
Ana Vidal: «Diego Rivera, o homem a quem ela chamava carinhosamente “panzón” por causa do volume da sua barriga, tinha, além disso, idade para ser seu pai e era “feo como un cerdo”, nas palavras de uma amiga de Frida. Pelo seu lado, Frida era uma mulher-menina, fisicamente frágil (quanto a força interior, a conversa é outra) e doente, um vidrinho colorido e exótico que Diego gostava de exibir. Porém, nada disso impediu que se tivessem amado loucamente e que esse amor, aparentemente tão desequilibrado, se tenha já tornado lendário.»
Ivone Mendes da Silva: «A presença do meu filho em casa durante o fim-de-semana pede sempre uns mimos culinários para os quais necessitava de ingredientes que não tenho habitualmente. Lá fui. E reparei numa coisa que já me tinha chamado a atenção e na qual não me detivera ainda. Por todo o supermercado há produtos abandonados fora do sítio próprio: quatro iogurtes junto aos pacotes de arroz, uma embalagem de bacon na prateleira dos sumos, dois queijos frescos em cima dos limões. Isto só para dar alguns exemplos. Estive a pensar num termo com o qual eu pudesse qualificar a atitude subjacente a estas deslocadas presenças. Não me ocorre outro melhor: é estupidez.»
João Campos: «Escrever ficção científica durande as décadas de 50 e 60 seria certamente um desafio. Em plena corrida espacial, com a exploração do espaço a tomar a forma de uma corrida sem pausas entre os Estados Unidos e a União Soviética, e com descobertas a serem feitas a um ritmo alucinante, qualquer narrativa situada num futuro próximo corria o risco de se tornar obsoleta num instante. Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke sabiam-no bem, quando embarcaram na aventura de escrever e produzir o filme 2001: A Space Odyssey – o resultado, como se sabe, foi um filme de um realismo ainda por superar no género, mais de quarenta anos volvidos.»
Rui Rocha: «É sempre triste ver um tipo chegar aos 33 anos sem a mínima noção do que é a responsabilidade pelos seus actos. A dimensão de um erro, ainda que grave, depende muito da forma como enunciamos o acto de contrição que lhe corresponde. E da vontade que temos em fazer dele um ponto de partida para nos tornarmos melhores. Ricardo Carvalho, com o seu sorriso apatetado e cheio de auto-complacência, fez questão de nos vir dizer que, em rigor, não aprendeu nada.»
