DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «A 14 de Dezembro de 1918, assassinado Sidónio Pais, fica a sua obra emblemática de um ano: Monsanto, que ele quis transformar em parque da cidade com o objectivo de oferecer um lugar aprazível para os tempos livres dos lisboetas e, com isso, evitar grandes ajuntamentos populares no centro urbano que resultassem em agitação.»

 

José António Abreu: «Encolhido num vão de escadas, respirando com dificuldade, tossindo sangue, o sem-abrigo mete a mão no bolso e soma o valor da meia dúzia de moedas que de lá retira. Depois olha para o filho de seis anos que treme de frio abraçado a um escanzelado cão sarnento e murmura: “Só espero que o Passos Coelho permaneça firme e não aceite a sugestão do Cavaco para reintroduzir o imposto sobre sucessões”.»

 

Luís Menezes Leitão: «Depois de Oslo, é agora Liège que é alvo de um ataque de um fanático qualquer. É inacreditável que indíviduos isolados consigam em plena luz do dia praticar crimes desta violência no centro das cidades com recurso a armas deste calibre. Isto só demonstra que na Europa actual a segurança dos cidadãos não está adequadamente defendida.»

 

Eu: «Dentro de poucos dias, Mariano Rajoy tomará posse como sexto presidente do Governo espanhol desde a restauração da democracia, em 1977. Neste mesmo período, em Portugal, o número de primeiros-ministros foi exactamente o dobro. Do lado de lá, governaram Adolfo Suárez, Leopoldo Calvo-Sotelo, Felipe González, José María Aznar e José Luis Rodríguez Zapatero. Por cá, tivemos como chefes do Executivo Mário Soares, Nobre da Costa, Carlos Mota Pinto, Maria de Lurdes Pintasilgo, Francisco Sá Carneiro, Francisco Balsemão, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Sócrates. E temos agora Pedro Passos Coelho. Foram dezoito governos em 34 anos.»

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