programa é o Pacheco Pereira. E é ele também quem escolhe o elenco.
Já tinha sido ele a escolher o António Costa. Transformando o programa como trampolim para a carreira de Costa como presidente da Câmara de Lisboa, como secretário-geral do PS e como primeiro-ministro.
Quando me dizem que ele é um dos ideólogos de Rui Rio, fico esclarecido quanto ao desempenho do actual presidente do PSD…
Não tinha como facto que Pacheco Pereira fosse dono do programa, mas não me custa nada acreditar em si que certamente conhece o meio muito melhor que eu.
Já sobre Rui Rio, admitir que tem um ideólogo é presumir que há uma ideologia de base nas suas opções, o que me levanta muitas dúvidas. Rio adquiriu uma certa aura esquerdista quando foi um dos dois ou três deputados do PSD que na AR votou favoravelmente pela despenalização da interrupção voluntária de gravidez, ao tempo de um governo de Guterres se não me falha a memória (outro desses deputados “desalinhados” foi precisamente Pacheco Pereira). Mas penso trata-se de uma extrapolação simplista e ignorante. Para além do mantra das contas certas, creio que esta sua experiência de liderança no PSD, pelo menos em termos ideológicos, tem sido simples navegação de cabotagem.
Mas permita-me acrescentar o seguinte: vivi na cidade do Porto durante uns anos e nos seus arredores todo o resto da minha vida. E Rio foi o melhor Presidente de Câmara que conheci no Porto. A sua primeira vitória contra Fernando Gomes foi uma lição de democracia que os portuenses deram a um arrivista grosseiro que trocou o Porto por um Ministério e, depois de ter sido corrido do Governo, se apresentou a eleições com ares triunfantes, querendo convencer os parvos que fazia um grande favor à cidade.
Também não esqueço a firmeza com que enfrentou Pinto da Costa aquando da construção do novo estádio e da demolição do velho, e como não permitiu ao FC Porto manter-se agarrado à teta do município. Não conheço muitos políticos com esse tipo de coragem quando do outro lado está o mundo do futebol. Olho à minha volta e o que vejo é precisamente o oposto. No caso em apreço, o FC Porto só precisou de atravessar a ponte para perceber que se a teta da Avenida dos Aliados estava seca, havia outra logo além da Ponte Luis I. Haja pasto para tantas vacas.
Quer isto dizer que Rio será um bom Primeiro-Ministro? É óbvio que não. Saber conduzir um automóvel não me habilita para pilotar um avião. E ao não conseguir dar corpo a uma alternativa ao Governo actual, a sua prestação como líder da oposição não tem sido mais que sofrível. Por isso creio que o seu estará traçado.