DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Existem, entre outros, três professores /bloggers – o Arlindo, o Ricardo Montes e o Paulo Guinote – que mantêm diários de informação e opinião que reputo da maior relevância acerca do que se vai vivendo no mundo da Educação em Portugal. Em cada um deles, por força da relação de confiança que foram estabelecendo ao longo do tempo com os seus pares em particular, e com leitores em geral, surgem com basta frequência informações mais actualizadas e completas do que nos media tradicionais, sendo ainda preenchidas lacunas e esclarecidas dúvidas deixadas pelos canais institucionais. Como uma de tantos professores que beneficiam do vosso ciberempenho –  muito obrigada.»

 

Ana Vidal: «Estou zangada com o novo Woody Allen, aquele que diz com indiferença: “Filmar em Lisboa? Por que não? Desde que me paguem…” Não gostei dos últimos filmes europeus, nem sequer dos tão celebrados Match Point e Vicky Cristina Barcelona. Cada um é para o que nasce. Sinto falta de vê-lo como actor e, como realizador, vejo sempre um peixe fora de água. Da sua água. Gostava era de vê-lo de volta aos seus cenários de excepção: a cidade de Nova Iorque e ele próprio, num eterno exercício de genial narcisismo masoquista, a descascar contradições até ao tutano num sofá de psiquiatra com vista para Times Square ou Central Park.»

 

João Carvalho: «Seguro e Zorrinho, incansáveis, insistem à exaustão que Passos Coelho devia retirar a confiança política ao chefe do executivo madeirense. Pois bem: retirar a confiança política seria o quê? Seria dizer que retirava a confiança política ao líder do PSD-M e assobiar? Seria o líder do PSD-M continuar a ser líder do PSD-M e o candidato-líder do PSD-M continuar a ser o candidato-líder do PSD-M? Isto parece-me fracote para justificar a teimosia cansativa do PS.»

 

José António Abreu: «Solução fácil, com resultados garantidos mesmo em condições climatéricas adversas, permite dispensar a deslocação aos locais retratados e ainda assim poder afirmar-se que «fui eu que tirei». Uma sugestão: é conveniente retirar os postais do expositor antes de os fotografar porque o arame talvez denuncie o estratagema.»

 

José Maria Gui Pimentel: «Há cerca de 20 anos, gozando a época de sucesso que correspondeu aos álbuns Out of Time e Automatic for the People, Michael Stipe dizia em entrevistas que não se importaria que os R.E.M. acabassem na noite de passagem de ano de 1999 para 2000. Ainda se via, acrescentava, a tocar «com estes três tipos» quase mais uma dezena de anos. Se por um lado ele e os «três tipos» não chegaram lá (o baterista Bill Berry abandonou a banda em 1997), por outro os R.E.M. ultrapassaram em muito o objectivo de Stipe, só acabando hoje, 21 de Setembro de 2011. E, apesar das suas obras-primas terem sido lançadas na década de oitenta e início da de noventa, é de realçar que continuaram quase sempre a fazer boa música. Aliás, Collapse Into Now, o último disco, lançado já este ano, fica como excelente despedida.»

 

Laura Ramos: «Gostei da entrevista de Pedro Passos Coelho à RTP1. Vi muito disto, vai para três décadas, e por isso estou calejada. Em rigor, com a epiderme ainda ligeiramente contusa pelas lesões sofridas nos últimos seis anos de delírio mediático, provocadas por aquele outro, o que agia sem saber das coisas. Hoje vi novidades: a transparência no olhar, a serenidade enérgica, a rectidão do discurso. E a franqueza de quem não escolhe atalhos, mesmo que seja, invariavelmente, para desenvolver temas onde não há como pegar de maneira a manter-nos em altitudes róseas e promissores solstícios.»

 

Luís M. Jorge: «No Público de hoje a coisa atingiu níveis nunca antes alcançados (o que não é dizer pouco, porque lá escreve a Helena Matos) graças a uma crónica do Rui Tavares em que ele sugere que a ausência de Governo na Bélgica impediu as políticas de austeridade, o que terá feito crescer a economia.»

 

Luís Menezes Leitão: «O comportamento dos outros países europeus em relação à Grécia lembra-me o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago. Quando várias pessoas ficam cegas em resultado de uma doença misteriosa, são colocados numa prisão em isolamento para evitar o contágio. O problema é que o contágio não deixa de se verificar, crescendo o número de presos até que os próprios governantes são atingidos. Quando a Grécia cair (já não é se…) o contágio aos outros países europeus é inevitável.»

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