DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Se tarda a dar uma mãozinha ao País, vê-se que anda pelo menos a arrumar a casa. É capaz de ser bom começar assim. Até porque jamais conseguiremos saber em que outros casos e quantas vezes isto foi (e ainda estará a ser) feito às escondidas por aqueles que se julgam instalados para sempre.»

 

José António Abreu: «De modo a proteger a sua economia de solavancos violentos (por os seus bancos terem andado a emprestar dinheiro a quem não sabia usá-lo), um contribuinte alemão pode ter interesse em enviar dinheiro para a Grécia – mas não tem obrigação de o fazer. Não contraiu as dívidas dos gregos (nem as nossas).»

 

Luís M. Jorge: «A questão da responsabilidade é importante. Não para apontar o dedo ou para humilhar. Quando alguém comete um erro e precisa de ressarcir os seus créditos, o primeiro passo é reconhecer que errou. O segundo, mostrar que aprendeu a lição. Só assim terá hipótese de receber o que lhe é devido. Fuga à implementação de mudanças, torpedeamento de acordos estabelecidos, acusações raivosas a quem se solicita o pagamendo devido, não geram impulsos de bom cumprimento. O cumprimento não se impõe pela força, conquista-se através de actos geradores de confiança.»

 

Rui Rocha: «O Orçamento de Estado para 2012, tal como o Memorando da Troika, é também o Orçamento do PS. Neste contexto, a partir da sua aprovação, o papel de António José Seguro como líder da oposição não poderá ser o de questionar as medidas previstas. Pelo contrário, e por muito que isso lhe cause desconforto, terá de ser o de exigir a sua correcta e integral execução.»

 

Eu: «A Caminho lança-o agora, com este solene promessa contida na página 6: “A presente edição reproduz fielmente o original.” Não acreditem: é mentira. Porque a obra que a editora acaba de pôr à venda nas livrarias, esclareceu-me o Nuno Pacheco, não surge escrita em português mas em acordês — um chocante anacronismo, como se o Saramago de 1953 já adivinhasse que no início do século XXI a ortografia seria assassinada pelo professor Malaca Casteleiro e o seu reduzido núcleo de discípulos, com a proverbial bênção do poder político. Lá surgem palavras malacastelenses como recetividade, perceção, aspeto, espetáculo, atividade, ativo. E nem o título do romance escapa: Claraboia surge sem acento.»

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