DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Cláudia Köver: «”My week with Marilyn” – quero ver este filme. No entanto, no próprio trailer, e por melhor que seja o desempenho, já me debato com o eterno “aquela não é a Marilyn Monroe”. Ou seja, não me transmitiu a sensação de um Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. A representação pode ser maravilhosa, mas o “look-a-like” é, neste caso, muito traiçoeiro. Lembro-me de ver a série “The Kennedy’s” e de achar que Katie Holmes deu uma óptima Jackie, mas quando surgiu a personagem de Marilyn Monroe fiquei altamente desiludida. Não basta ter um busto grande, um sinal sobre o lábio e um cabelo loiro platinado.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Tive, há séculos, uma professora de História que estava apaixonada pelo David de Miguel Ângelo. Falava da estátua como quem fala do namorado que espera no café ao fundo da rua o momento da nossa chegada. Na altura, para a minha compreensão de adolescente, aquilo era uma excentricidade. Uma excentricidade engraçada, que eu era menina de devaneios e pensava que não seria de todo má ideia apaixonar-me assim por quem, de pedra, não pudesse desencantar-me e, eternamente, se detivesse num gesto sem reparo.»

 

João Carvalho: «Transporte prático e em voga, adoptado por iniciativa de algumas autarquias urbanas, é a bicicleta. Só se tornam menos populares quando as biclas estão muito bem estacionadas…»

 

José António Abreu: «Em Lolita, Nabokov colocou o professor Humbert Humbert a suspirar: Eu, pelo meu lado, era tão ingénuo como só um pervertido pode ser. Trata-se de uma frase que tantas vezes me parece não fazer qualquer sentido quantas as que me surge cristalinamente óbvia. Esta incapacidade para manter uma posição perturba-me – não por poder expor insuficiências nas minhas capacidades de interpretação do mundo e dos seus coloridos habitantes mas por me fazer recear que, nas ocasiões em que lhe nego o sentido, esteja precisamente a demonstrar uma insuperável ingenuidade.»

 

Laura Ramos: «Boa, Filipe, eu sabia que eras um homem avisado, ou não tivesses saído na hora certa para o outro lado do Atlântico. Mas  este teu desabafo vale mais do que dez tratados.»

 

Rui Rocha: «Pedro Nuno Santos, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, foi nomeado coordenador da operação de implosão da Torre 5 do Bairro do Aleixo. Contactado pelo DELITO DE OPINIÃO, mostrou-se confiante no sucesso da operação: vamos pôr aqueles alicerces a tremer!»

 

Eu: «O problema desta irresponsável promoção do princípio “não pagamos” – eventualmente aceitável numa reunião geral de alunos do ensino secundário mas sem a menor justificação na relação entre Estados que pugnam pelo seu bom nome e pretendem garantir créditos no mercado financeiro internacional – é a péssima pedagogia que transmite aos cidadãos. Se o Estado português gritasse “não pagamos” ao Banco Central Europeu, à Comissão Europeia e ao FMI, por que motivo, segundo a mesma lógica, os cidadãos não diriam algo muito semelhante ao Estado, abdicando do pagamento de impostos?»

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