DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Enfim, nem tudo será mau. Pelo menos desta vez, os reis magos vão chegar ao presépio num instante.»

 

Cláudia Köver: «Hoje a música chega-nos uma vez mais da Suécia, com a banda Junip.  A música “Always” pertence ao terceio EP da banda que tem ao todo quatro álbuns editados. Um dos seus membros, José González (filho de pais argentinos), alcançara já algum sucesso a solo, tendo marcado presença em diversos programas televisivos norte-americanos e as suas músicas figurado na lista de uma mão cheia de bandas sonoras de séries.»

 

João Carvalho: «Muito importante hoje em dia é sabermos escolher um transporte escolar que seja realmente seguro…»

 

José Gomes André: «O vídeo do momento (…) tem suscitado indignação e múltiplos comentários, havendo quem queira debater o estado do ensino superior e até “o futuro” do país a partir de um vídeo de quatro minutos. Eu dou o meu modesto contributo para o “debate” com uma singela expressão inglesa: “cherry picking”.»

 

Laura Ramos: «Espero que, por uma vez, apanhem um corrupto. Isso não nos ressarciria de todos os danos acumulados pelos muitos casos em que a lei, a verdade e o exemplo acabaram triturados numa teia nojenta de expedientes processuais, alianças mafiosas e inexplicáveis impasses sem nome nem rosto, sujando muitos e não responsabilizando ninguém. Mas deixar-me-ia muito consolada.»

 

Luís Menezes Leitão: «Aqueles que exultaram com o corte de subsídios aos funcionários públicos, fazendo-os ser os bodes expiatórios da crise, vão experimentar a extensão da medida ao sector privado, como é agora exigência da troika. Há uma velha regra que diz que é um erro fazer acordos com crocodilos, no sentido de serem os outros a ser devorados. A única coisa que se consegue é ser devorado em último lugar.»

 

Patrícia Reis: «Hoje fui moderar um debate no âmbito de uma iniciativa universitária chamada: conexão lusófona (não perguntem, sff). Felizmente tinha comigo o escritor timorense Luis Cardoso, a poetisa angolana Ana Paula Tavares, brevemente o economista português Jorge Braga de Macedo, e o Tiago Soares, português, que é um indíviduo ligado à juventude das comunidades lusófonas (para onde ele for, eu voto!). Tivemos ainda o Kalaf, que lança hoje o seu primeiro livro, e que apesar de ter nascido em Angola gosta de dizer que é lisboeta.»

 

Rui Rocha: «As empresas saudáveis não deixarão de compensar os seus trabalhadores (os que merecerem) com outras remunerações complementares. As que enfrentarem dificuldades verão na medida um balão de oxigénio. Se ficarem por aí e não se reinventarem, acabarão por fechar apenas um pouco mais tarde. Ou seja, no sector privado, a vida continuará como antes. Com sucessos, fracassos, injustiças, entradas, saídas, prémios, promoções, mais ou menos remuneração em função dos resultados individuais e das vitórias ou derrotas das empresas, despedimentos colectivos, falências, salários em atraso ou desemprego. Trata-se de ganhar, perder e voltar a tentar.»

 

Eu: «Não esqueçamos que as duas guerras mundiais, ocorridas no último século, começaram precisamente na Europa. Quando a primeira começou, no dia 28 de Julho de 1914, ninguém acreditava que seria para durar. No final, quatro anos mais tarde, tinha deixado um macabro cortejo: pelo menos 35 milhões de vítimas. Recomendo, a propósito, a leitura das memórias de Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: este período surge lá exemplarmente descrito. “Foi uma vaga que se abateu com tanta violência, tão subitamente sobre a humanidade que, ao cobrir de espuma a superfície, trouxe ao de cima as tendências obscuras do inconsciente e os instintos do animal humano — aquilo a que Freud, numa visão profunda, deu o nome de ‘sentimento de aversão pela cultura’, a necessidade de se romper uma vez com o mundo das leis e dos parágrafos e de se dar rédea solta aos instintos sanguinários primitivos”, recorda o grande escritor austríaco. Um dos problemas da História é este mesmo: pode repetir-se a qualquer momento. Simplesmente porque as lições que nos vai deixando não são escutadas.»

5 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. as duas guerras mundiais […] começaram […] na Europa

    A Segunda Guerra Mundial começou na China, quando esta foi invadida pelo Japão em meados dos anos 30 (salvo erro 1935). Aliás, é precisamente por causa disto que a China foi reconhecida como um dos países vencedores da guerra.

      1. A I guerra mundial começou e acabou na Europa. Em rigor poderia chamar-se a primeira grande guerra civil europeia. A intervenção americana decidiu o fim dos impérios europeus (no caso do império austríaco, com consequências que ainda hoje perduram nos Balcãs).
        A II guerra foi apenas diferente pela intervenção japonesa (Adriano Moreira ainda lhe chamava a segunda grande guerra civil europeia). A intervenção americana, respaldada em Ialta em acordo bilateral entre Roosevelt e Stalin, decidiu o fim dos impérios coloniais (com consequências que ainda perduram na maior parte de África).
        Já não tenho expectativas de assistir à III guerra mundial mas há perspectivas de se vir a desenrolar no indo-pacífico, grande parte da ásia, incluindo ou não o próximo-oriente, Cárpatos, Balcãs e Báltico, poupando a maior parte da Europa e África e deixando de fora, como até aqui, a América do Sul e Central. Mesmo se, seguir uma progressão geométrica no número de mortos em relação às duas primeiras, 200, 300 ou mesmo 500 milhões de mortos não me parecem suficientes para eliminar a pressão demográfica sobre o planeta e o ambiente.

        1. A intervenção americana […] decidiu o fim dos impérios coloniais

          É certo que as independências africanas foram muito ajudadas, implicitamente, pelos EUA.

          Mas, mesmo sem Ialta, mesmo sem EUA, os impérios coloniais acabariam como resultado da 2ª Guerra. Nos anos 30, o primeiro-ministro inglês Chamberlain (tal como, aliás, Churchill) estava claramente consciente disso, e é por isso que tentou por variados meios apaziguar Hitler e evitar a guerra. Ele sabia, tal como o seu contraparte francês sabia, que uma guerra contra a Alemanha seria de tal forma dispendiosa, que os Tesouros inglês e francês seriam incapazes de continuar a sustentar os respetivos impérios. Que foi precisamente aquilo que aconteceu: a Inglaterra e a França perderam os impérios porque, basicamente, já não tinham dinheiro suficiente para os defender.

      2. “The Second Sino-Japanese War (1937–1945) was a military conflict that was primarily waged between the Republic of China and the Empire of Japan. The war made up the Chinese theater of the wider Pacific Theater of the Second World War.”

        em https://en.wikipedia.org/wiki/Second_Sino-Japanese_War

        É claro que, dum ponto de vista europa-cêntrico, a Segunda Guerra começou na Europa em 1939. Mas, na verdade, ela começou na China em 1937.

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