DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «O George Clooney é um excelente realizador. E o poder corrompe.»

 

Cláudia Köver: «Comecei a explorar o universo das músicas que amigos – próximos e distantes – despejavam em redes sociais, emails e conversas de café. Dediquei-me ao youtube, deixei de ignorar as letras pequenas nos cartazes de festivais, deitei os olhos aos artigos que me pudessem alimentar esta busca  e, acima de tudo, segui o trilho, de cantiga para cantiga, de banda para banda. Rapidamente descobri uma mão cheia de pequenas melodias, ou até mesmo discos inteiros, que me despertaram a curiosidade adormecida no ouvido.»

 

João Carvalho: «Não se trata de pôr fim ao direito dos juízes a transportes públicos gratuitos. Nem pouco mais ou menos, a meu ver. Admito que o direito pode conservar-se e faz sentido. O que deve terminar e já tarda tem outro nome: abuso do direito. Muitos juízes fazem de conta que desconhecem essa figura, que caracteriza a obtenção abusiva de um privilégio ao abrigo de um direito indevidamente tornado elástico. Mais: não procedem por imperativo individual de consciência em conformidade com padrões de exigência e de estatura moral desejáveis — ainda mais desejáveis pela crise que nos afecta a vida colectiva — o que é impróprio de membros de órgãos de soberania.»

 

José António Abreu: «Vale a pena ir a Serralves até 29 de Janeiro ver a exposição de fotografias do alemão Thomas Struth. Tiradas entre 1978 e 2010, incluem paisagens urbanas e ambientes industriais de impressionante complexidade, transformados em cenários quase irreais pela ausência dos humanos (em muito poucas se vêem pessoas) que afinal os construíram. Uma série de imagens obtidas no interior de florestas contrapõe a complexidade natural à humana e há também fotos de templos religiosos servindo a sua principal função nos dias que correm (de atracção turística), retratos de famílias de vários países e ainda algumas fotografias tiradas no interior de museus.»

 

Leonor Barros: «O Governo lembrou-se de acabar com o desconto de 50% nos transportes a que jovens e pensionistas tinham direito até agora. Nada contra. Paga quem tiver maiores rendimentos. O problema é que ‘maiores rendimentos’ podem ser esses agregados familiares endinheirados que ganham acima de 600 euros por mês, como aconteceu com o anterior (des)governoou os doidivanas que têm rendimentos anuais brutos entre os 2.934,54 euros e os 5.869,08 euros, e cito a mesma notícia.»

 

Patrícia Reis: «Eu gosto de ler. Desde sempre. De ficção científica a ensaio, de romances a literatura dita experimental. Gosto de poesia. E não tenho nada contra quem quer que publique. Cada um escreve o que pode, cada um lê o que pode, cada um tem os preconceitos elitistas que quer.»

 

Teresa Ribeiro: «Os olhos da mãe divagam distraídos pelos rostos estranhos que a rodeiam, enquanto a filha, de braços cruzados e pernas traçadas, não está. Por duas ou três vezes procuram-na, hesitantes, mas depois desistem e perdem-se num fio de pensamento qualquer. Então, à falta de interlocutor, a mãe, uma senhora que em nova devia ter sido muito bela, começa a falar sozinha. A filha fecha os olhos para não ouvir.»

 

Eu: «Sou insuspeito de simpatias por Berlusconi: várias vezes escrevi contra a sua falta de sentido de Estado, a sua duvidosa moralidade na gestão dos assuntos políticos e a ténue fronteira que separava a sua condição de empresário com a de responsável governativo. Mas esta saída do poder, nos termos em que ocorre, preocupa-me muito mais do que me alegra. E devia preocupar também aqueles que se manifestam a favor desta mudança política em Roma. Porque o designado sucessor de Berlusconi, Mario Monti, é um homem da confiança da superestrutura de Bruxelas, um tecnocrata puro e duro que ascende à liderança do Governo italiano não pelo voto popular mas por pressões da oligarquia financeira.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Não se trata de pôr fim ao direito dos juízes a transportes públicos gratuitos.

    Nem pensar em pôr fim a tal direito! Que horror!

    E mais os militares, e mais estes e aqueles…

    Resquícios lamentáveis do salazarismo e do tempo das empresas públicas, que a mando do Estado dão borlas a quem este quer favorecer.

  2. o designado sucessor de Berlusconi, Mario Monti, é um homem da confiança da superestrutura de Bruxelas, um tecnocrata puro e duro que ascende à liderança do Governo italiano não pelo voto popular mas por pressões da oligarquia financeira

    Quando um país deve muito dinheiro arrisca-se a, de facto, perder a sua soberania e a sua independência a favor da oligarquia financeira.

    Aconteceu a Itália tal como já tinha acontecido a Portugal.

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