DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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José Maria Gui Pimentel: «Portugal aparece invariavelmente na cauda das economias avançadas. Bem na cauda. Somos, por exemplo, penúltimos (apenas atrás dos EUA) num índice de problemas sociais e de saúde, e somos também aqueles que menos confiam uns nos outros. Não constamos num gráfico sobre mobilidade social, mas não acho difícil adivinhar o resultado, num país onde o principal meio de mobilidade social é a política.»

 

Leonor Barros: «Lá fora há um dia de sol que me cumprimenta pela janela da sala. Melros que se penduram na vedação ou rasam a relva depenicando aqui e ali. A gata deitada a meus pés no tapete e a quietude que me retempera dos dias de alma gelada, acontecem esses dias, têm acontecido muito dias desses. E os cães ladram. Um ladrar díspar subitamente insistente. Vem aí gente, gente desconhecida. A gata inquieta-se como se cão fosse. Vem gente. Eu sei que eles hão-de vir. A campainha estridente. Vêm aí. Apuro o ouvido enquanto caminho para a porta. São eles.»

 

Luís M. Jorge: «A democracia é “o melhor dos sistemas” e tal… desde que não seja na Grécia: na Grécia o que se quer são campónios suplicantes de chapéu nas mãos. Parece que os líderes europeus estão muito angustiados. Já não era sem tempo.»

 

Rui Rocha: «Não deixa de ser irónico que a Grécia, berço da nossa civilização, tenha agora na mão o detonador que pode fazer implodir o braço mais avançado da construção europeia. Para já, a noite das bruxas de 31 de Outubro de 2011 continua a produzir vítimas no day after. Os mercados afogam-se no vermelho. E não é ketchup. É sangue. Se o leitor aprecia histórias de terror, está no sítio certo. Tenha medo, tenha muito medo. Se a lógica se impuser, ninguém ficará incólume. Para Portugal será um desastre.»

 

Teresa Ribeiro: «A Cartier escreveu-me. Mandou-me num encarte de luxo, com o retrato de uma mulher tão linda como eu gostava de ser, um baiser volé. Diz que é “um perfume de paixão, com uma esteira desconcertante”. A mim o que me desconcertou foi o contraste entre o que gastaram no mailing e a forretice na oferta do produto. Não dá sequer para experimentar na pele. Reduz-se a uma lágrima cativa no cartão por um adesivo. É como se a Cartier me dissesse: “Querida, se a sua ideia é só aproveitar uma borla, esqueça“.»

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