DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «pom, pom, pom, ai-á, pom, pom, pom, ai-á.»

 

Ana Vidal: «A minha história com Almodóvar é uma paixão antiga e sempre correspondida. Uma questão de pele. Nunca me decepcionou, nem na época dos delírios hiperbólicos (de que o expoente máximo é, para mim, Tudo sobre a minha mãe) nem depois, quando o estilo começou a ficar mais depurado e ele me ofereceu, generoso, Habla con ella, um dos filmes da minha vida. Depois desse, será muito difícil fazer melhor. Cada artista tem, com sorte, um momento sublime em que se transcende, e o deste espanhol iluminado aconteceu ao conseguir o milagre de transformar um crime repugnante num verdadeiro poema de amor e pureza, e assim, duma penada, redimir toda a humanidade.»

 

Ivone Mendes da Silva: «O meu pai decidiu, pelos meus quatro anos, ensinar-me a ler a escrever. Discutível opção que dava outro post. Do ensinamento fazia parte o exercício da memorização. Coisa blasfema para os ouvidos de um pedagogo actual, sei bem, mas a mim não me fez mal. A memória, ginasticada de tenrinha, sempre me deu um jeito dos diabos ao longo da vida.»

 

João Campos: «Ontem à noite, quando os músicos já tinham abandonado o palco do Campo Pequeno, Billy Corgan disse ao público que tocaria uma última música se o público o acompanhasse. (…) O vídeo (que, já agora, não é da minha autoria) não tem muita qualidade, é certo (é pena o espectáculo não ter sido transmitido) mas dá uma ideia de como acabou ontem o fenomenal concerto dos Smashing Pumpkins – uma das maiores bandas dos anos 90 – no Campo Pequeno. Continuam em grande.»

 

José António Abreu: «Gostava de discorrer sobre o último álbum de Kate Bush, 50 Words for Snow, um conjunto de sete temas invernosos (mas quentes) entre os quase sete e os mais de treze minutos de duração, nos quais toda a genialidade de Kate mas também todas as suas idiossincrasias, toda a sua indiferença perante as modas e os riscos de parecer ridícula, se encontram bem evidentes.»

 

José Gomes André: «Ainda não percebi se a Inglaterra acaba de se salvar de um desastre ou de cavar a sua própria sepultura. Seja como for, hoje César atravessou o Rubicão.»

 

Rui Rocha: «Se não me engano, vivemos ainda num estado de direito. As forças policiais são fundamentais para assegurar a sua sobrevivência, assegurando o cumprimento da lei. Todavia, nada corrói mais a legitimidade democrática do que a actuação das polícias à margem da legalidade. É por isso que a actuação de eventuais agentes infiltrados nas manifestações ocorridas no dia da greve geral deve ser esclarecida de imediato (e já vai tarde), retirando-se todas as consequências institucionais e pessoais pertinentes.»

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