
Adolfo Mesquita Nunes: «Passam 11 meses a pedir por Agosto para terem uma Lisboa vazia, disponível, à espera. Chega Agosto e desfilam a vida social no facebook ao jeito de quem faz check in em todas as sugestões das agendas culturais ou de lazer. Mas basta um dia de chuva para desmascarar tanta falta de amor à cidade.»
Helena Fernandes: «Ter um filho não é apenas gerá-lo e trazê-lo ao mundo. Decerto que saberão isso melhor do que eu, que não tenho filhos. Não quero com isto desculpabilizar os actos da juventude, mas os jovens que têm pais presentes não têm comportamentos destes.»
Ivone Mendes da Silva: «Nos tempos que correm, parece-me grande impudência arranjar uma segunda casa e habitar, na deriva do momento ou da vontade, uma ou outra. Há, todavia, convites que, de tão generosos, se torna difícil declinar. Não sei bem o que de novo posso trazer a esta casa de mesa farta e alegres janelas. Entro na esperança de que, quando as minhas conversas abrirem bocejos no rosto das visitas, não hesitem em dizer-me: “Deves estar cansada. Não queres ir dormir para outro lado?”»
Leonor Barros: «Subir e descer ruelas, sob a presença altaneira dos minaretes e o cantarolar dos muezzin, o Bósforo sempre a espreitar numa das cidades belas, contraditoriamente belas e caóticas. Que terá aquela cidade? E depois há hüzün, sentimento de nostalgia que quase podia ser saudade. Muito, portanto. E fiquei no livro. Meses depois de o ter devolvido à estante ainda estava no livro. E em Kemal. E em Füsun. E em Istambul. Perdida na visita a ‘O Museu da Inocência’. Uma parte de mim ficou ali. A cidade talvez. Quem sabe o amor.»
Eu: «Tive a sorte e o privilégio de escutar ao vivo a arte de Fontes Rocha na fase culminante da sua carreira, quando integrava o Quarteto de Raul Nery acompanhando Amália Rodrigues pelos palcos mais prestigiados do mundo (incluindo o Lincoln Center, em Nova Iorque). Poucos anos antes essa arte ficara bem expressa — e acessível às gerações futuras — naquele que é não só o melhor álbum de Amália mas o mais deslumbrante disco desde sempre editado com música portuguesa: Com Que Voz.»
